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12/07/2017

O Homem que Passeia

Sem pressas
“Sabe… já fiz que chegasse. Por isso, agora, faço tudo com calma…”
In O Homem que Passeia


Primeira obra de Taniguchi publicada no Ociente - um dos aspectos (menores) que contribui para lhe conferir a fama que merecidamente ostenta - O Homem que Passeia foi escolhido pela Devir para inaugurar a sua nova colecção Tsuru (grou) dedicada à publicação de manga clássico.
Uma abertura acertada, serena, com um livro sem história(s).
Um livro sem história(s) ou com todas as histórias que formos capazes de ler nele, através das deambulações - citadinas, suburbanas… - do protagonista, o (tal) homem que passeia por Tóquio e arredores, atento às pequenas coisas, às coisas sem a mínima importância que quotidianamente desprezamos mas que, devidamente apreciadas, valem mais que a pressa, o stress e a correria que preenchem os nossos dias.
Para o homem que passeia, sair de casa é sempre uma aventura: observar pássaros, tirar um avião de brinquedo de uma árvore, tomar banho noturno nu numa piscina já encerrada, recuperar um ninho de pássaros, seguir um riacho, olhar para um céu estrelado ou simplesmente sentar-se à sombra de uma árvore frondosa são alguns dos pequenos nadas que preenchem as páginas do livro e, na sua quase completa mudez, nos gritam que a vida pode ser bem mais do que aquilo que já temos ou ainda procuramos.
Com um traço fino, delicado, pormenorizado, realista e belo, Taniguchi faz-nos contemplar, sem sairmos do nosso local de leitura, o mundo, melhor, um mundo, que existe à nossa volta à espera que, sem pressas, o descubramos.
Por isso, por uma vez - só por esta vez? - o meu desejo muda: bons passeios!

Nota final
Uma edição cuidada como esta, com sobrecapa, um conto extra - Dix ans après, posterior à edição original - introdução, entrevista com o autor e notas bio-bibliográficas, merecia - bem como os seus leitores - um papel melhor e, principalmente, uma capa cartonada.

O Homem que Passeia
Jiro Taniguchi
Devir
Portugal, Junho de 2017
170 x 240 mm, 244 p., pb, capa mole com sobrecapa
ISBN: 978-989-559-304-0
19,99 €

(imagens disponibilizadas pela editora; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão)

14 comentários:

  1. Encontrei-o numa FNAC, mas estava selado pelo que não deu para desfolhar. Fiquei com ideia que está publicado à maneira original. Ou seja, deverá ser lido/apreciado da direita para a esquerda. É isso?

    Tenho uma certa curiosidade relativa a, se o "mercado manga" (à partida, consumidores mais jovens), estará inclinado à aquisição de uma obra fora dos seus padrões e bem mais cara, e a curiosidade estende-se aos consumidores "FB/Comics" (à partida, mais velhos), se gostarão dessa opção.

    Como dizia o cego, "estamos cá para ver".... :-)

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    1. Sim, o sentido de leitura é o japonês, da direita para a esquerda.

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    2. Acho que não é uma edição para leitores de manga nem para leitores típicos de franco-belga, é mais para leitores de romances gráficos e também para quem não lê muita BD...
      Boas leituras!

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  2. Já o tinha dito aquando do anúncio, uma obra destas e por este preço (mais o número de páginas e o facto de ser a preto e branco) era de esperar capa dura e papel de (muito) melhor qualidade. Ainda para mais com duas obras de Taniguchi publicadas nesses moldes na colecção novela grafica. Sendo assim, e mesmo sendo fã do autor, não vou comprar.

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    1. Eu não vou comprar porque não gosto do autor, e ainda menos do livro em particular.
      Mas o facto de ser capa mole parece-me um pico-pormenor.
      Digo isto porque Gekiga é o meu tipo de BD preferido, e:

      - Quase todos os livros manga em japonês, inglês ou francês são capa mole, capa dura são excepções.

