Este blog está correctamente escrito em português, à revelia do triste acordo ortográfico em vigor.

19/04/2012

Insane











Xavier Besse (desenho)
Michael Le Galli (argumento)
Casterman (França, 28 de Março de 2012)
240 x 320 mm, 48 p., cor, cartonado
13,95 €



Resumo
Luisiana, Estados Unidos, entre as duas guerras.
No dia da libertação do pai de Betty, após 10 anos de cadeia, Clarence, um jovem adulto, prepara a evasão da adolescente da clínica psiquiátrica onde estava internada desde a morte, por overdose, da mãe.
O propósito de Clarence será reuni-la ao seu progenitor ou o seu intuito é outro uma vez que, em criança, viu o pai da menina assassinar os seus pais, tornando-o naquilo que é hoje?

Desenvolvimento
Seguindo uma temática hoje muito em voga (também) por força das muitas séries televisivas que abordam estes comportamentos desviantes, “Insane” oscila entre o tom policial e o mergulho na loucura - na insanidade, seria o termo mais óbvio – que rege a vida de Clarence.
Enquanto acompanhamos a busca – a perseguição…? - do pai de Betty – que faz tudo por permanecer na sombra, por razões que o leitor descobrirá -  pelo duo a quem ligam estranhos laços não completamente esclarecidos no relato, vamos também percebendo como o passado – os traumas, a violência, a falta de laços, de afectos, de ligações estáveis – fez de Clarence e de Betty aquilo que são hoje e qual a origem de alguns dos (muitos) fantasmas que os atormentam.
Sem entrar mais na história, para não estragar o prazer da leitura, adianto apenas que o final, que deixa a sensação incómoda de que algo ficou por explicar e de que faltou aos autores o toque de genialidade para fazer da sua história algo mais do que um policial de leitura agradável, funciona como o fechar de um círculo, explicando as ligações entre os diversos protagonistas.
Graficamente, se são visíveis no desenho de Besse - e logo na capa - alguma influência de manga, não só no traço, mas também na planificação diversificada e numa boa utilização de grandes planos, justifica-se uma chamada de atenção para a utilização dos elementos gráficos condensados na terceira prancha (reproduzida abaixo), que ao longo das páginas vão balizar e marcar momentos significativos da vida de Betty. Ao mesmo tempo que funcionam como elementos de ligação entre os sucessivos saltos entre o presente e o passado, que Le Galli introduziu no relato e que  fornecem ao leitor elementos que possibilitam a compreensão da trama.


A reter
- O clima tenso e misterioso que impregna “Insane”.
- A ligação gráfica feita entre os diversos momentos – alguns dos quais equiparáveis – do passado e do presente.

Menos conseguido
- Uma certa indefinição existente no desfecho do relato.



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