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05/11/2018

Prémios Nacionais de BD: Nomeados, vencedores e algumas considerações…




O Amadora BD revelou no passado sábado os vencedores dos Prémios Nacionais de BD 2018. Os nomeados tenham sido anunciados a menos de 24 horas da sessão de divulgação e entrega de prémios….
Costumo dizer - já o escrevi várias vezes - que os prémios têm o valor que cada um lhes queira dar, mas, quando é a própria organização que os desvaloriza, algo está (muito) errado.
Sejamos claros: a intenção dos Prémios Nacionais de Banda Desenhada, há mais de duas décadas criados e promovidos pelo Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora - agora Amadora BD - era promover e divulgar a banda desenhada, em especial aquela que é feita e editada em Portugal.
Durante anos, existia um júri alargado de pré-selecção das obras, as pessoas - autores, editores, jornalistas, divulgadores… - ligadas à BD, que constavam da base de dados do festival. Depois, numa segunda fase, os nomeados assim definidos eram votados por esse mesmo júri alargado ou, mais recentemente, por um júri definido pelo festival.
Há alguns anos, a pré-selecção passou a ser feita pelo mesmo júri que vota os vencedores.
Dentro do espírito de promoção e divulgação, os nomeados eram conhecidos e divulgados antes da abertura do festival, de forma a esses livros estarem devidamente assinalados na feira do livro do evento e poderem chamar a atenção dos visitantes. Eram também alvo de uma exposição no ano seguinte, que voltava a destacá-los junto do público.
O problema é que, em anos recentes, segundo todas as evidências disponíveis, o festival subverteu a sua própria lógica: os prémios deixaram de ser atribuídos pelo mérito das obras em si, recaindo a escolha naqueles que dava mais jeito expor, nomeadamente os autores sem exposições recentes no Amadora BD. Ou seja, não se expunham os premiados, premiava-se para se expor… Por isso, em anos recentes, obras largamente consensuais em termos de qualidade e relevância, foram ignoradas em função de outras cujos autores ‘dava jeito’ escolher - o que não implica um julgamento de valor da minha parte em relação a estes últimos.

Mais, olhando para os nomeados - mais uma vez sem estar a fazer juízos de valor - ressalta o absurdo de histórias curtas concorrerem a Melhor Desenho ou Melhor Argumento, quando deveriam ter categorias próprias se o Amadora BD julga relevante distingui-las - e nesta altura ninguém percebe o que é relevante no e para o festival…

Uma nota ainda para a variação do número de nomeados de categoria para categoria, dependente da quantidade e da qualidade global de edições, o que parece significar uma incapacidade do júri seleccionar os que, aos seus olhos, são realmente melhores, seja qual for o critério de selecção seguido…

Se toda esta salgalhada - o termo parece bem indicado neste contexto - punha em questão a estrutura dos prémios, a divulgação (?) que (não) teve lugar este ano, limitada e muito tardia, quer dos nomeados, quer - mais ainda - dos premiados, coloca em causa tudo aquilo que os Prémios Nacionais de Banda Desenhada deveriam significar e representar.

Sem mais considerações, vincando mais uma vez que o atrás escrito não pretende colocar em causa a qualidade das obras - cujo escrutínio vai sendo feito regularmente aqui no blog através de textos próprios - vamos então à lista de nomeados, onde estão assinalados os vencedores de cada categoria.

PNBD - Melhor Álbum Português

de Filipe Melo e Juan Cavia, Tinta da China
Dragomante”, de Filipe Faria e Manuel Morgado, Comic-Heart + G.Floy
Nem Todos os Cactos Têm Picos”, de Mosi, Polvo
Os Regressos”, de Pedro Moura e Marta Teives, Polvo
Santa Camarão”, de Xavier Almeida, Chili com Carne
Silêncio”, AA VV, The Lisbon Studio + G.Floy + Comic Heart

PNBD - Melhor Argumento para Álbum Português

Filipe Duarte Pina
“Monstros” do álbum “Silêncio”The Lisbon Studio + G.Floy + Comic Heart
Filipe Faria, “Dragomante”, Comic Heart + G.Floy
Filipe Melo, “Comer e Beber”, Tinta da China
Pedro Moura, “Os Regressos”, Polvo
Xavier Almeida, “Santa Camarão”, Chili com Carne


PNBD - Melhor Desenho para Álbum Português

Fábio Veras, “Jardim dos Espectros”, Escorpião Azul
Marta Teives
“Os Regressos”, Polvo
Mosi, “Nem Todos os Cactos Têm Picos”, Polvo
Ricardo Cabral, “Ritual” do álbum “Silêncio”, The Lisbon Studio + G.Floy + Comic
Tiago Baptista, “Berlim, Cidade sem Sombras”, Chili com Carne
Xavier Almeida, “Santa Camarão”, Chili com Carne


