A razão depois da paixão
Nascido de alguma forma na sequência da longa saga de Buddy
Longway, Red Road revela um
autor (mais) comprometido com a causa dos índios. E ressente-se disso.
Ric Hochet, o simpático jornalista parisiense com propensão para investigar crimes, criado por André-Paul Duchateau e Tibet, completou ontem 55 anos e a festa poderia ser bem maior, se o desenhador não tivesse falecido no passado dia 12 de Janeiro.
O segundo lançamento é uma estreia, pois trata-se de um romance, o primeiro protagonizado por Ric, escrito por Duchateau - com um toque autobiográfico - que tem por título “Reconnaissance de meurtres” e é uma espécie de auto-retrato em forma de relato policial, no qual o jornalista narra, na primeira pessoa, o seu primeiro inquérito.
Quando Ric Hochet surgiu pela primeira vez, na revista belga “Tintin”, a 30 de Março de 1955, tinha apenas 13 anos e era protagonista de enigmas policiais ilustrados que os leitores eram desafiados a desvendar. O sucesso levou-o rapidamente para os quadradinhos (e para a idade adulta), com um traço mais realista, onde as aventuras, partilhadas com o comissário Bourbon e a sua sobrinha Nadine (mais tarde sua esposa), recheadas de mistério e acção, frequentemente com um toque de fantástico, envolvendo-se com criminosos vulgares, seitas secretas, seres do passado, extraterrestres, crimes pela Internet e fazendo mesmo uma investigação nos bastidores do festival de BD de Angoulême ("B.D. meurtres"), o tornaram um dos sustentáculos da revista.
Portugal onde, para além das páginas da versão nacional da revista "Tintin", teve histórias curtas publicadas no "Mundo de Aventuras" e noutras revistas, tendo sido editados alguns álbuns, nos anos 70 e 80 (pela Bertrand e pela Futura) e mais recentemente nas colecções Série de Ouro (do Correio da Manhã) e Clássicos da Revista Tintin (do Público).