Este blog está correctamente escrito em português, à revelia do triste acordo ortográfico em vigor.
Mostrar mensagens com a etiqueta Nolitta. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Nolitta. Mostrar todas as mensagens

07/06/2018

Mister No: OVNIS na Amazónia

Actualidade

Pode soar estranho atribuir a este texto o título Actualidade quando o tema é - parece ser - OVNIS, mas quando Tiziano Sclavi o escreveu, em meados da década de 80, ia ao encontro de uma das grandes curiosidades do leitor comum. Desenvolver a narrativa à sombra da Guerra Fria - também no topo da actualidade - reforça aquela ideia, bem como - num contexto temporal diferente - colocar o enfase da trama na corrida espacial que opunha EUA e URSS na década de 50, em que a história decorre.

08/02/2017

El Muerto

Um verdadeiro clássico






A presença, neste momento, nas bancas e quiosques nacionais de Tex Edição Histórica #96, com a história completa El Muerto, é o pretexto para evocar uma das mais emblemáticas e apreciadas histórias do ranger, um clássico na completa acepção do termo.

08/11/2015

Tex Colecção #306/#307













O western puro e duro é o tema por excelência em Tex, mas ao longo dos seus quase 70 anos de existência, tem havido curiosas excepções. Mas talvez nenhuma tão estranha como a deste díptico.

02/05/2012

Tex Edição de Ouro #56/#57






















  
Caçadores de Lobos
Do outro lado da lei
Guido Nolitta (argumento)
Alberto Giolitti e Giovanni Ticci (desenho)
Mythos Editora (Brasil, Setembro/Novembro de 2011)
135x175 mm, 234 p., pb, brochado
R$ 17,90 / 9,00 €



1.       Datada de 1996, esta longa aventura de Tex (quase 500 pranchas!), de alguma forma fica na fronteira entre duas visões de um herói que ao longo de mais de 60 anos tem mantido uma indiscutível coerência, pese embora alguns ajustes – necessários e que têm ajudado a garantir a sua perenidade - introduzidos recorrentemente ao longo dos tempos para o adequar a cada uma das épocas que vai atravessando.
2.      História escrita por Guido Nollita (pseudónimo de Sergio Bonelli) narra uma incursão do ranger no território do Canadá, por ordem do governo norte-americano, para tentar (e este verbo é um eufemismo quando se trata de uma missão de Tex) desbaratar uma quadrilha de wolfers (caçadores de peles) que dizimou uma tribo que Tex e Tigre visitavam e viciam os índios com uísque adulterado, transformando-os em assassinos.
3.      Para tal, Tex e Carson vão necessitar da ajuda de Ska-Wom-Dee, um chefe sioux, cuja tribo tem sofrido com as acções dos caçadores.
4.      O reencontro com Jim Brandon, coronel do polícia montada canadiana, a justificação da missão dos dois rangers, a aproximação ao bando de malfeitores, a vivência anónima no meio destes, o cumprimento de algumas missões ao seu serviço, o acordo com os sioux e o confronto que conduz ao desfecho final, são episódios marcantes da trama, invulgarmente desenvolvidos quando comparados com muitas das suas aventuras – o que justifica por si só a extensão desta BD.
5.      Que conta, refira-se desde já, com um desenho extremamente ágil e dinâmico, em boa parte devido utilização de sucessivas mudanças de planos e à utilização, em especial na primeira parte do relato, de vinhetas verticais e de tira dupla, pouco usuais em Tex.
6.      Relato no qual, como espectável, Nolitta apresenta o ranger como um homem determinado, apostado em cumprir os seus propósitos (praticamente) a qualquer custo, sem se importar com os meios (nem com as vítimas colaterais que sejam necessárias, como hoje se diria…) para atingir os seus fins.
7.      É por isso um Tex inflexível, frio, rápido com os revólveres, implacável com os seus adversários que, sem hesitar, semeia de cadáveres os sítios por onde passa.
8.     Só que, a par disso, o argumentista, que logo no início mostrara um Tex impotente face ao ataque dos wolfers à aldeia dos assiniboins que praticamente abre a BD, no seguimento de mais de 400 páginas a louvar e endeusar o (seu) herói, nas 3 pranchas finais volta à carga e, se não destrói a aura do ranger, no mínimo questiona a sua infalibilidade, dotando-o de uma inesperada humanidade que o relato e o seu passado de forma alguma deixavam prever…
9.      … intuindo, introduzindo, marcando – confesso que não sei definir… – uma tendência que os anos mais recentes têm aprofundado.

