Este blog está correctamente escrito em português, à revelia do triste acordo ortográfico em vigor.

16/09/2019

Capitán América: El hombre sin patria

Para além do tempo







Todos sabemos que o tempo e a distância têm influência na forma como lemos uma qualquer obra.
Algumas não conseguem passar esse crivo, outras mantêm uma frescura que, no caso presente, não deixa de ter algo de surpreendente.
E passo a detalhar porquê:
- porque já passaram mais de 20 anos sobre a publicação original (em 1995-1996) dos comic-books compilados nesta edição;
- porque a temática, não sendo completamente original então, é-o muito menos hoje;
- porque, na época, este arco encerrou uma fase do Sentinela da Liberdade.

Mas vamos por partes, começando pelo fim.
Colaboração profícua entre Mark Waid e Ron Garney, a sua passagem pelo Capitão América - explica Julian M. Clemente em mais uma (boa) introdução - apesar da sua popularidade e dos bons resultados, teve curta duração, porque valores mais altos se levantavam. Os do dinheiro, claro, porque os executivos da Marvel decidiram então encerrar as colaborações em curso e ‘oferecer’ as suas personagens mais marcantes e populares aos ‘filhos pródigos’ que tinham deixado a editora para fundarem a (então) muito bem sucedida Image - sabemos hoje que, na maior parte dos casos, os resultados foram pífios e a ‘normalidade’ seria reposta com maior brevidade do que seria imaginável.

A segunda premissa, tem a ver com o tema desta edição: condenado por traição, o Capitão América é exilado, tendo que abandonar a sua pátria, o seu exército e a sua personalidade super-heróica. Contará com a ajuda da (então) também apátrida Sharon Carter para enfrentar o vilão conhecido como Machinesmith e para repor - poderia ser de outra forma? - a ordem e a normalidade.
Se na altura já tinha sido feito mais do que uma vez, o número de vezes que este ‘modelo’ serviu (quase) todos os super-heróis ao longo das duas décdas que entretanto passaram, possivelmente só terá paralelo na quantidade deles que morreram e ressuscitaram!

Quanto ao tempo, é sempre o melhor juiz da validade das propostas que descobrimos na altura original de publicação. Há êxitos de venda que mais tarde envergonham, há sucessos que se revelam inexplicáveis, há obras que passaram ao lado dos leitores, mas que mais tarde se revelam fundamentais para a história da BD.
Se El hombre sin patria não encaixa em nenhuma das ‘definições’ atrás expostas, é uma história bem narrada - na tradicional acepção da queda e redenção de alguém que tinha ascendido muito alto - tem acção, intriga & mistério qb - aproximando-se mais de um relato de espionagem do que propriamente de super-heróis - tem uma galeria curta mas sólida de secundários, e, graficamente arejada e dinâmica, manteve uma grande frescura. Não sendo uma obra-prima de primeira grandeza, proporciona um bom par de horas de leitura e é um exemplo conseguido do que de bom se fazia nos super-heróis na década de 1990.
Numa edição completada com diversos extras, entre os quais algumas narrativas curtas, textos da épocas de Waid e Garney e diversas capas originais, não consigo deixar de destacar a capa da edição #451 de Captais America, uma bela homenagem à (então, mais uma vez) morte recente do maior super-herói da concorrente DC Comics...

Capitán América: El hombre sin patria
Inclui Captain America #450-#454, Captain America: The Legend, Captain America Collector’s Preview e Captain America Ashcan Edition
Mark Waid (argumento)
Ron Garney, Pino Rinaldi e Dan Jurgens (desenho)
Scott Koblish e Jerry Ordway (arte-final)
Panini
Espanha, 14 de Agosto de 2019
170 x 260 mm, 160 p., cor, capa dura
20,00 €

(capa disponibilizada pela editora; prancha e capa de Captain America #451 disponibilizadas pela editora original norte-americana; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão)

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderEliminar
  2. "A segunda premissa, tem a ver com o tema desta edição: condenado por traição, o Capitão América é exilado, tendo que abandonar a sua pátria, o seu exército e a sua personalidade super-heróica."

    E este ano ja voltou a acontecer é só a 4 acho eu.

    https://www.youdontreadcomics.com/comics/2019/1/31/captain-america-7-review

    Depois das Clássicas Nomada e Capitão.

    https://d1466nnw0ex81e.cloudfront.net/n_iv/600/592769.jpg

    https://d1466nnw0ex81e.cloudfront.net/n_iv/600/1013839.jpg

    ResponderEliminar

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...