Já o escrevi mais de uma vez. Descobri Tex na adolescência -
em edições emprestadas. Não sei quantas li mas, curiosamente - digo eu agora -
a imagem que me ficou deste western tradicional, foram os confrontos
fantásticos do ranger e dos seus pards com a dupla de feiticeiros Mefisto/Yama,
pai e filho. É o pretexto para trazer o ranger da Bonelli a esta ‘Semana do
Western’ de As Leituras do Pedro -
onde ele na verdade não podia faltar.
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20/06/2018
Tex: O Sinal de Yama
07/06/2018
Mister No: OVNIS na Amazónia
Actualidade
Pode soar estranho
atribuir a este texto o título Actualidade
quando o tema é - parece ser - OVNIS, mas quando Tiziano Sclavi o escreveu, em
meados da década de 80, ia ao encontro de uma das grandes curiosidades do leitor
comum. Desenvolver a narrativa à sombra da Guerra Fria - também no topo da
actualidade - reforça aquela ideia, bem como - num contexto temporal diferente
- colocar o enfase da trama na corrida espacial que opunha EUA e URSS na década
de 50, em que a história decorre.
Leituras relacionadas
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02/03/2016
Tex: A barca das traições
Editar é sempre uma aventura perigosa – mesmo no caso de uma personagem como Tex – e quem o esquece, tomando por certo o que muito raramente é, arrisca-se a ter grandes dores de cabeça.
A colecção italiana Tex
Color – que a Mythos reproduz como Tex
Especial Colorido – mostra como a Sergio Bonelli Editore está ciente do que
atrás ficou escrito.
12/08/2013
Tex Edição de Ouro #63: O Retorno do Tigre Negro
Nizzi
(argumento)
Civitelli
(desenho)
Mythos
Editora
Brasil,
Novembro de 2012
135
x 175 mm, 284 p., pb, brochado
R$
18,90 / 9,00 €
Se a presença de mortos-vivos foi o pretexto –
desnecessário – para a recente evocação de Mágico Vento aqui nas minhas
leituras, uma coincidência levou-me a, em pouco tempo, deparar com outro herói
Bonelli às voltas com zombies, no caso presente o insuspeito Tex Willer, numa edição actualmente disponível nas bancas e quiosques portugueses.
Esta história, no entanto, fica também marcada
por outras notas distintivas em relação ao que é habitual nas aventuras do
ranger: a troca das montanhas e planícies do Oeste selvagem pelas ruas de Nova
Orleães – onde Tex e os seus habituais companheiros, nos trajes tradicionais,
destoam menos do que seria de esperar – sem que os seus métodos duros sejam
postos de lado, mesmo numa trama mais próxima da investigação policial do que
do western puro que o costuma caracterizar, ou o retorno de um dos raros
inimigos recorrentes de Tex, o Tigre Negro, protagonista na sombra de uma
história em que ronda as suas presas, aproximando-se cada vez mais delas até
(quase) desfechar o golpe final e decisivo.
Tudo numa narrativa longa, bem construída por
Claudio Nizzi, que conta com a belíssima arte de Fabio Civitelli, que mais uma
vez demonstra a sua mestria no estilo realista e na aplicação da técnica de
pontilhado, quer na representação dos espaços urbanos de Nova Orleães, quer na
caracterização das zonas pantanosas que se encontram nos seus subúrbios e onde
tem lugar o desenlace do relato.
03/04/2013
Almanaque Tex #44
Mythos Editora
Brasil, Agosto de 2012
135 x 176 mm, 114 p., pb, brochada
R$ 7,90 / 4,00 €
O bando do Campesino
Gianluigi Bonelli (argumento)
Aurelio Galleppini (desenho)
Assalto ao trem
Gianluigi Bonelli (argumento)
Aurelio Galleppini (desenho)
Morte no deserto
Claudio Nizzi (argumento
Giovanni Ticci (desenho)
Uma tarde quente
Sergio Bonelli (argumento)
Giovanni Ticci (desenho)
Trilha de sangue
Claudio Nizzi (argumento
Giovanni Ticci (desenho)
O duelo
Claudio Nizzi (argumento
Fabio Civitelli (desenho)
Desconheço
se existe algum estudo aprofundado sobre o assunto – apesar de já ter lido
abordagens parciais ao tema - mas é interessante considerar como a banda
desenhada evoluiu nos principais países “criadores”.