      - Haver em francês ou inglês para mim é um luxo. Tenho de comprar muitos livros em japonês e ir tentando aprender japonês aos poucos. Por isso sorrio quando vejo queixas de não haver versões em português dos livros que se pretende.

      - Além disso, muitos, mesmo em japonês estão esgotados (no japão), e tenho de comprar nos usados a preços elevados, alguns acima dos 50€ (livros pequenos a preto e branco).

      - Além disso muitas edições japonesas são em formato minusculo (15cm de altura) ou pequeno (18cm). Estas, sim, evito quase sempre, aplico aqui o mesmo racional que aplicas com capa-mole :-)

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  3. Para ficar mais claro, apesar de achar que se justificava uma edição em capa dura, a minha critica a esta edição é devida ao preço vs as características do livro em si (capa mole, 240 páginas, papel de fraca qualidade, impressão a preto e branco). Ou seja, tendo em conta que a única real diferença entre este livro e as séries manga regulares da devir é o tamanho um pouco maior, acho que não se justifica pedir o dobro do preço.

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  4. OK, mas já sabemos que o custo está ligado ao número de vendas esperado. (Daí o sucesso das edições do Público).
    E de uma maneira geral, quanto melhor o livro, menos vende, e por isso mais caro é. Ou seja acaba por se atingir uma lógica certa por caminhos errados: melhor = mais caro :-)

    O que eu queria dizer é que a partir de um ponto (de qualidade/vendas), o preço não sobe, simplesmente não é editado. Isso infelizmente para mim, que pagaria 5x o preço normal para ter certos livros, mesmo que em inglês/francês/espanhol.

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  5. Tenho a 1.º edição que saiu na longínqua colecção "Serie Ouro", portanto esta compra não é prioritária (se é que o irei comprar). Mas tenho de concordar com as opiniões dos restantes camaradas e editores de banca. O preço parece-me demasiado alto, bem si que existe factores que muitas vezes não estamos a para, mas a Levoir e a G Floy vieram "estragar" os leitores com as suas edições de capa dura e papel bom a preços excelentes, acho que ninguém irá dizer que cerca de 10 a 12 euros pelas edições destas editora é caro, muito pelo contrario. A Devir, uma editora que me merece o maior respeito, acaba por parecer a "má da fita" com as suas edições, por comparação, muito caras. Bem sei que existe aqui diferenças que explicam os preços, no caso da Levoir são as tiragem grandes e as distribuição com o jornal e na caso da G Floy é a co-edição, mas o leitor é um sacana que não quer saber disso. Já dei por mim, mais que uma vez, a desejar que tivesse sido a G Floy a publicar "The Walking Dead" ou o excelente "Criminosos do Sexo" para os poder ter em capa dura. E claro o preço entre dar €10 por, por exemplo, "Tony Chu" ou €15 por o "Criminosos do Sexo" é certo que acabarei por comprar o da Devir, mas a minha prioridade vai para o livro da G Floy.

    A Devir, apesar de estar bastante pujante na edição, começa (na minha opinião) a ter aqui um problema que mais cedo ou mais tarde se vai afectar.

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    1. Concordo essa cultura de Capadurizaçao low cost (levoir/salvat/g-floy/planeta) as vezes faz que certos comics saiam com hc sem merecerem tipo Shadowland,Fary Tails,Suicide Squad etc e outros inéditos que ninguém pega Secret Wars 2016,Spider Man Death of Jean de Wolff/hogbling origin,Iron Man Armor Wars etc.etc
      A devir edita toda a linha manga em sc tal como a Saida de Emergência com os comics.

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    2. O grande problema é que a maioria dos leitores não entende de onde vem a capacidade de algumas editores de não só editara em capa dura os seus livros, mas também mais baratos. Falar em co-edição ou outras destas "soluções" para publicar mais barato e com edições mais baratas é falar para uma parede, o que a malta quer é bom e barato e as editoras que o consigam isso seja lá como for e claro que quando isso não acontece temos as queixas do costume.

      Não há muita volta a dar à questão e já se sabe que tentar explicar estas questões é no mínimo difícil.

