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22/02/2018

Campeões #1


Reinventar






O percurso da Marvel - a editora que interessa para o caso - tem sido feito, de há uns bons anos a esta parte, baseado em constantes reinvenções - das personagens, das histórias, das temáticas…
Campeões é mais um caso. Mas que vale a pena espreitar.

A abrir, a constatação da aproximação do universo super-heróico à realidade, através de três aspectos dispares, mas complementares.
O primeiro, o reforçar dos sentimentos de cansaço e revolta dos ‘seres humanos normais’ para com os super-heróis, após (mais um)a Guerra Civil. Pela destruição causada e pelo receio recorrente de se tornarem danos colaterais…
Depois, pelo alargar desses sentimentos à própria comunidade de super-heróis, no caso aos seus representantes mais jovens - os mais inconformados, os mais imprevisíveis, os mais impulsivos, os mais idealistas... - Ms. Marvel, Homem-Aranha/Miles Morales, Nova, Viv (a filha do Visão), Hulk/Amadeus Cho e Ciclope (o também adolescente, preso na nossa época). Prolongando, no tom, no estilo e na lufada de ar fresco a boa impressão causada pelas histórias de Miles Morales, o Homem-Aranha Ultimate.
Finalmente, essa aproximação à realidade é fortalecida pelas ‘temáticas’ associadas aos casos que a nova equipa - os tais Campeões - vão enfrentar. Não “os vilões que nenhum herói consegue derrotar sozinho’, mas situações (globais) quotidianas: mineiros presos num aluimento, a repressão à emancipação da mulher por extremistas islâmicos, o racismo reinante numa pequena localidade norte-americana… Que, no seu conjunto, também aproximam estes Campeões do espírito original dos super-heróis que se ocupavam de pequenos bandidos e situações acidentais ou catastróficas.
Como extra - igualmente bem-conseguido - o tom leve e divertido predominante, tipicamente adolescente, em que se combinam sonhos e desejos pessoais, idealismo e desilusão, espontaneidade e naturalidade, a vontade de ser diferente e o medo de cair na vulgaridade (super-heróica), a pulsão sexual (ainda) latente e a competitividade própria da faixa etária, num conjunto a que o traço estilizado, esguio e com q.b. de influência manga de Humberto Ramos dá vida e dinâmica.

Campeões #1
Marvel Especial #5
Inclui Champions #1 a #5 (EUA, 2016)
Mark Waid (argumento)
Humberto Ramos (desenho)
Victor Olazaba (arte-final)
Goody
Portugal, Fevereiro de 2018
168 x 260 mm, 128 p., cor, capa mole
7,90 €

(imagens disponibilizadas pela editora; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão)

3 comentários:

  1. E com presença do Mark Waid na Comic Con. Isto se o caro Pedro já tiver recebido autorização para falar na Comic Con.

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  2. Divertido e mais bem conseguido que que pensava.

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