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09/05/2012

Bravo les Brothers












Colecção Dupuis Patrimoine
Franquin
Dupuis (Bélgica, 6 de Abril de 2012)
230 x 310 mm, 88 p., cor, cartonado
24,00 €



Resumo
Este álbum divide-se em duas partes.
A primeira reproduz “Bravo les Brothers”, com um novo colorido – baseado no original – da responsabilidade de Frédéric Janin, antigo colaborador de Franquin, com a participação da filha deste, Isabel Franquin.
A segunda reproduz os originais a preto e branco – sublimes! – de Franquin, a par dos comentários de José-Louis Bocquet e Serge Honorez que, a propósito de cada prancha, evocam a personalidade, a carreira, a obra ou as personagens do genial criador de BD, contextualizando-as no quotidiano da revista belga “Spirou” e na sua época.

Desenvolvimento
A proximidade do aniversário de Fantasio, leva Gaston Lagaffe a procurar uma prenda para ele. Prenda que, inevitavelmente, terá tanto de inusitado quanto de surpreendente e catastrófico, como é seu timbre.
No caso, Gaston adquire um trio de chimpanzés, encontrados nos saldos de um circo falido.
Os símios - muito susceptíveis – incentivados e aplaudidos por Gaston, passam então a fazer da redacção da revista Spirou um autêntico circo, infernizando a vida de Fantasio em particular e de todos em geral, com os seus malabarismos, habilidades e pontaria (in)falível, com os gags, as situações rocambolescas, os acontecimentos inusitados e os “acidentes” a sucederem-se a um ritmo impressionante, num monumento de pura diversão.
Em especial na primeira dúzia de pranchas, Franquin faz gáudio do seu génio para os quadradinhos, aliando ao seu traço vivo, vigoroso, ágil e muito expressivo, uma soberba técnica narrativa, uma planificação dinâmica e um sentido de humor irresistível para o leitor.
A título de parêntesis, refira-se que esta BD, criada numa época de depressão (!) do autor, quando ponderava o abandono das aventuras de Spirou – de que viria a desenhar apenas mais um álbum – foi escolhida por ele como a sua preferida, surgindo a meio caminho entre uma aventura – quase caseira – de Spirou e os habituais gags de Gaston.
O resultado – já atrás ficou explícito – é magnífico, não só pelo humor e sentido narrativo, mas também porque ela serve de pretexto para humanizar um pouco o “perfeitinho” Spirou, que nela se exaspera, duvida e hesita…
Quanto a Fantasio, assoberbado pelos chimpanzés, passa metade da história sobre o efeito de calmantes – “drogado”, pois! – sendo um tratado a panóplia de expressões com que Franquin o dota, bem como a sequência em que o (inevitável) De Mesmaeker traz os (também inevitáveis) contratos para assinar.

A reter
- A genialidade de Franquin, bem expressa em 22 soberbas pranchas de BD. Um monumento!
- A excelente edição da Dupuis, quer a nível gráfico, quer pelo seu conteúdo, pois a par das duas versões da BD e dos comentários, há ainda diversos esboços e desenhos extra para apreciar, o que faz dela um documento imperdível para os fãs de Franquin e todos aqueles que gostam de banda desenhada.
- A forma simples e dinâmica como Bocquet e Honorez traçam um capítulo muito importante da história da BD franco-belga e da obra de Franquin.



4 comentários:

  1. Simplesmente fabuloso este livro... vale bem a pena o investimento. Franquin era (e continua a ser) um dos melhores desenhadores e autores de BD de sempre!!
    Um abraço.

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    Respostas
    1. Olá Lucaimura,
      Assino por baixo!
      Boas leituras!

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  2. Anónimo3/6/12 11:13

    Parabéns!
    Daniel

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