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02/08/2018

Ken Parker #3

Dualidade


Mais tarde do que desejava (em termos de leitura), mais cedo do que contava (em termos de escrita) regressei a Ken Parker. Numa edição com Berardi ainda à procura do tom certo para a personagem, mas já com muitos dos aspectos que fizeram desta, uma série western de eleição e referência, mesmo quando as temáticas bases são recorrentes e vulgares no género.
Esta edição, faz-se sob o signo da dualidade. Dualidade essa, acentuada pela presença de Giancarlo Alessandrini no desenho da segunda história, num registo mais vigoroso e definido, bem díspar do traço artístico, fino e personalizado de Milazzo.
Em Chemako, reencontramos Parker, sem memória devido ao tiro que levou no final da narrativa anterior, a vaguear pelos bosques até ser recolhido por uma tribo de índios após ter salvo uma das suas crianças. Exactamente a mesma tribo que raptou a mulher de um militar de um forte próximo. A relação de Ken com o miúdo e com a sua mãe viúva, o síndrome de Estocolmo de que a cativa vai sofrer e a cobiça das terras dos índios por parte dos brancos, que contam com o apoio do exército, vão transformar Chemako num registo de grande humanidade, de surpresas e de final (in)esperado, que marca, sem dúvida, o primeiro ponto (bem) alto no percurso singular de Ken Parker.
A mudança para Sangre em las estrellas, dificilmente poderia ser mais vincada - e não me refiro só à alteração do desenhador para que os prazos de publicação fossem cumpridos. Chegado a uma cidade sem lei, Parker acabará por assumir o lugar de xerife e proceder a uma limpeza a vários níveis, à imagem de Blueberry em O Homem da Estrela de Prata ou (recorrentemente) de… Tex. Rápido no gatilho, obstinado e directo, o seu retrato surge bem distante daquele que lhe associamos geralmente, embora a narrativa apresente (mais uma vez) pormenores - humanos - suficientes para dar um tom extra ao que poderia ser apenas (mais) um western puro e duro.

Ken Parker #3
Chemako/Sangre em las estrellas
Berardi (argumento)
Milazzo e Alessandrini (desenho)
ECC Ediciones
Espanha, Outubro de 2017
140 x 210 mm, 208 p., pb, capa mole com badanas
9,95 €

(clicar nas imagens para as aproveitar em toda a sua extensão)

2 comentários:

  1. Paulo Pereira3/8/18 11:24

    Uma das mais interessantes narrativas do faroeste. Sensível, emotiva e especialmente humanista. Ler toda a aventura de Ken Parker até à sua morte, é um prazer imenso. E continua a ser curioso que as melhores aventuras do faroeste continuem a ser escritas e desenhadas por autores europeus. Uma das aventuras que me tocou mais é aquela em que Ken Parker e os pais desafiam os leitores a questionarem o significado da família e da amizade. Um regalo de emoções.

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  2. Paulo Pereira3/8/18 11:27

    O Brasil continua a editar Ken Parker. Para quando em Portugal? http://www.guiadosquadrinhos.com/capas/ken-parker-magazine/ke161104

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