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05/07/2012

Heróis Marvel #1

Homem-Aranha – Integral Frank Miller










Bill Mantlo, Chris Claremont, Denny O’Neil e Frank Miller (argumento)
Frank Miller e Herb Trimpe (desenho)
Levoir+Público (Portugal, 5 de Julho de 2012)
170 x 260 mm, 192 p., cor, cartonado
4,90 € (preço promocional do primeiro volume)

 
 
 
Resumo
Número inaugural da colecção Heróis Marvel que a Levoir e o jornal Público vão disponibilizar semanalmente (pelo menos) até 11 de Outubro, recolhe todas as participações de Frank Miller em histórias do Homem-Aranha, antes de se tornar uma celebridade nom meio dos quadradinhos.
Ou seja, são as histórias “Retorno sinistro” (originalmente publicada em “The Amazing Spider-Man Annual #14”, de 1980), “Karma!” (“Marvel Team Up #100”, Dezembro de 1980), “Jogada decisiva” (“Marvel Team Up Annual #4”, 1981), “Spiderman: perigo ou ameaça?” (“Spectacular Spider-Man #27”, Fevereiro de 1979) e “Das cinzas às cinzas” (“Spectacular Spider-Man #28”, Março de 1979).

Desenvolvimento
Lançado no mesmo dia em que estreia o novo filme do Homem-Aranha, este livro traz o nome de Frank Miller como chamariz extra para o número inaugural desta colecção. O que não quer dizer que os trabalhos nele compilados - datados do início da sua carreira - apresentem já o génio que viria a demonstrar na reformulação do Demolidor, em Batman (“Ano Um” e “O Cavaleiro das Trevas”), “300” ou “Sin City”.
Por isso, estas histórias do Homem-Aranha, nalguns casos algo datadas, são mais um documento da forma como (a Marvel) narrava numa determinada época. O que não quer dizer que não se leiam bem ou que – nos casos de “Karma!” ou “Jogada Decisiva” – consigam mesmo cativar e prender o leitor, levando-o a vibrar com o herói aracnídeo. Ou que “Em terra de cegos…” apresente o Homem-Aranha privado da visão, o que faz dele um segundo Demolidor, ao lado do qual combate.
Com Miller quase sempre só desenhador – só assume o argumento em “Jogada Decisiva”, que tem desenho algo fraco de Herb Trimpe – este volume apresenta como atractivo extra a possibilidade de descobrir aqui e ali, a nível gráfico - na planificação diversificada e na plasticidade e dinamismo de algumas poses do Homem-Aranha ou dos seus adversários – ou a nível narrativo – com a utilização das primeiras páginas dos jornais para pontuar e fazer avançar a história, como mais tarde faria com a televisão - a futura assinatura de um dos mais importantes criadores de comics das últimas décadas.
Para além disso, há igualmente a curiosidade de ver Miller a desenhar o Demolidor – cujo título assumiria logo após deixar o Homem-Aranha com os bons resultados hoje conhecidos – e com vilões – o Rei, o Justiceiro – que viria a utilizar como futuros adversários do super-herói cego.

A reter
- Mais uma colecção de BD com o jornal Público (cujos primeiros três tomos até coincidem temporalmente com o final de “Thorgal” , a outra colecção de BD que o Público tem em curso), prova de que o esquema funciona. Para bem dos leitores. Mas só o Público é que sabe disso?
- A simultaneidade desta edição com a estreia do novo filme do Homem-Aranha Inteligente e sensato, mas pouco habitual em Portugal.
- Para além disso, associada ao nome de Frank Miller, hoje em dia um autor (re)conhecido para lá do universo dos comics.
- A possibilidade de conhecer os “primeiros passos” de Miller - com um herói emblemático – e de tentar descobrir nestas páginas o toque do futuro génio.
- A edição, que inclui as capas originais das revistas em que as histórias foram publicadas, bem como as capas das revistas do Homem-Aranha que Frank Miller desenhou.

Menos conseguido
- A selecção por autor, que obriga a deixar um arco incompleto (de alguma forma “concluído” com um breve texto explicativo). Mesmo relegado para o final do volume (ao contrário da edição brasileira que abria com ele) pode esfriar o entusiasmo de potenciais leitores menos familiarizados com o género.

6 comentários:

  1. Realmente esta edição peca pela história incompleta, penso que remediaram mal, mas trata-se de uma bela edição e vale mesmo o preço!

    Abraço

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  2. Olá Nuno,
    Começando pelo fim, sim, a edição está muito boa.
    Quanto à questão da história incompleta, sendo o tomo dedicado exclusivamente à fase de Miller com o Aranha, não havia alternativa O mesmo se passa, por exemplo, com as edições italiana, espanhola ou brasileira.
    Mas os leitores podem estar sossegados, porque isso não acontecerá nos próximos volumes.
    Boas leituras... de histórias completas!

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Também comprei o meu apesar de algumas ...
    Quanto a capa a mim também não me agradou é genérica demais,mas já reclamava disso desde os previews,e esse é de todos os males o menor.
    Mas quanto ao resto aparenta ser uma bonita edição em Hc que não fica nada mal junto das originais,pelo menos por fora.
    Não me agrada essa cena das histórias em aberto mas é sempre um risco quando se compram edições de autor ou personagem,ou seja também não é por ai que deixo de ler.Quanto ao resto só depois de ler mas parece ter bons escritores por traz do Traço de Miller,antes de ficarem gagas sim estou a falar de Claremont.
    O resto só posso teclar depois de ler.

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  5. Parabéns à nova iniciativa do Público. Julgo que é uma bela colecção, cuja apresentação é, na minha perspectiva, extraordinária, em formato comics com bom papel e com um texto, que sempre me agrada, de apresentação bastante satisfatório. Quanto ao preço, mesmo o que vai ser generalizado, perto de 9 euros, é óptimo e, quero acreditar, acessível a muitos bolsos. Aguardo os outros volumes que pelo que percebo terão uma lógica totalmente diferente deste.
    Pelos vistos, a contínua aposta do Público em edições de BD devem trazer alguns benefícios, porque, de outra forma, já não existiriam. Por outro lado, a possibilidade de haver outras apostas para além da parceria Público/Asa só é benéfica já que proporciona outras oportunidades e permite atingir outros públicos (quero acreditar).
    De qualquer forma, apesar de sermos um país pequeno e provavelmente com um mercado insuficiente, para além dos momentos de crise muito acentuada que vivemos, surpreende-me a quantidade de livros de Bd que ultimamente têm sido proporcionados ao público. E vamos ser honestos, a grande maioria de muita qualidade.
    Claro que tudo pode merecer diferentes análises, eu prefiro louvar o esforço daqueles que ainda nos conseguem proporcionar poder ler e ter algumas destas preciosidades.
    sinto-me satisfeito.

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    Respostas
    1. Olá Optimus, olá Letré,
      Sim a iniciativa do Público é de realçar, especialmente numa altura em que a oferta de BD em livraria é significativamente menor.
      Para além disso, aposta numa área diferente do franco-belga, diversificando o leque de propostas disponível.
      E, para concluir, as edições estão muito boas, apesar de não poderem agradar totalmente a todos, como é evidente...
      Haja leitores para esta colecção poder prosseguir (nada obriga a que termine no 15º volume...) ou para que possam surgir outra iniciativas semelhantes.
      Boas leituras... de Heróis Marvel!

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