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16/05/2018

Conan, le cimérien

 
Uma questão de relação?
A retoma de séries/personagens de sucesso, mais do que uma moda, é - idealmente será, para as editoras - uma aposta de sucesso (quase) garantido e, mesmo que se tente, é praticamente impossível contorná-las - evitá-las...
A Mickey, à Turma da Mônica, às personagens Hanna-Barbera, a Ric Hochet, Clorophylle e um enorme etc. junta-se agora, também, Conan, o cimério, num projecto da francófona Glénat, sob o beneplácito da Marvel.
A forma como olhamos para estes regressos, como os apreciamos ou não, depende muito, não tenho dúvidas, da relação que estabelecemos com eles. Com os originais. Para além, obviamente, da inspiração que os autores mostrarem nessas retomas.
No meu caso, descobri Conan no Mundo de Aventuras. O Conan de Roy Thomas e Barry Smith. Violento, amoral, impiedoso, protagonista de histórias com seres fantásticos e mulheres (muito) sensuais. Deslocado numa revista que privilegiava os clássicos americanos, mas a fazer todo o sentido nessa mesma revista que exibia uma ecletismo a toda a prova.
Os reencontros, pontuais, espaçados, foram-se sucedendo e na minha mente ficaram algumas imagens fortes. Reencontrei-as - com muitas mais - na colecção da Salvat, quando da sua edição espanhola, a mesma que se publica agora no Brasil e que muitos gostariam de ver em português.
Agora - depois do sucesso, de crítica e de público, de Mickey Mouse vu par... - a Glénat tenta emulá-lo a partir do herói imaginado por Robert E. Howard. Logo à partida, com um pressuposto errado. Enquanto que Mickey foi recriado por grandes nomes da BD francófoba - Cosey, Trondheim, Loisel - de quem era difícil esperar más prestações e que tinham mais a perder do que a ganhar com o desafio, Conan, neste seu arranque com Le Colosse Noir e La Reine de la Côte Noire, foi entregue a autores de menor nomeada. Para quem a oportunidade se apresenta mais como um trampolim um trampolim.
Por isso - também por isso - arranca mal, logo à partida. O grafismo agreste e duro que eu recordo, é aqui substituído por traços indiferenciados, muitas vezes hesitantes, aqui e ali desproporcionados. Razoável o de Alary, em grande parte devido ao dinamismo que lhe imprimiu, em La Reine de la Côte Noire, difícil de suportar o de Toulhoat, em Le Colosse Noir, com um Conan sem expressividade e até simiesco, agravado por uma legendagem sofrível.
O parceiro de aventura deste último, Vincent Brugeas, também não brilha, com uma série de lugares comuns da personagem alinhavados sem inspiração a par de situações improváveis. Já a história desenvolvida por Jean-David Morvan - naturalmente... - integra-se perfeitamente no cânone de Conan e - com o grafismo (mais) apropriado - passaria perfeitamente por uma narrativa clássica, com as doses certas de aventura, acção, suspense, exotismo e tragédia.

La Reine de la Côte Noire
Jean-David Morvan (argumento)
Pierre Alary (desenho)

Le Colosse Noir
Vincent Brugeas (argumento)
Ronan Toulhoat (desenho)

Glénat
França, 2 de Maio de 2018
240 x 320 mm, 64/72 p., cor, capa dura
EAN/ISBN: 9782344011966 / 9782344012475
14,95 €

(imagens disponibilizadas pela editora; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão)

13 comentários:

  1. sinceramente, meu rico(salvo seja) Roy Thomas e John Buscema.

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  2. Pelo pouco que vi,em termos de arte,também me parece que as saudosas edições da Espada selvagem do Thomas,Buscema,Alcala e companhia,são bem melhores.

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  3. E só é pena essa colecção(de que refere)da Salvat, não vir cá para Portugal. Obviamente não tenho dados para afirmar com 100% de certeza,mas acho que se venderia bem por cá. Lembro-me do tempo da Espada Selvagem da Abril e que tinha bastante saída,nessa altura. Velhos tempos!

