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13/10/2017

Serviço Secreto: Kingsman

Adaptações (II)





A adaptação de uma obra a outro suporte narrativo, para ser conseguida, implica -incontornavelmente - dois aspectos: fidelidade ao espírito do original e a sua adequação ao novo meio.
O Diário de Anne Frank (ontem) e Serviço Secreto: Kingsman (hoje) são dois exemplos recentes, embora díspares.
A situação de Kingsman é completamente diferente da de O Diário de Anne Frank. A obra nasceu em BD - nesta BD - e passou posteriormente ao cinema. A sua publicação agora, (bem) a propósito da estreia do segundo filme, implica que (grande?) parte dos leitores cheguem ao ‘original’ depois de conhecerem a ‘versão’.
Se as duas obras apresentam diferenças significativas no seu desenvolvimento e conclusão, é notório que passagem ao grande ecrã manteve o espírito e a ideia base do comic de Millar e Vaughn, que de alguma forma inova no relato de espionagem, não na base que introduz uma agência cujos homens trabalham na sombra para resolver situações que poderiam alterar o equilíbrio mundial e o mundo tal como o conhecemos, mas na forma como a desenvolve.
Na BD, o protagonista inicial é o ‘tio’ Jack, um super-agente com uma brilhante folha de serviços, secundado depois pelo seu sobrinho Eggsy, a quem Jack, com um misto de sentimento de culpa e de orgulho, vê de certa forma como seu sucessor apesar da sua vida de marginalidade e pequena delinquência.
Curiosamente, apesar de seguirem vias bastante díspares, ambas acabam por falhar no mesmo aspecto: o treino do segundo - cujos pormenores estarão guardados para uma eventual sequela? - mostrado apenas de forma pontual e com saltos temporais.
Quanto à situação central: o rapto de personalidades de diversas áreas para sobreviverem a uma extinção em massa que tem por objectivo diminuir drasticamente a população mundial para permitir a sua sobrevivência no médio/longo prazo, apresenta-se original e com uma série de situações interessantes e bem resolvidas, que fazem (de ambas as versões) boas narrativas de acção, com doses q.b. de humor e suspense, cada uma no seu meio específico.
A comparação entre a BD e o filme - e certamente as preferências serão divididas - pode ser um atractivo extra na abordagem a Kingsman: Serviço Secreto, com a certeza que ela só poderá ser feita conhecendo ambas.

Kingsman: Serviço Secreto
Reúne The Secret Service #1-#6
Mark Millar e Matthew Vaughn (argumento)
Dave Gibbons (desenho)
G. Floy
Portugal, Setembro de 2017
175 x 265 mm, 160 p., cor, capa dura
ISBN 978-84-16510-43-6
13,99 €

(clicar nas imagens para as aproveitar em toda a sua extensão)

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