Este blog está correctamente escrito em português, à revelia do triste acordo ortográfico em vigor.

10/06/2009

Histoires Cachées

Histoires Cachées
Colonel Moutarde (argumento)
Brigitte Luciani (desenho)
Delcourt (França, Janeiro de 2009)
136 x 176 mm, 48 páginas, cor, capa cartonada


Resumo

Uma família (aparentemente) harmoniosa reúne-se na velha casa de campo para um último adeus ao (falecido) patriarca da família. É tempo de relembrar o passado e de contar novidades. No entanto, há velhas “histórias escondidas” que teimam em vir ao de cima…

Desenvolvimento
Esta é (mais) uma história de relações familiares na aparência cordiais e serenas, mas na realidade distantes, tensas, recheadas de invejas, ciúmes e segredos.
E tudo é despoletado pela morte do patriarca Joseph, o que provoca o reencontro de todos os seus membros, confinados durante alguns dias ao espaço da velha casa de família, que tanto funciona como espaço de liberdade, pela fuga à rotina diária e pela evocação dos bons tempos passados, quanto como prisão claustrofóbica que catalisa e faz vir à tona velhos conflitos mal resolvidos.
São essas tensões que Colonel Moutarde vai introduzindo, em diálogos breves mas com o peso certo, enquanto nos vai apresentando os diversos membros da família que, se de alguma forma correspondem a estereótipos, têm o seu retrato psicológico suficientemente definido.
A seu lado, Brigitte Luciani, com a sua linha clara estilizada, agradável e bem servida por cores planas, com destaque para os tons verde, salmão e cinzento, vai-nos guiando de cena em cena, aprofundando os nossos conhecimentos de cada membro da família. Que, ao fim daqueles dias, com feridas saradas ou novas ou mais fundas cicatrizes regressam à sua vida quotidiana….
Ou não, porque as revelações ainda não acabaram. Terminada a leitura “normal”, há que voltar atrás e, com um abre-cartas bem afiado, separar cinco pares de páginas, aparentemente deixadas “coladas” por um erro da gráfica… Incluindo-as numa segunda leitura, descobrimos algumas das “histórias escondidas” daquela família (narradas em tons mais escuros, para se distinguirem em leituras futuras), percebendo – agora – melhor a razão de ser de alguns olhares, trocas de palavras e atitudes. E ficando assim a conhecer mais profundamente cada um dos protagonistas, com as suas qualidades, defeitos e segredos bem humanos.

A reter
- A curiosidade do exercício proposto pelas autoras.
- A forma divertida como é resolvida a questão do filho bastardo de Antoine.

Menos conseguido
- Algumas poses da figura humana, estáticas e pouco naturais.
- A perda do efeito surpresa em leituras subsequentes.

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