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  4. Pedro: neste momento, o que aconteceu é que fora dos EUA e pontualmente de um ou outro mercado, as histórias do Robert E- Howard começaram a entrar no domínio público, ou seja, preparemo-nos para uma enxurrada de Conans. Em Itália também se anuncia uma série (cuja arte parece bastante boa, aliás), e a Marvel anuncia para 2019 o relançamento de uma nova série.

    Todos estes álbuns da Glénat são adaptações de contos do Howard, alguns dos quais até já têm mais do que uma adaptação em BD. No geral, e se nos abstrairmos de saudosismos ou de lembranças "romanticizadas" da nossa juventude, devemos admitir que embora o desenho dos grandes clássicos seja muito bom, em termos de planeamento e de adaptação literária, deixavam muito a desejar (na minha opinião, claro).

    Penso que a série melhor conseguida e mais homogeneamente boa é a da Dark Horse, com alguns dos melhores escritores de comics actuais a adaptarem as histórias. Kurt Busiek, Brian Wood, Timothy Truman, etc...

    O Brian Wood adaptou e a Becky Cloonan desenhou a mesma história que é referida acima, "A Rainha da Costa Negra" com resultados maravilhosos (e curiosamente mais ou menos no mesmo número de pranchas que a versão da Glénat, 3 comics, c. de 66 pgs de BD).

    http://inkandthunder.blogspot.pt/2012/01/queen-of-black-coast.html

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    1. Essa do Kurt Busiek era muito boa,mesmo. E a arte também.

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  5. Eu é mais pelos filmes dos anos 80 e do reboot recente e a serie animada:

    https://www.youtube.com/watch?v=HT3cl4GJIDs

    Com os Comics tentei um formatinho da Abril,uma mini da Devir,o inicio e da tal fase de Brian Wood e nenhuma me seduziu.

    https://http2.mlstatic.com/conan-o-salteador-dos-bosques-original-raro-devir-2000-D_NQ_NP_747201-MLB20302306564_052015-F.jpg

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  6. Eu o que me aconteceu foi que há pouco tempo (uns dois anos) reli uma série grande de Conans da fase da Marvel antiga (Thomas, Windsor-Smith, etc...) e embora continue a achar o desenho muito bom, pareceu-me meio datado e antiquado, e mesmo, às vezes maçudo. Acho que voltava a comprar uma colecção da Espada Selvagem, sobretudo se fosse editada num formato porreiro e que me apetecesse coleccionar. Mas o da Dark Horse parece-me mesmo muito melhor.

    Estou curioso de saber o que a Marvel vai fazer no ano que vem.

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  7. Esqueci este:http://1.bp.blogspot.com/_DSs2bX13hVc/S8E9MwsaqCI/AAAAAAAAB_8/yOCHJjQrrJc/s1600/conanwolverine.jpg usa

    https://http2.mlstatic.com/grandes-herois-marvel-39-wolverine-vs-conan-terracomics-D_NQ_NP_684467-MLB26429589628_112017-F.jpg Brasil/Portugal este foi bom.

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  8. Pedro, o Conan é domínio público na Europa, tanto que não precisam pagar a Conan Properties International, até anunciaram uma série na Itália.

    Now Glénat to Publish Conan Comics, as It’s All Public Domain in Europe

    Conan, o rei cimério, Robert E. Howard, Weird Book

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  9. Se não me engano a planeta de Agostino lançou uma coleção do conan, da antiga fase da Marvel, no mercado espanhol pouco depois da coleção star Wars. Na altura perguntei se iriam lançar essa coleção em português e a resposta foi negativa.

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  10. Jony, essa coleção foi testada no Brasil, a original foi pela Hachette, por isso saiu no Brasil pela Salvat:Afinal, A Espada Selvagem de Conan da Salvat terá 70, 75 ou 91 volumes?

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  11. Sobre a coleção lançada no Brasil não conheço, mas parece ser a mesma que a planeta de Agostino lançou. O título da coleção é mesmo ( la espada salvar de co am) e é constituida por 90 volumes.

    https://www.planetadeagostini.es/cultural/espada-salvaje-conan

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  12. " Mas o da Dark Horse parece-me mesmo muito melhor."

    Em Arte o inicio é brutal a nível de argumento do Busiek é maçante e secante,e o Wood por exemplo nao é tanto tenta ser mais agil.

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