Em termos
de forma, grosso modo, tivemos a tira diária, a prancha dominical e o
comic-book, nos Estados Unidos; a revista com histórias em continuação e o
álbum cartonado no mercado francófono; as revistas volumosas e posterior edição
em pequeno formato, no Japão; as revistas populares em Itália.
Quanto à
extensão – o pretexto que me traz aqui hoje - nos Estados Unidos, se as
publicações em jornal nunca obedeceram a um qualquer limite, o comic-book (de
super-heróis) habituou-nos a histórias relativamente curtas que na actualidade
rondam a vintena de pranchas (embora seja normal prolongarem-se de número para
número e até por diversas revistas). O modelo Disney – que Maurício de Sousa
adoptou no Brasil – também prefere as narrativas curtas, ultrapassando poucas
vezes aquele número de páginas.
No mercado
francófono, as revistas, coloridas tal como as suas congéneres
norte-americanas, publicavam semanalmente até 3 ou 4 pranchas de cada história,
que eram depois compiladas em álbuns cartonados de 48 páginas (pontualmente 56
ou 64).
No Japão,
as “entregas” semanais de 30 a 50 páginas a preto e branco, originavam extensas
sagas que podiam chegar aos milhares de pranchas, compiladas nos volumes “tankobon”
com cerca de 200 páginas cada um.
Finalmente,
Itália – e em especial a Sergio Bonelli Editore – habituou os seus leitores às
revistas com 100 a 130 páginas e histórias em continuação, inicialmente sem
limite, embora o normal fossem as 200 a 300 pranchas. Tempos mais recentes
viram as narrativas adequarem-se ao número de páginas da publicação,
perdendo-se quase por completo o hábito do (continua).
Se a introdução
já vai longa, não podia contrastar mais com as histórias incluídas neste
Almanaque Tex #44, actualmente distribuído nos quiosques e bancas portugueses,
pois ele compila as únicas 6 histórias curtas que existem protagonizadas por
Tex – aliás, falta uma, é verdade, “A Presa” que o BDJornal publicou no seu
número mais recente…
Esta “fuga
à rotina” – mais vezes quebrada nos outros casos citados – se faz delas
curiosas excepções, mostra também como os criadores da personagem estão pouco
rotinados com o formato, soando quase todas como episódios parciais de um
relato mais longo que fica por contar.
As honrosas
excepções são “O Duelo”, segundo um guião de Civitelli que também a desenha e
pinta (originalmente foi editada a cores), que funciona como conseguida homenagem
ao – seu – herói, e a quase anedota “Uma tarde quente”, pelo tom irónico com
que trata a violência habitual neste western.
Uma referência
ainda para “Morte no deserto”, que passou ao lado de ser um belíssimo relato,
pois o aprofundamento da situação limite que Tex vive – a travessia de um
deserto, transportando às costas um bandido ferido, que acaba por morrer sem
que o herói afectado pelo calor e pela sede de tal se aperceba – poderia ter
dado uma história de tom humano muitíssimo interessante.
A edição –
que faz uma breve apresentação de cada história, indicando as datas e os locais
originais de publicação de cada uma das bandas desenhadas – é completada com as
capas de todas as edições do Almanaque Tex já publicadas.
Estas seis
histórias curtas de Tex, já tinham sido publicadas no Brasil na colecção “Tex e
os Aventureiros”, um dos mais interessantes projectos editorias da Mythos na
área das edições Bonelli.
Adoptando o
formato original italiano – que, sim, faz bastante diferença – publicava em
cada número, em sistema rotativo, uma banda desenhada “padrão” dos heróis
Bonelli que a editora então editava – Tex, Zagor, Nick Raider, Dylan Dog,
Mister No, Martin Mystère – bem como histórias curtas de cada um dos outros.
A falta de
vendas levou a que o sexto e último número fosse reduzido para o habitual
“formatinho”, para não ficar por editar…
Os textos
de apoio deste Almanque Tex #44 – bem como as imagens que ilustram este texto –
foram retirados dessas edições.
