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17/05/2018

Tex: A pista dos fora-da-lei


O(s) verdadeiro(s) Tex




O subtítulo acima - por muito estranho que possa soar em relação a uma personagem com 70 anos de existência ininterrupta e que tem sabido actualizar-se e manter-se moderno - tem uma dupla explicação.
A primeira, mais simples: é um piscar de olho ao texto sobre A Lenda de Tex, que inaugurou esta colecção Bonelli Levoir/Público que resumi como 'O Outro Tex', uma vez que as duas histórias deste modelo estão mais próximas daquele que se poderá considerar o seu 'padrão' - o que mais uma vez pode soar estranho em relação a uma personagem com 70 anos de existência ininterrupta e que tem sabido actualizar-se e manter-se moderno...
A segunda, mais complexa, diz respeito à disparidade - complementar? - de conceitos que os dois argumentistas deste volume - Mauro Boselli e Claudio Nizzi - aplica(ra)m ao ranger. Não quero repetir aqui o que Mário João Marques tão bem escreveu na sua conseguida introdução a este volume - que aconselho a ler atentamente, pelo atrás exposto e pela espreitadela à forma de trabalhar da Sergio Bonelli Editore - por isso vou abordar apenas as histórias em si, apesar dessas diferenças, exemplos mais prementes do que Tex realmente é e do que ele representa.
Porque apesar das diferenças, é o mesmo Tex que as protagoniza. Um Tex inflexível, determinado, violento quando necessário, solidário e capaz de confiar nos seus parceiros quando as situações a isso obrigam. O Tex que tem fãs determinados por todo o mundo, o Tex que se mantém vivo nas bancas - e agora também livrarias - italianas há décadas.
E porque, apesar dessas diferenças, ambas são exemplos de um western moderno, embora de pendor clássico; um western puro e duro, apesar das variações, nomeadamente o trabalho quase de detective dos dois rangers em O Assassino de índios. Um western com tudo para agradar aos apreciadores do género, mas também capaz de seduzir outros leitores que gostam de uma banda desenhada de aventuras bem escrita e desenhada.
Porque, mais uma vez nesta colecção Bonelli, o trabalho gráfico dos desenhadores merece ser destacado. A inciar-se em Tex, Venturi - que já vimos no magnífico Dylan Dog: A Saga de Johnny Freak - apesar de aqui e ali revelar alguma rigidez e de o sentirmos preso a modelos, revela também as qualidades que fazem dele, hoje, um dos grandes desenhadores de Tex.
Mas é Carlos Gomez quem mais brilha, com um traço deslumbrante, mais sujo e impreciso, mas também de volumes mais definidos e mais pormenorizado. E não posso terminar, sem chamar a atenção para a longa sequência inicial de A pista dos fora-da-lei, que decorre toda ela sob uma forte tempestade e a forma Gomez a aproveita, tirando partido da chuva e da iluminação dos relâmpagos para orquestrar um magnífico jogo de luz e sombras.

P.S. - De regresso da Anadia, da 5.ª Mostra do Clube Tex, alguém (exterior à BD), a quem mostrava os autógrafos que de lá trouxe, ao ver um dos Tex em formatinho da Mythos, disse-me: “Não sei como lês essas coisas...!”
Em resposta - a ele, a todos aqueles que torcem o nariz (com uma certa razão) a esse tipo de edição - mostrei-lhe os três primeiros tomos desta colecção Bonelli Levoir/Público, cuja qualidade ele admirou, tendo de seguida ficado surpreendido quando lhe expliquei que a origem das histórias era a mesma, mas tinham uma 'embalagem' diferente. Sim, sem dúvida, o tamanho importa!


Tex
Colecção Bonelli #6

A pista dos fora-da-lei
Mauro Boselli (argumento)
Carlos Gomez (desenho)

O Assassino de Índios
Claudio Nizzi (argumento)
Andrea Venturi (desenho)

Levoir/Público
Portugal, 17 de Maio de 2017
190 x 260 mm, 216 p., pb, capa dura
10,90 €

(imagens disponibilizadas pela editora; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão)

2 comentários:

  1. Caro Pedro ,leio a Bonelli da mythos há 20 anos, no formatinho, e vou continuar.
    O que releva é a qualidade do conteúdo.
    Cumprimentos.
    P.s. Comentários de quem não lê bd?...

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  2. Gostaria de acrescentar que também estou a adquirir a coleção da levoir.
    O conteúdo é bom.

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