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21/07/2017

Uma história verdadeira do Batman

Os títulos iludem




Apesar do Batman surgir no título, ele não é o protagonista; apesar de ele referir que esta é uma história real do Homem-Morcego, também não é verdade.
O título, neste caso, é como as aparências: ilude!
Quem não gosta de super-heróis não se deixe enganar e compre o livro. Vai valer a pena.

Já escrevi: o Batman não é protagonista, mas aparece recorrentemente nas páginas desta obra, bem como vários dos seus super-vilões e coadjuvantes.
Também deixei claro que esta não é uma história verdadeira do Homem-Morcego, mas é uma história verdadeira: um relato autobiográfico de Paul Dini, que se tornou conhecido como argumentista da série televisiva Batman The Animated Series, que fez furor em 1992 - e desde então continua a agradar.
O que o livro narra - um assalto de rua seguido de espancamento do argumentista e as consequências psicológicas que daí advieram - data do ano seguinte, 1993, quando Dini e a restante equipa da Warner Bros. trabalhavam em Batman: The Mask of the Phantasm.
Centrado, naturalmente em Dini, apresenta-se contido sem deixar de o expor e flui com naturalidade mas também sensibilidade e despojamento, revelando tudo o que lhe passou pela cabeça - literalmente - após aquele acontecimento traumático.
Começando um pouco antes, num flashback de infância que explica a sua relação com os super-heróis em geral - e com Batman em particular - o livro é (quase) todo uma longa sequência de conversas entre Dini e esses seres de ficção que fazem parte do seu (trabalho do) dia-a-dia e como essas conversas - obviamente ficcionais mas reflexo do seu apego a esse universo - contribuíram para Paul Dini reencontrar o seu equilíbrio e, mais do que isso, retomar o rumo da sua vida.
Obra catártica, lançada mais de 20 anos após os acontecimentos, encontrou em Eduardo Risso o autor ideal para colocar no papel, em estilos diversos, ajustados aos diferentes momentos e estados de espírito, não só o que realmente aconteceu mas, mais ainda, também o que o argumentista imaginou, os pesadelos que o atormentaram, os medos que em muitos momentos o dominaram e quase o levaram à auto-destruição.
Repito o aviso: espero que o título não afugente os leitores que normalmente não lêem histórias de ‘super-heróis com as cuecas por cima da roupa’, porque perdem um belíssimo relato, para mais verdadeiro, no qual o Batman - e todo o seu imaginário - faz todo o sentido…

Uma história verdadeira do Batman
Paul Dini (argumento)
Eduardo Risso (desenho)
Levoir/Público
Portugal, 21 de Julho de 2017
170 x 260 mm, 128 p., cor, capa dura
9,99 €


(imagens disponibilizadas pela editora; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão)

3 comentários:

  1. É curioso estamos quase de acordo com tudo, mas penso exactamente o contrário em relação ao Risso. Parece-me que ele não era o artista adequado para este livro e sempre foi a minha maior crítica.

    A natureza da narrativa pedia, a meu ver outro tipo de artista. Para Risso deve ter sido excelente a oportunidade de sair do seu registo, mas parece-me que para algo deste tipo, eu ia para um Jonh Paul Leon, Tommy Edwards.

    Opiniões....

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  2. Fernando, opiniões, sem dúvida...
    Acho que o Risso conseguiu adoptar estilos diferentes, consoante o que era narrado e que os diferentes traços funcionaram. O que não quer dizer que outros não pudessem fazer melhor...
    Boas leituras!

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    Respostas
    1. Claro. Eu adoro o Risso e ao saber que por causa deste livro ele não fez o Dark Knight: Master Race com o Miller e Azzarello, fico chateado.

      Adorava ver o Risso a trabalhar com o Miller, porque na verdade era o artista perfeito.

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