05/02/2013
Tex Gigante #27 - A Cavalgada do Morto
Mauro Boselli (argumento)
Fabio Civitelli (desenho)
Mythos Editora (Brasil, Outubro de 2012)
185 x 275 mm, 242 p., pb, brochado
R$ 19,00 / 10,00 €
Resumo
A morte em condições enigmáticas de um antigo
ranger, seguida da aparição de um pretenso cavaleiro sem cabeça, leva Tex, Kit
Carson, Kit Willer e Jack Tigre a regressar a Pilares, correspondendo a um convite
do seu amigo El Mourisco.
Irão descobrir uma antiga história, violenta e
trágica, na origem de uma vingança que deverão impedir a todo o custo.
Desenvolvimento
Embora a alguns isto possa soar estranho, a
verdade é que este era um dos livros aos quadradinhos mais aguardados de 2012.
Dentro do seu segmento específico, evidentemente, que, diga-se, pela sua
dimensão, está longe de ser negligenciável, mas também fora dele. E não só
porque estamos em presença de um “Textone” (o nome original dos “Tex Gigante”
em Itália).
Tal como acontece recorrentemente noutras áreas
temáticas da BD, a expectativa devia-se primordialmente à sua parte gráfica, ou
não fosse Fabio Civitelli, sem dúvida o mais categorizado desenhador de Tex dos
últimos anos, o escolhido para ilustrar este livro.
E o mínimo que se poderá dizer, é que o artista italiano
não defraudou os seus fãs nem as esperanças nele depositadas. Ajudado pelo
formato do álbum, o seu desenho brilha mais, pois permite realçar a qualidade e
a precisão do seu traço fino e expressivo, apreciar o realismo com que retrata
tanto cenários urbanos, quanto paisagens desertas ou zonas montanhosas, fogosos
cavalos ou seres humanos. (E aqui justifica-se um aparte para realçar as
mulheres de Civitelli – e elas têm um pouco mais de protagonismo neste Tex
Gigante do que é habitual – o que faz desejar a sua arte numa série em que elas
tivessem presença mais destacada).
Amante da precisão, do detalhe, do pormenor, do
rigor e da qualidade, Civitelli brilha a grande altura e com ele a técnica que
desenvolveu ao longo de muitos anos a desenhar o ranger Bonelli. E, neste
campo, revela-se insuperável o pontilhismo que utiliza para definir sombras,
volumes e ambientes nublados ou noturnos, sendo justo destacar a longa
sequência passada no interior da montanha, no cemitério índio, onde a névoa e a
escuridão são quase palpáveis à bruxuleante luz das tochas.
Quanto à história em si – que apesar de tudo o
que para trás fica não pode ser passada para segundo plano, pois isso faria
desta BD uma obra menor – é consistente e está bem construída. Os avanços narrativos
são feitos de forma calculada, com mudanças de local e de protagonistas em cada
pico de acção ou suspense, quase como se se tratasse de capítulos a publicar
numa revista – o que ajuda a embarcar o leitor no tom predominante.
É verdade que tem uma longa introdução – talvez
demasiado longa, defeito recorrente em Tex – que condiciona uma equilibrada
exploração do desfecho, mas é ela que contextualiza e explica a restante acção
e a origem do morto sem cabeça que cavalga à noite como lúgubre premonição para
aqueles a quem irá tirar a vida.
Cavaleiro sem cabeça (literalmente?) esse que
está na origem do (pouco vulgar) tom fantástico que a história assume, a
espaços próximo mesmo do suspense e do terror – visível na fantasmagórica
aparição ou na viagem ao além de Eusébio e cujo auge se divide entre a já
citada (e conseguida) cena no cemitério índio e o confronto final - e que é a
nota distintiva do relato.
A reter
- O desenho de Civitelli, (não) suficientemente
elogiado acima.
- O (inusitado) tom fantástico da história.
- Para todos os efeitos, o curto intervalo entre
a publicação original e o lançamento desta edição no Brasil.
Menos
conseguido
- O final algo abrupto, o que infelizmente não é
novidade nem em Tex, nem em Tex Gigante.
Nota final
- A utilização de imagens em italiano, provenientes directamente de Fabio Civitelli (via Tex Willer Blog) deve-se ao facto de terem uma qualidade muito superior à que poderia obter num scanner a partir da edição brasileira.
