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04/10/2017

Sibylline 1969-1974

Bipolar







Criação do grande Raymond Macherot, aquando da sua ‘transferência’ da Tintin para a Spirou, Sibylline - que o mestre me desculpe a ousadia - surge aqui (quase como) bipolar.

Sucessora de Chlorophille, de quem progressivamente foi seguindo os passos, a localização das aventuras e o tom narrativo, a ratinha Sibylinne trouxe à banda desenhada de Macherot mais génio, mais explosões temperamentais e menos compostura.
Fora isso, oscilou entre o mais terno, infantil e ingénuo que se possa imaginar - empurrada para tal pelas pressões editoriais da revista que a publicava - e a crueldade, o realismo cru (mal) disfarçado e o retrato impactante da sociedade humana - quando Macherot dava largas à sua vontade e às suas opções criativas.
Este volume, segundo da reedição integral, tem exemplos de um e outro registo (e de como Macherot rapidamente transformava o primeiro no segundo…) - com este último, mais rico, inventivo e estimulante, a reunir, certamente, a preferência dos leitores. Mas em ambos, antes de mais, brilha a arte e o saber narrativo de um dos grandes autores clássicos franco-belgas.

Sibylline
Integral 2: 1969-1974
Raymond Macherot (argumento e desenho)
Yvan Delporte (alguns argumentos)
Casterman
França, 2011
215 x 287 mm, 192 p., cor, capa dura
25,00 €

(clicar nas imagens para as aproveitar em toda a sua extensão)

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