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20/05/2012

Professor Pardal: 60 anos de invenções loucas














O Professor Pardal, o mais célebre inventor dos quadradinhos Disney, completa este mês seis décadas de invenções mirabolantes mas nem sempre bem sucedidas.
Apesar de não se saber a sua data de nascimento “real” - ao contrário de outras personagens Disney com quem interage – para a efeméride conta a data da primeira aparição nos quadradinhos de Giro Gearloose (o seu nome no original) em Maio de 1952, no número 140 da revista “Walt Disney's Comics and Stories”.
Esta banda desenhada de 10 páginas, escrita e desenhada pelo genial Carl Barks quase um ano antes, intitulava-se “Gladstone's terrible secret” e tinha como mote a tradicional sorte do Gastão e não a novel personagem. O próprio Barks, o mais famoso desenhador dos “patos Disney”, confessou que não pensava utilizá-lo mais, caso contrário tê-lo-ia feito mais baixo, da altura de Donald ou Patinhas, pois a elevada estatura do galináceo antropomorfizado tornava complicado “encaixá-lo” nas vinhetas a par dos patos.
Apesar disso, o inventor fez sucesso, o que justificou a criação de uma revista própria sete anos volvidos, em 1959; sucesso que perdurou até aos nossos dias, o que levou à sua inclusão na série animada DuckTales, da Disney.
Professor Pardal: a primeira aparição
Para isso, contribuiu certamente o seu génio inventivo, sempre a transbordar de ideias – embora para isso contasse com a ajuda do chapéu pensante, composto por um ninho com corvos – a par da sua lendária desorganização e distracção e dos falhanços – ou adequação errada… - dos seus inventos. Que tanto podiam ser construídos com peças novas, como com restos ou o lixo disponível, sendo utilizados quer para resolver (ou complicar?) os pequenos nada quotidianos, quer para ultrapassar os maiores e mais inesperados contratempos, ameaças e dificuldades.
Por isso, a par de foguetões, máquinas do tempo ou automóveis incríveis, também criou o oralicóptero, um engenho voador que Donald move à custa de “quacs”, a máquina de não fazer nada, minhocas que apanham peixes (literalmente) ou submarinos com pernas, bem como os mais estranhos artefactos com que heróis falidos como o Superpato (identidade secreta de Donald), o Morcego Vermelho (Peninha) ou o Morcego Verde (Zé Carioca) combatem o crime. Inventos muito apetecíveis para gente com más intenções, como o seu maior inimigo, o professor Gavião, sempre apostado em roubar as suas ideias, ou a Maga Patalógica e os Irmãos Metralha que os desejam para roubarem a moedinha nº1 ao Tio Patinhas.
Para o ajudar – e corrigir muitas das suas falhas – teve sempre ao lado o pequeno Lampadinha – Little Helper no original, rebaptizado Little Bulb nos anos 1980 – um pequeno robot com uma lâmpada a servir de cabeça, bem mais atento e equilibrado que o seu inventor, que se estreou em Setembro de 1956, na história “The Cat Box”.
Como tantas outras das assexuadas personagens Disney, Pardal, insensível aos avanços femininos, não tem filhos mas conta com um sobrinho, Pascoal (Newton no original), igualmente dotado de génio inventivo.
A sua fama extravazou os quadradinhos, inspirando pessoas no mundo real, como o norte-americano Dean Kamen, detentor de mais de 400 patentes, que se inspirou num invento do professor Pardal para criar os Segway que hoje vemos em centros comerciais e supermercados.
O professor Pardal, no entanto, não é o único – nem o primeiro - génio dos quadradinhos. Antes e depois dele, muitos outros revolucionaram os seus mundos com inventos estranhos ou apenas adiantados em relação ao seu tempo.
É o caso do foguetão do professor Tournesol que levou Tintin à lua, do rádio-relógio que Dick Tracy utilizava ou do avião supersónico criado pelo professor Mortimer.
Exemplos que ficam enquanto aguardamos pela concretização da máquina do tempo que o próprio Pardal, o Franjinha da Turma da Mônica (a par de tantos outros) imaginaram, dos fatos de moléculas instáveis desenvolvido por Reed Richards, do Quarteto Fantástico ou pela poção mágica de que só o druida Panoramix conhece o segredo…

(versão revista do texto publicado no Jornal de Notícias de 14 de Maio de 2012)


2 comentários:

  1. De longe um dos meus personagens favoritos da Disney. A ideia de um génio distraido que pode inventar literalmente qualquer coisa mas que acaba quase sempre por arranjar confusão com as suas invenções, é das premissas mais ricas que alguem pode ter para iniciar uma aventura ou uma comédia. O Pardal está de parabéns :)

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    Respostas
    1. Caro Luís Sanches,
      Obrigado pela sua partilha aqui no blog.
      É verdade, embora de uma grande simplicidade - ou talvez por isso - o conceito que está na base da personagem é muito bom e resulta na perfeição nos quadradinhos!
      Boas leituras... do Professor Pardal!

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