17/11/2011
Tintin por... (V)
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24/05/2011
Tex Especial Civitelli #1
O Presságio
Claudio Nizzi (argumento)
Fabio Civitelli (argumento e desenho)
Mythos (Brasil, Outubro de 2010)
135x175 mm, 336 p., pb, brochado, 10 €
1. A cronologia não o revela mas a verdade é que uma vez concluída a leitura de O Oeste Segundo Civitelli, a vontade de ler algo desenhado por aquele autor foi irresistível.
2. Na pilha de leituras por fazer estava este tomo inicial da colecção Tex Especial Civitelli, que correspondia aquele pressuposto.
3. Para além disso, tinha dois outros atractivos: permitia ler a versão integral integral de uma das bandas desenhadas exploradas naquele livro teórico…
4. … e tinha também Civitelli como co-autor do argumento.
5. Algo raro na casa Bonelli, o que fazia deste Tex um dos exemplos mais próximos de “BD de autor” na cronologia do ranger, talvez só comparável aos volumes que integram a colecção Tex Gigante - que, no entanto, o desenhador nunca escreve….
6. E, se Civitelli é há muitos anos o grande desenhador de Tex, mostra neste O Presságio que poderia ser também um bom argumentista das histórias do ranger, não fosse aquela actividade demasiado absorvente.
7. A história, é sólida, sem pontas soltas, credível e ritmada e segue a estrutura normal deste western e alguns dos seus clichés – a vingança de um índio invejoso do prestígio de Águia da Noite, ataques a ranchos, militares corruptos ávidos de sangue, glória e dinheiro, a prisão de Tex sob falsa acusação, a amizade insuperável entre os protagonistas, diversos confrontos directos ou tiroteios, perseguições a cavalo, um longo e disputado duelo à faca…
8. … embora revele também algumas nuances que marcam a diferença.
9. Desde logo, o toque fantástico dado pela visão inicial (o presságio que o título refere) embora a sua concretização se revele demasiado cedo.
10. Depois, pelo (quase) envolvimento romântico de Tex com a bela viúva Alison (que completa o luto muito rapidamente, convenhamos…), o que levou muitos “texianos empedernidos” a suspirar por uma segunda senhora Willer.
11. Também, porque a sua extensão permitiu aprofundar o carácter das personagens secundárias, prolongar as cenas mais importantes, deixar respirar a narrativa quando era necessário, dando maior consistência ao todo e um outro fôlego à obra.
12. Escrito isto, volto à minha “guerra antiga” com a Mythos: este seria outros dos volumes a merecer uma edição em formato maior…
13. Sei que o mercado brasileiro recusou – por exemplo – a reedição em formato italiano do Almanaque Tex – mas os mercados também se educam…
14. Para além disso, as características de uma e outra edição são bem diferentes e a presença de Civitelli em São Paulo, quando esta foi lançada, poder-lhe-ia ter dado o impulso necessário…
15. Porque, graficamente – e a comparação das suas pranchas com as publicadas em O Oeste Segundo Civitelli prova-o – o traço do italiano merecia outro formato, maior, para poder ser melhor apreciado
16. Por algumas (poucas) liberdades em termos de planificação, pelo jogo de luz e sombra, pelo pontilhado que define os volumes, pelo traço fino e delicado, pela excelente gestão de grandes planos e de perspectivas mais ousadas, pela expressividade dos rostos, pela dinâmica das cenas, pelo realismo dos cenários, urbanos ou selvagens, pela bela Alison…
(Texto publicado originalmente em 18 de Maio de 2011, no Tex Willer Blog)
Claudio Nizzi (argumento)
Fabio Civitelli (argumento e desenho)
Mythos (Brasil, Outubro de 2010)
135x175 mm, 336 p., pb, brochado, 10 €
1. A cronologia não o revela mas a verdade é que uma vez concluída a leitura de O Oeste Segundo Civitelli, a vontade de ler algo desenhado por aquele autor foi irresistível.
2. Na pilha de leituras por fazer estava este tomo inicial da colecção Tex Especial Civitelli, que correspondia aquele pressuposto.
3. Para além disso, tinha dois outros atractivos: permitia ler a versão integral integral de uma das bandas desenhadas exploradas naquele livro teórico…
4. … e tinha também Civitelli como co-autor do argumento.
5. Algo raro na casa Bonelli, o que fazia deste Tex um dos exemplos mais próximos de “BD de autor” na cronologia do ranger, talvez só comparável aos volumes que integram a colecção Tex Gigante - que, no entanto, o desenhador nunca escreve….
