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16/02/2018

Héléna


 
Gestor de emoções

Há muito, mais leitor de autores do que propriamente de séries ou heróis, nos últimos anos aprendi a seguir Jim, um argumentista que a partir de pretextos aparentemente banais e desinteressantes – um livro esquecido num banco de jardim, um telefonema para um morto, agora, uma antiga paixão juvenil avistada no dia do casamento – se tem revelado um hábil contador de histórias e um sólido gestor de emoções.

Disposto a tudo para – mais do que avistá-la ao longe – retomar o contacto com Héléna, paixão da adolescência nunca correspondida, Simon recebe uma herança que que lhe vai permitir contratar a jovem para encontros semanais de três horas – sem sexo – nos quais – está convencido – a persuadirá do seu amor e a ensinará a amá-lo também.
Narrativa intimista, que parte da obsessão (crescente) de Simon, Héléna revela um longo jogo de sedução, recheado de aproximações e recuos, de encontros, desencontros e reencontros, de longas conversas animadas e silêncios incómodos. O alargar (moderado) do leque de personagens, com a introdução de um(a) amigo(a) de cada, introduz diversas notas de reflexão e ajuda a compreender o estado íntimo dos protagonistas.
Com tudo isto, Jim – um autor que bem poderia figurar numa próxima colecção Novela Gráfica… - bem acompanhado pelo traço realista de cores vivas de Lounis Chabane, fundamental para traduzir em imagens a beleza de Héléna ou os cenários (nem sempre) de sonho em que a história decorre, revela a sua mestria quer na gestão das emoções, que se sucedem de forma serena mas contínua, quer nas sucessivas surpresas no rumo do relato, com que vai presenteando o leitor, suspenso do desfecho que, inevitavelmente, (não) será o esperado.

Héléna #1 e #2
Jim (argumento)
Lounis Chabane (desenho)
Grand Angle
França, 2014 e 2015
220x 298 mm, 69+74 p., cor, cartonado
16,90 €

(clicar nas imagens para as aproveitar em toda a sua extensão)

1 comentário:

  1. Sem duvida a seguir! Uma arte belissima, duma fluidez impressionante. A par do argumento é das boas surpresas que descobri o ano passado.

    Ricardo Amaro

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