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    3. Eu acho que o mangá funciona muito bem em capa dura, e ninguém está à espera que saia em capa dura. por outro lado, custa 10€. Este livro parece-me que erra o alvo e devia claramente ser editado em capa dura. Se entrarem numa livraria em França, por exemplo, quase não há capa mole, só no caso de "graphic novels" tipo calhamaço gigante ou no mangá. O resto é TUDO em capa dura. E em Portugal vai ser assim.

      E a questão não é que haja livros que não mereçam a capa dura (porque há e muitos) é uma questão concorrencial nas livrarias, e em termos de dinheiro. Se o livro em capa mole custa menos X a imprimir, e esse X é pouco, mais vale fazer tudo em capa dura.

      Porque os leitores às vezes acham que a capa dura é feita para eles, mas não é só. É também para os canais de distribuição, por dois motivos muitos simples.

      1) vão espreitar as prateleiras da Fnac e ver os livros de arrumados de lombada: os de capa mole tendem a desaparecer completamente quando estão entalados entre os de capa dura.
      2) a qualidade das sobras e devoluções em capa dura é MUITO superior, sobretudo quando os livros têm distribuição em bancas. Pagar mais dinheiro pela impressão para ter capa dura vale muito a pena se a quantidade de livros estragados que voltam das bancas diminui de 10-15% para 2-3%.

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    4. Leia-se obviamente na primeira frase "Eu acho que o mangá funciona muito bem em capa mole, e ninguém está à espera que saia em capa dura." Erro de escrever demasiado depressa.

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    5. Gostava de acrescentar uma coisa importante: o PVP de um livro é também uma "opção" das editoras. A G.Floy optou desde sempre por ter livros baratos, mais baratos do que a média do mercado português, e já tínhamos essa opção na Polónia ANTES de começarmos a co-editar; e aliás, com a chegada às bancas esta semana do nosso volume do Homem-Aranha, que é editado SÓ para Portugal sem grandes diferenças de preço (a que existe tem mais a ver com ser um livro da Marvel, embora o ser só para Portugal possa influenciar um ou dois euros). Claro que isto nem sempre é possível, e uma coisa é editar Marvel só para Portugal, outra coisa seriam outras séries mais inviáveis. Mas a opção da G.Floy tem sido SEMPRE por ter uma política de preços mais acessíveis. Nem todas as editoras pensam assim.

      Lembro, p.ex. que a Devir também coedita a maioria dos seus títulos de BD US, p.ex. com o Brasil, e mantém uma política de preços mais altos.

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  6. Com certeza é ignorância da minha parte, mas detectei alguns "alegados" erros, que não esperava encontrar numa edição deste tipo, pelo que, se alguém, que tenha acesso a este livro, me puder esclarecer se se tratam, efectivamente, de erros ou só de inépcia da minha parte, agradeço imenso.

    1) O primeiro prende-se com o prefácio. É mencionado que "O Homem que Passeia" é composto por 8 passeios (presumindo que a cada capítulo corresponde um passeio, na verdade deverão ser 18), sendo que, a dada altura, refere-se e resume-se o 5.º passeio, "Os pepinos amargos no meio da noite", que eu não consigo localizar no livro, nem pelo título, nem pela descrição que é feita do mesmo - o mais próximo é o capítulo 15, "Amanhecer", mas não é exactamente a mesma coisa. Talvez seja uma referência a outro livro, mas o título e a temática idênticos, aliados ao facto de não ser muito conhecedor da obra do autor, geraram-me alguma confusão.

    2) Não sei se houve algum problema com a tradução da página 209, mas o diálogo não parece fazer muito sentido.

    3) Algo semelhante parece ter acontecido com as pp. 226-227, em que algumas vinhetas (ou, pelo menos, os balões) aparentam estar trocados, já que, às vezes, não parece fazer sentido nem a leitura da direita para a esquerda, nem a leitura "ocidental", da esquerda para a direita.

    Como disse, podem até não ser erros, mas causaram-me alguma estranheza.

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