6. E, se Civitelli é há muitos anos o grande desenhador de Tex, mostra neste O Presságio que poderia ser também um bom argumentista das histórias do ranger, não fosse aquela actividade demasiado absorvente.
7. A história, é sólida, sem pontas soltas, credível e ritmada e segue a estrutura normal deste western e alguns dos seus clichés – a vingança de um índio invejoso do prestígio de Águia da Noite, ataques a ranchos, militares corruptos ávidos de sangue, glória e dinheiro, a prisão de Tex sob falsa acusação, a amizade insuperável entre os protagonistas, diversos confrontos directos ou tiroteios, perseguições a cavalo, um longo e disputado duelo à faca…
8. … embora revele também algumas nuances que marcam a diferença.
9. Desde logo, o toque fantástico dado pela visão inicial (o presságio que o título refere) embora a sua concretização se revele demasiado cedo.
10. Depois, pelo (quase) envolvimento romântico de Tex com a bela viúva Alison (que completa o luto muito rapidamente, convenhamos…), o que levou muitos “texianos empedernidos” a suspirar por uma segunda senhora Willer.
11. Também, porque a sua extensão permitiu aprofundar o carácter das personagens secundárias, prolongar as cenas mais importantes, deixar respirar a narrativa quando era necessário, dando maior consistência ao todo e um outro fôlego à obra.
12. Escrito isto, volto à minha “guerra antiga” com a Mythos: este seria outros dos volumes a merecer uma edição em formato maior…
13. Sei que o mercado brasileiro recusou – por exemplo – a reedição em formato italiano do Almanaque Tex – mas os mercados também se educam…
14. Para além disso, as características de uma e outra edição são bem diferentes e a presença de Civitelli em São Paulo, quando esta foi lançada, poder-lhe-ia ter dado o impulso necessário…
15. Porque, graficamente – e a comparação das suas pranchas com as publicadas em O Oeste Segundo Civitelli prova-o – o traço do italiano merecia outro formato, maior, para poder ser melhor apreciado
16. Por algumas (poucas) liberdades em termos de planificação, pelo jogo de luz e sombra, pelo pontilhado que define os volumes, pelo traço fino e delicado, pela excelente gestão de grandes planos e de perspectivas mais ousadas, pela expressividade dos rostos, pela dinâmica das cenas, pelo realismo dos cenários, urbanos ou selvagens, pela bela Alison…
(Texto publicado originalmente em 18 de Maio de 2011, no Tex Willer Blog)
05/04/2011
O oeste segundo Civitelli
Do renomado desenhista de Tex
Vários autores
Mythos Editora (Brasil, Outubro de 2010)
205 x 275 mm, 152 p., pb e cor, brochado com badanas, 17,50 €
Resumo
Dedicado a Tex e a Fabio Civitelli, possivelmente o mais conhecido e aclamado desenhador actual – há já mais de 25 anos! – do ranger, este livro, originalmente publicado em Itália pela livraria especializada Little Nemo, contém diversos textos daqueles que com ele trabalham – Sergio Bonelli, Claudio Nizzi -, uma longa e detalhada entrevista conduzida por Giuseppe Pollicelli, pranchas comentadas pelo autor, a apreciação de todas as histórias de Tex por diversas personalidades ligadas aos quadradinho italianos e pelo próprio Civitelli, um extenso portfolio e ainda a história “O Duelo”, escrita por Nizzi e desenhada e colorida por Civitelli.
Desenvolvimento
Ao longo dos anos que levo ligado à banda desenhada tive oportunidade de conhecer muitos autores. De descobrir alguns, de confirmar outros, de ser surpreendido por uns poucos.
Conheci autores nacionais e estrangeiros, simpáticos e insuportáveis, megalómanos e humildes. A alguns vi o êxito subir à cabeça, a outros admirei a forma como o sucesso não os afectou em nada.
Nalguns casos, tive o privilégio de conhecer nomes (que reconheci depois) grandes dos quadradinhos, que à partida não me motivavam especialmente. Maurício de Sousa, foi um deles. Fabio Civitelli foi outro.
A oportunidade de conhecer pessoalmente um e outro, permitiu-me descobrir criadores apaixonados pela sua linguagem – os quadradinhos –, pela sua arte – a combinação de escrita e desenho -, pelas suas personagens – a Turma da Mônica, no primeiro caso, Tex, no segundo.
