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20/06/2018

Tex: O Sinal de Yama

  
Semana do Western IV

Já o escrevi mais de uma vez. Descobri Tex na adolescência - em edições emprestadas. Não sei quantas li mas, curiosamente - digo eu agora - a imagem que me ficou deste western tradicional, foram os confrontos fantásticos do ranger e dos seus pards com a dupla de feiticeiros Mefisto/Yama, pai e filho. É o pretexto para trazer o ranger da Bonelli a esta ‘Semana do Western’ de As Leituras do Pedro - onde ele na verdade não podia faltar.
Acentuando o carácter realista das histórias de Tex Willer, outra dupla de pai e filho, Gianluigi e Sergio (Bonelli), como autores e editores, souberam criar-lhe sucessivamente novos adversários, raramente recorrentes, para dar força à excepção: os dois atrás citados, mesmo assim só pontualmente presentes nas suas aventuras. Na verdade, entre a criação de Mefisto, em 1971, e este relato de 2016 que agora abordo, uma mão cheia é suficiente para contar os confrontos que tiveram com o ranger.
Comum a todas elas é a escolha de grandes autores - dos nomes mais fortes das equipas criativas do ranger de cada época - para darem corpo a mais um momento de um longo confronto tornado eterno pela imortalidade sobrenatural dos magos e a imortalidade (própria de um herói de papel) de Tex. Desta vez, são Mauro Boselli e Fabio Civitelli - autores que dispensam apresentação - os responsáveis por mais um relato fantástico - duplamente fantástico, na sua dimensão sobrenatural e na sua força narrativa.
Porque, se é verdade que com ligeiras excepções as histórias de Tex ancoram no mais sólido realismo, estes confrontos assumem um carácter sobrenatural e de terror, que Boselli e Civitelli, - o primeiro pelo tom escolhido, o segundo pela sua tradução em belas e impactantes imagens, ambos pela dimensão que conferem ao todo - acentuam num longo intróito, de mais de três dezenas de pranchas em que assistimos à ressurreição - mental - de Yama, através da combinação de elementos fantásticos - um longo desfile de demónios, presciências e visões - com outros elementos naturais - um tornado que se abate violentamente (orquestrado pelas tais forças sobrenaturais…?) sob um pequeno povoado do oeste.
Após este início de cortar a respiração, começa então a aproximação entre caçadores e caçados - mesmo que por vezes os papéis pareçam inverter-se ou se invertam mesmo - com Yama, à distância, aparentemente a mexer todos os cordelinhos, guiando os seus inimigos para a armadilha que laboriosamente preparou.
É um percurso lento, com avanços e recuos, com momentos chave e acontecimentos que virão a ganhar importância, que vão prendendo o leitor e fazê-lo ansiar pelo confronto final - com algum receio pelo destino dos seus preferidos.
Mas, se o intróito foi longo e detalhado, o final, sem ser abrupto como de outras vezes, surge mais cedo do que o esperado e não se mostra à altura das expectativas (tão bem) criadas, deixando um sabor a pouco - ou pelo menos conformando-se apenas ao que era expectável...
Publicada no final de 2016, em Itália, teve edição brasileira na colecção regular de Tex - nos números #573 a #575, onde li esta história. Desde Maio último, O Sinal de Yama existe também disponível numa edição de grande formato, bom papel e capa dura. O leitor - ou a sua carteira por ele! - fará a escolha, mas sem dúvida, este é um dos casos em que o tamanho importa e faz a diferença.

Tex: O Sinal de Yama
Mauro Boselli (argumento)
Fabio Civitelli (desenho)
Mythos Editora

Tex #573, #574 e #575
Brasil, Julho, Agosto e Setembro de 2017
135 x 175 mm, 11 4 p., pb, capa mole, mensal
R$ 8,90/ 3,60 €

Tex: O sinal de Yama
Brasil, Maio de 2018
190 x 260 mm, 330 p., cor, capa dura
R$ 74,90 €

[O acaso - com uma pequena ajuda - juntou nas minhas leituras - ou mais exactamente nas minhas escritas - uma série de westerns, completamente díspares, que têm em comum, para além dessa temática genérica, a qualidade que os torna leituras aconselháveis.

BouncerCisco Kid, Ken Parker, Matt Marriott, Tex Willer (não obrigatoriamente por esta ordem alfabética em que foram citados) irão ocupar este espaço por estes dias, transformando-o quase numa ‘semana do western’, onde, por exemplo, também podia ter entrado Duke.]

(imagens disponibilizadas por José Carlos Francisco; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão)

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