14/01/2010

Tex Colecção #242 e #243

El Muerto
Guido Nolitta (argumento)
Aurelio Galleppini (desenho)
Mythos (Brasil, Março e Abril de 2007)
133 x 177 mm, 100 p., pb, brochado, mensal


Resumo
Esta aventura começa quando Jack Tigre e outro navajo regressam de uma viagem com cobertores e provisões para a tribo. Aproximam-se de um pequeno acampamento onde aparentemente são recebidos com hospitalidade mas rapidamente o grupo mata o indígena e espanca violentamente Tigre. No final, o chefe, uma personagem com a cara toda retalhada, que se intitula El Muerto, diz-lhe para transmitir um recado a Tex: se quer saber a razão do ataque, terá que se encontrar com ele no cemitério de Pueblo Feliz, daí a uma semana. Dias depois, uma diligência que transporta Kit Willer para se encontrar com o pai, é assaltada e o jovem baleado para transmitir o mesmo recado.
Tex não tem qualquer lembrança de se ter cruzado com a estranha personagem, mas dispõe-se a comparecer ao encontro.

Desenvolvimento
Considerada uma das melhores histórias de Tex, “El Muerto”, originalmente datada de Agosto/Setembro de 1976, faz jus à sua fama.
Como quase sempre acontece nestes casos, apresenta um Tex menos infalível – por isso mais humano – que tem que correr atrás dos acontecimentos, desconhecendo quem orquestra tudo e porque o faz. E dando a ideia que chega sempre um pouco tarde ou que não consegue virar o rumo aos acontecimentos, mesmo quando consegue antecipar os movimentos do seu misterioso adversário, como na chegada a Sunsetville. Nessa “falibilidade”, Tex vê os seus amigos serem feridos espancados ou mesmo mortos, sem conseguir inverter as situações, algo raro nas suas histórias.
Mesmo a forma como, a caminho do lugar do encontro final, consegue derrotar os capangas de El Muerto – apenas cinco… -, após a emboscada que eles lhe prepararam, precisando para isso da ajuda providencial de Tigre, apenas reforça esse (estranho e incomum) lado humano do ranger e cria mais expectativa para o duelo final, aumentando a estranha aura de El Muerto.
Este, é uma personagem bem delineada, um dos mais marcantes vilões que Tex enfrentou, não tanto pelos seus actos, mas pela forma como se impõe ao ranger quase até final. Um vilão movido por um insano (?) desejo de vingança, que nem as explicações do ranger, no cemitério, conseguem demover. O que só contribui para acentuar o seu lado trágico e, surpreendentemente, para lhe dar consistência e credibilidade.
A tensão acumulada ao longo das pranchas, aumenta ainda mais quando Tex e El Muerto finalmente se encontram cara a cara no cemitério que este escolheu para se desvendar e ao segredo que há anos carrega. De uma forma (invulgarmente) leal e correcta, posicionando-se no capítulo moral no patamar que (apenas) Tex costuma ocupar, o que reforça ainda mais o seu impacto. Só dessa forma, aliás, seria possível o longo flash-back, em que um e outro vão completando a história – e em que finalmente são desvendadas as razões que motivam o bandido.
E se a explicação é longa, que dizer do duelo final que ocupa três (demoradas) pranchas e finalmente possibilita o aliviar da tensão acumulada. Pelo menos para o leitor, porque Tex, se obtém o esperado resultado final, ainda precisa de se libertar dela contra o relógio que testemunhou o dramático confronto…
Guido Nolitta, construiu com mestria a trama, que prima em conduzir num crescendo, sem pontas soltas nem incongruências, encaixando nela perfeitamente a narrativa “antiga”, afastando quase completamente o Tex heróico e infalível que tantas vezes custa a “engolir”.
A seu lado, esteve um Galep na posse de todas as suas (muitas) qualidades, com um traço vibrante e dinâmico como sempre, especialmente detalhado e completamente à vontade cenários interiores ou nas paisagens do velho oeste, no retrato de homens ou animais, de cenas calmas ou de acção intensa.

A reter
- A manutenção do mistério da identidade de El Muerto ao longo de 130 das quase 200 páginas da narrativa.
- A forma como Tex é desta vez um peão na história, seguindo o curso dos acontecimentos, não o impondo como é habitual.
- A consistência e a credibilidade de El Muerto.

Menos conseguido
- A história ganharia ainda mais se a presença de Paço Ordoñez na fatídica cabana fosse revelada apenas no final da narrativa em flashback.

Curiosidade
- O Tex Colecção #242 (ainda) está disponível nas bancas portuguesas, devendo a edição seguinte chegar ainda durante este mês.
- Existe uma versão semi-animada desta banda desenhada que pode ser vista aqui (http://texwillerblog.com/wordpress/?p=7366).
- Guido Nolitta é pseudónimo de Sergio Bonelli.
- Tex Colecção republica, por ordem cronológica, todas as histórias de Tex.










(Texto publicado originalmente no Blog do Tex, a 13 de Janeiro de 2010)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...