Com ambos aprendi a (re)descobrir heróis que faziam parte das minhas leituras, a abordá-los e a vê-los sob prismas que até aí me escapavam.
Tudo isto surgiu-me com a leitura deste livro – deste belo livro – “O Oeste segundo Civitelli” - e na sequência do contacto pessoal com o desenhador italiano no Festival de Beja do ano passado, após troca (por intermédio do incansável José Carlos Francisco) de algumas perguntas e respostas.
Uma breve conversa e uma longa entrevista - ainda por transcrever, mea culpa – juntamente com a leitura mais recente deste livro, foram oportunidade de descobrir, de (re)conhecer um autor apaixonado pela sua obra. Um autor que faz dela arte, mesmo que alguns a (des)qualifiquem (tentando diminui-la) como popular. Um autor que, ao trabalhar em Tex, cumpriu um sonho de sempre e que continua a cumprir diariamente esse sonho.
Isso é por demais evidente nas páginas deste tomo, onde Civitelli narra, explica, detalha, aprofunda vinhetas, tiras, pranchas que ao longo dos anos teve o privilégio e o prazer - esse é por demais evidente nas suas palavras – de criar.
Explica opções gráficas e cénicas, detalha técnicas e materiais, conta pormenores, episódios, pequenas anedotas, transforma numa pequena (grande) aventura a (re)descoberta pelo leitor das pranchas que possivelmente já (re)leu. E deslumbra pelo realismo, o pormenor, a beleza, a qualidade das suas ilustrações.
Uma abordagem simples, apaixonada, emocionada e sentida de um criador à sua criação, abrindo-se, revelando-se - dando-se - ao leitor.
Confesso que depois de o ler, o Tex de Civitelli tem para mim outra dimensão…
A reter
- O belíssimo traço de Civitelli.
- A dimensão humana que perpassa todo o livro.
Menos conseguido
- Dadas as características do livro (tamanho, preço, tiragem curta) que na prática impossibilitam a sua distribuição em bancas, ele não estará à venda em Portugal. O que não tem que significar que os leitores portugueses que o desejarem não o possam adquirir. Fica o pedido à Mythos (ao José Carlos Francisco?) que indique como.
(Texto publicado originalmente no Tex Willer Blog, a 28 de Março de 2011)
Vários autores
Mythos Editora (Brasil, Outubro de 2010)
205 x 275 mm, 152 p., pb e cor, brochado com badanas, 17,50 €
Resumo
Dedicado a Tex e a Fabio Civitelli, possivelmente o mais conhecido e aclamado desenhador actual – há já mais de 25 anos! – do ranger, este livro, originalmente publicado em Itália pela livraria especializada Little Nemo, contém diversos textos daqueles que com ele trabalham – Sergio Bonelli, Claudio Nizzi -, uma longa e detalhada entrevista conduzida por Giuseppe Pollicelli, pranchas comentadas pelo autor, a apreciação de todas as histórias de Tex por diversas personalidades ligadas aos quadradinho italianos e pelo próprio Civitelli, um extenso portfolio e ainda a história “O Duelo”, escrita por Nizzi e desenhada e colorida por Civitelli.
Desenvolvimento
Ao longo dos anos que levo ligado à banda desenhada tive oportunidade de conhecer muitos autores. De descobrir alguns, de confirmar outros, de ser surpreendido por uns poucos.
Conheci autores nacionais e estrangeiros, simpáticos e insuportáveis, megalómanos e humildes. A alguns vi o êxito subir à cabeça, a outros admirei a forma como o sucesso não os afectou em nada.
Nalguns casos, tive o privilégio de conhecer nomes (que reconheci depois) grandes dos quadradinhos, que à partida não me motivavam especialmente. Maurício de Sousa, foi um deles. Fabio Civitelli foi outro.
A oportunidade de conhecer pessoalmente um e outro, permitiu-me descobrir criadores apaixonados pela sua linguagem – os quadradinhos –, pela sua arte – a combinação de escrita e desenho -, pelas suas personagens – a Turma da Mônica, no primeiro caso, Tex, no segundo.
Com ambos aprendi a (re)descobrir heróis que faziam parte das minhas leituras, a abordá-los e a vê-los sob prismas que até aí me escapavam.
