Valéry Der-Sarkissian (argumento)Nelson Martins (desenho)
Joker Éditions (França, Junho de 2010)
225 x 297 mm, 48 p., cor, cartonado
Resumo
Henri, Philippe, M. Merriot, Océane, Marion e Rani são solteiros em busca de um objectivo (leia-se parceiro/a) para as suas vidas. Mesmo que na prática pareça mais que se esforçam por afastar todos os pretendentes do que por atraí-los.
Desenvolvimento
Tout sur les celibataires é um álbum que vem na esteira de uma longa tradição da banda desenhada franco-belga, que assenta numa estrutura de pranchas auto-conclusivas, de tom humorístico, que giram em torno de um mesmo tema. No caso, os solteiros, um género cada vez mais presente (e cada vez até mais tarde) nas sociedades ocidentais.
A partir de seis protagonistas, colegas de trabalho e amigos/inimigos de estimação, conforme os casos e as situações, explora muitas das temáticas e das formas de vida que lhe estão associadas: o (difícil) estabelecimento de relações, a sedução, a conquista (ou não), as orientações sexuais, os impeditivos para o sucesso amoroso, o (ainda) viver em casa da mamã, a excessiva idealização dos pretendentes, os jantares solitários, as conversas de amigos, os grupos de encontros, speed-dating, etc.
E o argumentista fá-lo com humor, conseguindo diversificar e inovar apesar de aparentemente ter uma galeria de protagonistas limitada e pouca liberdade temática, o que na prática não se verifica, pois a forma como as vai explorando e as diferentes abordagens conduzem a gags diversos, que com frequência obrigam o leitor a (pelo menos) sorrir.
Para nós, portugueses, este álbum tem um atractivo extra: marca a estreia profissional de Nelson Martins como desenhador (profissional) de BD, e o mínimo que se pode dizer é que o resultado é prometedor, pois revela um bom domínio da planificação e da cor, um traço vivo, ágil, expressivo e dinâmico, bem adaptado ao conceito e ao estilo em que assenta o álbum, e mesmo com alguns toques de originalidade, como é o caso dos bigodes de alguns dos intervenientes, graficamente bem definidos e distintos, contribuindo de forma concreta para a leitura agradável do álbum.
A reter
- A forma mordaz como é (re)visitado o celibato (forçado…), tão em voga nos nossos dias…
- O traço humorístico de Nelson Martins, estilo raramente cultivado em Portugal.
- O sucesso de mais um autor nacional que fez o seu trabalho de casa e foi à procura de editor, num país onde eles existem…






























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Nascido a 2 de Março de 1931, em Nova Iorque, encetou uma carreira profissional aos 17 anos, após frequentar um curso de desenho na Cartoonists and Illustrators School, leccionado por Burne Hogarth, de quem se tornou assistente em Tarzan. Westerns, terror, guerra e ficção-científica foram alguns dos géneros que experimentou durante a década de 50, muitas vezes ao lado de nomes como Frank Frazzeta, Wally Wood, Reed Crandall, Roy Krenkel ou Jack Kirby. Em 1961 John Prentice convidou-o para o assistir em Rip Kirby.
As adaptações de filmes como Flash Gordon, Blade Runner ou O Regresso de Jedi foram alguns dos seus trabalhos nos anos 80 e 90, em que também trabalhou para a Marvel, como arte-finalista de John Romita Jr. (em Daredevil), Gene Colan, John Buscema, Rick Leonardi, Pat Oliffe, Mike Mignola ou Lee Weeks.