PNBD - Melhor Autor Português
em Álbum Original de Língua Estrangeira

André Lima Araújo, “Black Panther: Long Live the King” ou “Ben Reilly Scarlet Spider”, Marvel
Jorge Coelho
“Robocop: Citizens Arrest”, Boom Studios
Manuel Morgado, “Les Arcanes de la Lune Noire:Greldinard”, Lombard
Miguel Mendonça, “Detective Comics” ou “Justice League of America”, DC Comics


PNBD - Melhor Álbum de Autor Estrangeiro

Afirma Pereira”, de Pierre-Henry Gomont, G. Floy
Cinco Mil Quilómetros”, de Manuele Fior, Devir
Malditos Amigos”, André Diniz, Polvo
O Árabe do Futuro 3. Ser Jovem no Médio-Oriente (1985-87)”, de Riad Sattouf, Teorema
O Diário de Anne Frank”, de Ari Folman e David Polonsky, Porto Editora
Os Trilhos do Acaso”, de Paco Roca, Levoir
Saga”, de Bryan K Vaughan, G. Floy
Uma Irmã”
de Bastien Vivès, Levoir


PNBD - Melhor Álbum de Tiras Humorísticas

A Entediante Vida de Morte Crens”, de Gustavo Borges, Bicho Carpinteiro
Bartoon 25 Anos”
Luís Afonso, Arranha-Céus + Público
Bateria Fraca”, de Rick Kirkman & Jerry Scott, Bizâncio
Maria - A Maior das Subversões”, de Henrique Magalhães, Polvo


PNBD - Prémio BDs Clássicas da 9ª Arte
(edição original há mais de 10 anos)

Aqui Mesmo”, de Forest e Tardi, Levoir
Do Inferno”, de Alan Moore e Eddie Campbell, Devir
Espião Acácio”, de Fernando Relvas, Mundo Fantasma + Turbina
Nonnonba”
de Shigeru Mizuki, Devir
The Ghost in the Shell”, de Shirow Masamune, JBC Portugal
Torpedo 1936”, de Enrique Sánchez Abulí e Jori Nernet, Levoir


PNBD - Melhor Ilustrador Português

André Letria, “A Guerra”, Pato Lógico
António Jorge Gonçalves, “Estás Tão Crescida”, Pato Lógico
Carolina Celas, “Horizonte”, Orfeu Negro
João Fazenda, “A Nuvem”, Pato Lógico
Madalena Matoso, “Eu Sou Eu Sei”, Planeta Tangerina
Susa Monteiro
“Sonho”, Pato Lógico
Tiago Galo, “A Revolução” Alfaguara


PNBD - Destaque do Júri para Clássicos da Ilustração
Kjelle Ringi
“O Estranho” de 1968, Bruaá

Ezra Jack Keats
“Um Dia de Neve” de 1962, Orfeu Negro


PNBD - Melhor Ilustrador Estrangeiro

Annie Bosenberg, “A Meia Perdida”, Bruáa
Barnett Klassen, “Quadrado”, Orfeu Negro
Benjamin Lacombe, “Frida”, Kalandraka
Francesca Sanna, “A Viagem”, 20|20 Fábula
Marjplaine Leray
“Um Capuchinho Vermelho”, Orfeu Negro
Noemi Volla, “Fim? Isto Não Acaba Assim”, Planeta Tangerina
Pierre Pratt, “Boa Noite!”, Orfeu Negro


PNBD - Melhor Fanzine

Eros 11”
editado por Geraldes Lino, Eros
Improvized Zine 1.5”, editado por Marcos Farrajota, Chili com Carne
Pentângulo #1”, Editado por Jorge Nesbitt e Marcos Farrajota, Ar.Co e Chili com Carne
H-Alt, editado por Sérgio Santos, H-Alt

Júri:
NELSON DONA, director do AmadoraBD - Festival Internacional de Banda Desenhada e em representação da Senhora Presidente da Câmara Municipal da Amadora.
ÁLVARO SANTOS, autor de banda desenhada premiado AmadoraBD 2017.
ANTÓNIO DÂMASO AFONSO, na qualidade de jornalista e desenhador.
JOSÉ PEDRO CASTELLO BRANCO na qualidade de colecionador de BD.
SÍLVIA BORGES SILVA, comissária da exposição do ano editorial e jornalista especializada em literatura e ilustração.

(imagens fornecidas pela organização; clicar nos textos a cor diferente para saber mais sobre as obras distinguidas, quando disponível)

1 comentário:

  1. O(agora) Amadora BD necessita de uma completa resolução.
    Luís Campos

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