Tudo isto surgiu-me com a leitura deste livro – deste belo livro – “O Oeste segundo Civitelli” - e na sequência do contacto pessoal com o desenhador italiano no Festival de Beja do ano passado, após troca (por intermédio do incansável José Carlos Francisco) de algumas perguntas e respostas.
Uma breve conversa e uma longa entrevista - ainda por transcrever, mea culpa – juntamente com a leitura mais recente deste livro, foram oportunidade de descobrir, de (re)conhecer um autor apaixonado pela sua obra. Um autor que faz dela arte, mesmo que alguns a (des)qualifiquem (tentando diminui-la) como popular. Um autor que, ao trabalhar em Tex, cumpriu um sonho de sempre e que continua a cumprir diariamente esse sonho.
Isso é por demais evidente nas páginas deste tomo, onde Civitelli narra, explica, detalha, aprofunda vinhetas, tiras, pranchas que ao longo dos anos teve o privilégio e o prazer - esse é por demais evidente nas suas palavras – de criar.
Explica opções gráficas e cénicas, detalha técnicas e materiais, conta pormenores, episódios, pequenas anedotas, transforma numa pequena (grande) aventura a (re)descoberta pelo leitor das pranchas que possivelmente já (re)leu. E deslumbra pelo realismo, o pormenor, a beleza, a qualidade das suas ilustrações.
Uma abordagem simples, apaixonada, emocionada e sentida de um criador à sua criação, abrindo-se, revelando-se - dando-se - ao leitor.
Confesso que depois de o ler, o Tex de Civitelli tem para mim outra dimensão…
A reter
- O belíssimo traço de Civitelli.
- A dimensão humana que perpassa todo o livro.
Menos conseguido
- Dadas as características do livro (tamanho, preço, tiragem curta) que na prática impossibilitam a sua distribuição em bancas, ele não estará à venda em Portugal. O que não tem que significar que os leitores portugueses que o desejarem não o possam adquirir. Fica o pedido à Mythos (ao José Carlos Francisco?) que indique como.
(Texto publicado originalmente no Tex Willer Blog, a 28 de Março de 2011)
04/01/2011
Tex #487 – A Grande Sede e #488 - Jogos de Poder
Manfredi (argumento)Civitelli (desenho)
Mythos Editora (Brasil, Maio e Junho de 2010)
135x175 mm, 114 p., pb, brochado, mensal
A principal nota deste Tex, é o facto de ter juntado um bom argumentista, um bom desenhador e um herói clássico. O que à partida não é – nunca foi, nunca será - garantia de uma boa BD.
Por um lado, temos o argumentista, Gianfranco Manfredi, criador da saga de Mágico Vento, que usou para esta narrativa protagonizada por Tex uma sólida base histórica, invulgar nas histórias do ranger.
Por isso, como trama central desta aventura surge a disputa da água na zona de Phoenix, entre uma companhia gerida pelo pouco escrupuloso Lansdale e os agricultores locais, brancos, índios e mexicanos (ou seja, o inevitável choque entre a tradição e o progresso fomentado pela cupidez, com algum racismo e preconceito à mistura). E, para além disso, humaniza de alguma forma o protagonista, que surge aqui mais astuto (veja-se, o estratagema final para devolver a água aos agricultores) e menos dependente dos seus punhos e da sua capacidade de atirador, tornando mais credível a história, sem no entanto descaracterizar o herói.

Por outro lado, o artista escolhido, Fabio Civitelli, sem dúvida o “grande desenhador” de Tex dos últimos anos, apresenta mais uma história trabalhada de forma superior, com o seu traço fino e detalhado, o recurso a sombras, tramas e pontilhados, uma planificação diversificada, com a utilização de diferentes pontos de vista, rostos expressivos e a soberba representação dos cavalos, o que origina algumas cenas antológicas, com destaque para a emboscada organizada por Lansdale (Tex #488, pp. 54-80).
No caso presente, no final da leitura de mais um western bem delineado e definido, se não estamos face a uma obra-prima e se ambos os autores – e também Tex – já foram mais felizes, a verdade é que o saldo é positivo e o leitor tem motivos suficientes para se sentir satisfeito. Embora seja verdade que as premissas iniciais permitiam aspirar a mais.(Texto publicado originalmente a no Tex Willer Blog)
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