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05/04/2019

Batman: Black & White

A cada um o seu




Datada de 1996 esta é, possivelmente, uma das mini-séries ‘alternativas’ mais famosas dentro do universo de comics dos super-heróis. Não só por ser a preto e branco - e que pretos e que brancos! - num género que geralmente nos é servido a cores, nem por ter como protagonista único o Batman - então como agora uma das marcas mais fortes daquele género - mas também pela invulgar qualidade - e diversidade - dos autores envolvidos - bem como das suas prestações.
Evidentemente, numa compilação deste género, em que não existe um todo resultante da soma de partes que funcionam individualmente mas em que cada prestação vale por si só, o leitor tem um peso fundamental na sua valorização, em função das expectativas de que parte e da sua capacidade de ‘ler’ aquelas que se desviam dos seus padrões.
Algumas abordagens podem desiludir, como a tradicionalista visão de Liberatore; outras adoptar um tom classicista, como aquela que junta Archie Godwin (há personagem que ele não tenha escrito…?) e Gary Gianni, um dos desenhadores que trabalhou em Príncipe Valente, após o abandono de Hal Foster, para referir uma série hoje em destaque.
Outras, pelo contrário seduzem e inspiram. Entre aqueles para quem os comics são criação do dia a dia, saliência para Bruce Timm, cujo grafismo agradável e ligeiro que conhecemos das suas (celebradas) versões animadas, surge em grande contraste com a temática adulta relatada; para Bill Sienckwicz com uma história sobre responsabilidade parental, servida pelo seu grafismo personalizado em alto contraste com o estilo cartoon que adoptou para parte das personagens; o desenho soberbo de Brian Bolland na narração da morte do Batman; o traço anguloso num preto e branco contrastante de Brian Steelfreeze, que dá corpo a um argumento de Dennis O’Neil que faz um interessante paralelismo entre um atentado sofrido pelo Batman, com o assalto que lhe vitimou os pais e - de certa forma - a parábola bíblica do bom samaritano; ou ainda a prestação
 de Katsuhiro Otomo, em que consegue colocar Batman se não no universo, pelo menos no grafismo e no espírito de Akira.
Mas, acima de tudo, uma antologia deste género serve para ver como autores consagrados noutros estilos e temáticos revisitam uma personagem icónica dos super-heróis. Dois exemplos que me tocaram: Matt Wagner cola-o ao Fantasma (The Phamtom), e, de forma sublime, para quem Archie Goodwin escreveu uma história quase sem Batman (!), terna e nostálgica, ao som de uma melancólica balada de jazz, à medida do traço único do grande José Muñoz.
É evidente que noutro momento, noutra leitura, as escolhas deste volume - possivelmente o mais interessante desta colecção - poderiam ser outras. A sensação que fica é que o resultado é tanto melhor quanto os autores, em lugar de fazerem uma história do Batman, fizeram a sua história do seu Batman.

Batman: Black & White
Os melhores contos noir
Volume 7 da colecção Batman 80 anos
Vários autores (argumento e desenho)
Levoir/Público
Portugal, 4 de Abril de 2019
170 x 257 mm, 200 p., cor, capa dura
11,90 €

(imagens disponibilizadas pela editora; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão)

4 comentários:

  1. Boa colectânea.12€ bem investidos.

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  2. https://www.youtube.com/watch?v=v02YZDpXie4

    É giro ver como o texto, falado está fantástico. É mesmo NOIR.

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  3. Comprei esta série, originalmente, em fascículos em 1996 e é, sem dúvida uma das melhores reinterpretações do personagem por autores de topo, alguns dos quais nunca editados por cá (Ted McKeever, Bruce Timm, Kent Williams....). Mesmo para quem não aprecia o género (super-heróis) é um investimento que se recomenda...

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