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27/11/2012

Lucky Luke – Todos por conta própria









As aventuras de Lucky Luke segundo Morris
Daniel Pennac & Tonino Benacquista (argumento)
Achdé (desenho)
ASA
(Portugal, 2 de Novembro de 2012)
228 x 297 mm, 48 p., cor, cartonada
11,90 €


Resumo
Fartos das ordens e dos planos de Joe que os conduzem sempre à cadeia, os restantes irmãos Dalton decidem rebelar-se.
Surge então uma inovadora proposta: o primeiro a conseguir juntar um milhão de dólares, será o novo líder do bando.

Desenvolvimento
Contrariando as vozes mais agourentas (ou realistas?), a retoma de Lucky Luke por Achdé (e argumentistas) após o falecimento de Morris, não foi o desastre que se esperava.
E isso não acontece só porque o declínio da série – após a morte de Goscinny – já era muito acentuado (logo seria difícil fazer pior).
Cinco álbuns depois, Achdé e os seus parceiros ocasionais de cavalgada, num ritmo de cruzeiro controlado, sem terem dado origem a nenhum título ao nível dos incontornáveis da série (todos assinados por Goscinny…), já fizeram o suficiente para conquistar o respeito dos leitores do herói mais rápido do oeste, com histórias originais e divertidas, desenvolvidas de forma consistente e equilibrada, que fazem jus ao espírito e ao passado de Lucky Luke. Conseguiram-no através de bases argumentais originais e da incorporação de momentos e personagens recorrentes nas aventuras, como a exploração do duo Lucky Luke/Jolly Jumper, ou a relação de amor/ódio (por assim dizer) com os irmãos Dalton.
O mesmo acontece neste Todos por Conta Própria que a ASA, mais uma vez, editou em simultâneo com a edição original lusófona (e distribuiu dias depois com o jornal Público).
No entanto, ao contrário dos anteriores, o ritmo narrativo ressente-se da estrutura adoptada – embora, diga-se em boa verdade, possivelmente não haveria outra alternativa – devido ao acompanhamento de forma simultânea mas (necessariamente) intermitente dos progressos de cada um dos quatro irmãos Dalton, nas suas novas vidas a solo, explorando os assaltos, a vida política, os jogos de azar ou a culinária, surpreendentemente com mais sucesso do que se poderia pensar.
E se o final – como sempre e inevitavelmente – é o esperado, com os Dalton de regresso à penitenciária e Lucky Luke solitário em direcção ao sol poente, até o atingir há gags e peripécias bem imaginados em número suficiente para justificar a leitura de um livro simultaneamente com sabor a nostalgia e a novidade.

A reter
- A ideia base do álbum.
- O trabalho gráfico de Achdé.

Menos conseguido
- As quebras que o acompanhamento “personalizado” e constante de cada irmão Dalton inevitavelmente provocam no ritmo narrativo.


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