Este blog está correctamente escrito em português, à revelia do triste acordo ortográfico em vigor.

31/07/2018

Chico Bento: Arvorada

Para mim


"Cada momento é como uma fror brotando. (...) Mais si a gente num si aquietá pra apreciá…
...vão simbora, como si nem tivesse ixistido."
Vó Dita em Arvorada

Há histórias que parecem ter sido escritas/desenhadas para nós. Que lemos como se tudo estivesse no seu lugar, do tom assumido ao traço utilizado e que para mais nos aquecem o coração. Proporcionam uma experiência única, que desejo a todos.
Senti-a com este Chico Bento: Arvorada - como pude esperar mas de um ano para o ler?! - sem qualquer dúvida a melhor das Graphic MSP até agora publicadas e um dos grandes livros que li/vou ler em 2018.

30/07/2018

Pepe Carvalho: Tatuagem

Adaptar...


Numa colecção Novelas Gráficas 2018 que - na sua quarta edição - de alguma forma se constrói (três livros em dez) sob o signo das adaptações literárias - que até podia ser o mote para uma colecção completa da Levoir com o jornal Público - Tatuagem apresenta - em BD - Pepe Carvalho, o detective privado criado na literatura por Manuel Vásquez Montalbán.

27/07/2018

Jeremias: Pele

Preocupação social


Uma das características marcantes da obra de Maurício de Sousa - para além dos óbvios humor e amizade - é a preocupação social, a integração de todos.
Em Jeremias: Pele, Rafael Calça e Jefferson Costa levam essa preocupação - até com laivos de denúncia - a um nível nunca visto nas revistas da(s diferentes) turma(s).

26/07/2018

Jessica Jones: Pulsar

Humanizar os super-heróis


Um casal a tentar acertar a sua relação, os primeiros passos num novo emprego, uma gravidez inesperada - mas não indesejada - a preparação de um casamento.
Pode não parecer - não parece mesmo nada! - mas este é o resumo de um livro de super-heróis da Marvel. Humanizados, a um nível raramente atingido.

24/07/2018

Harrow County #4: Laços de família

Maldita família!

Diz o povo na sua ‘sabedoria’ - utilizada (bacocamente) até à exaustão por quem tem pouco ou nada (de interessante) para dizer: “Família criada, paz arrasada”, até porque “A família não se escolhe”.
É o que acontece com Emmy neste quarto volume de Harrow County, quando descobre que não está só neste mundo e, mais do que isso, que a sua pretensa (?) família veio para destruir os equilíbrios que tão dificilmente tem criado.

20/07/2018

Área de Segurança Gorazde

Ao lado do repórter


Joe Sacco provavelmente foi um dos autores mais importantes do final do século XX, pelo seu carácter de pioneiro e cultor do género a que se convencionou chamar BD reportagem.
Área de Segurança Gorazde: A Guerra na Bósnia Oriental 1992-1995 é um bom exemplo.

19/07/2018

Destemidas

Para outros leitores


Pode parecer estranho, para mais no contexto - colecção Novela Gráfica 2018 - em que surge, mas o aumento do número de edições e a sua diversidade permite que surjam obras como esta: vocacionadas maioritariamente para quem não lê BD.
A estranheza pode aumentar, se repararmos que a edição original francesa foi um dos livros mais vendidos em França no ano passado.

Nas bancas: Destemidas

18/07/2018

O melhor livro da colecção Bonelli foi…





…, de acordo com os resultados da sondagem promovida por As Leituras do Pedro, Dylan Dog: A saga de Johnny Freak, de Tiziano Sclavi, Mauro Marcheselli, Andrea Venturi e Giampiero Casertano.
Curiosamente, a personagem repete a preferência expressa pelos leitores na sondagem que dizia respeito à colecção Novela Gráfica 2017. Um pormenor a que os editores deverão estar atentos?

17/07/2018

Viagens

De partida

Abrir um livro é partir em viagem. Uma viagem sem sair do lugar, com ponto de partida mas sem destino pré-definido, por percursos inesperados, abertos às surpresas que possa conter, aos desconhecidos que vamos descobrir - às vezes ao reencontro de velhos conhecidos.
Viagens, terceiro tomo das The Lisbon Studio Series é tudo isto - e mais - a multiplicar exponencialmente pelos autores nele incluídos.

13/07/2018

Deadpool mata o Universo Marvel

Ele vem aí


Tudo acaba por ter o seu fim…”
O Vigia em Deadpool mata o Universo Marvel

Todos os limites ultrapassados, todas as barreiras derrubadas, todos os pesadelos concretizados… Um dia tinha de acontecer, mas infelizmente não sei se vamos estar cá para dizer: ‘Eu vi…’

12/07/2018

Malditos amigos

Argumentista de cabeceira


Fui sempre - sempre…? - mais um leitor de argumentistas do que de desenhadores. A parte gráfica de uma BD - aceitando implicitamente que a separação pode ser feita… - foi sempre - sempre…? - suplantada pela história contada.
André Diniz é, neste momento, um dos meus ‘argumentistas de cabeceira’, cuja obra sigo.

Nas bancas: Mágicos de Mickey

10/07/2018

Deathfix


Futebol e corrupção



Os tempos mudam, há quem queira mudar a forma de ler BD. Deathfix, um webtoon de Verão da Dupuis, pensado especialmente para leitura em smartphone, é mais um exemplo.
[E pese embora este texto, continua a não haver comparação com ler um livro impresso, com peso, cheiro, textura…]

09/07/2018

Ms. Marvel #1: Fora do normal

Adolescente e muçulmana

Porque pode passar despercebido e porque vale a pena ler, aqui fica uma (nova) chamada de atenção para o ‘nascimento’ da nova Ms. Marvel, Kamala Khan, pelo tom refrescante que traz ao registo de super-heróis da Casa das Ideias, embora num registo assumidamente adolescente, que intui um certo regresso às origens, e pela exploração - ligeira - da origem muçulmana da protagonista.

06/07/2018

Cinco mil quilómetros por segundo

Triângulos às cores




Esta é a história de dois triângulos. O primeiro, amoroso, formado por Lucia, Piero e Nicola. O segundo, assente nas distâncias que os afastam, passa por Itália, Noruega e Egipto.
E são as cores que definem a sua intensidade.

05/07/2018

Afirma Pereira


Em busca da felicidade

Numa adaptação - em qualquer adaptação de um género narrativo para outro - a primeira avaliação a ser feita é se a obra funciona autonomamente no novo suporte.
“Afirma Pereira”, na adaptação em BD de Pierre-Henry Gomont, passa com distinção no teste. É uma obra autónoma e completa, com vida própria nos quadradinhos e - inevitavelmente - no espaço entre eles em que o leitor intui, sente, imagina, complementa tudo o que o autor não pode escrever/desenhar.

02/07/2018

Calipso


Sem medo de arriscar

O autor deste volume, Bernard Cosendai, conhecido no meio da banda desenhada pelo pseudónimo de Cosey, nasceu em Lausanne, na Suíça, a 14 de Junho de 1950. Com uma infância e adolescência sem história, entrou no mundo da ilustração aos 16 anos, fazendo a sua aprendizagem no seio de uma agência publicitária. No entanto, o apelo da BD foi mais forte e, cinco anos mais tarde, depois de ter conhecido o seu conterrâneo Derib (autor de Buddy Longway), já fazia a sua estreia aos quadradinhos.
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