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17/05/2019

Creepshow

Surpresa...aterrorizadora!






Começa a ser difícil contabilizar as edições capazes de surpreender quem segue a edição de banda desenhada em Portugal.
Que é como quem diz, igualmente sob um prisma interessante, neste momento é (quase) impossível garantir que esta ou aquela obra não terá edição em português.


Contexto
Originalmente, Creepshow, foi um filme de terror de 1982, dirigido por George A. Romero, a partir de uma série de cinco contos de Stephen King, três dos quais escritos propositadamente para a película. Em que, diga-se a título de curiosidade, participaram, entre outros, Leslie Nielsen e Ted Danson.
Creepshow deu origem nesse mesmo ano a uma revista de número único com o mesmo título, com os cinco contos adaptados pelo mestre da BD de terror, Bernie Wrightson.

Desenvolvimento
Homenagem às revistas de terror dos anos 1950, como a Creepy, a Erie ou Tales from the Cript, Creepshow herdou delas o ritmo e a forma narrativa, num equilíbrio entre o que é exposto e o que é deixado subentendido, com o terror puro associado a seres grotescos, mortos-vivos ou monstros, a caminhar a par com as questões subliminares.
Graficamente, não sendo um dos trabalhos de referência de Wrightson, apetece dizer que ele nunca desenhou mal e Creepshow ostenta as qualidades que o distinguiram neste género específico: um bom domínio da anatomia humana, a expressividade dos rostos e da postura corporal, seres suficientemente grotescos e assustadores para cumprirem a sua função na época e ainda serem, pelo menos, incómodos hoje em dia, e um bom domínio da planificação, que combina uma divisão mais tradicional da página com vinhetas de grande dimensão.
Os contos de Stephen King, mestre também no domínio literário de terror, têm como ponto de partida situações banais - uma reunião de falia, um adultério, a saturação do casamento… - e sentimentos bem comuns e humanos - desejos de riqueza, vingança, medos escondidos, curiosidade, atracção pelo desconhecido. E que são abordados de forma clássica, com momentos dramáticos e de tensão elevada, suspense q.b., desfechos nem sempre prováveis e com algum humor negro.

A reter
- A publicação - inesperada - de um clássico em português.
- A diversificação editorial da Planeta na área da banda desenhada.
- A homenagem a títulos marcantes dos anos 1950, que o malfadado Comics Code Authority fez desaparecer.
- A inclusão de um prefácio e de um posfácio que ajudam a situar a obra no seu contexto original.
- A aparição de um parente (!) distante de Swamp Thing, criado uma década antes por Bernie Wrightson e Len Wein, num dos contos.

Menos conseguido
- As edições da Planeta têm tido desde sempre alguns problemas com as traduções, mas nesta edição agravam-se. Traduções lineares e frases em que verbo e sujeito não têm concordância, são alguns exemplos, particularmente graves no prefácio.

Creepshow
Adaptação do filme homónimo de George R. Romero
Stephen King (guião)
Bernie Wrightson (desenho)
Planeta
Portugal, Maio de 2019
205 x 280 mm, 72 p., cor, capa dura
20,00

(imagens disponibilizadas pela editora; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão)

2 comentários:

  1. Pedro, comprei no Sábado e aproveitei para ler metade e depois ver o filme e ler a outra metade.

    Que bela experiência.

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  2. Pois as edições da Planeta, eu que até comprei todas a edições do Darth Vader pelo Gillen e o Larroca para as despachar logo a seguir e ir buscar as edições em inglês.

    Tinham tudo para resultar, bom papel, bom design, boas cores, capa dura mas traduções manhosas.

    Estou a ver que continua a ser assim.

    ResponderEliminar

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