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26/03/2017

X-Men: Sobredotados

O infindável recomeço



Marvel (e DC Comics) descobriram há (já uns bons) anos um filão inesgotável: recontar, uma e outra vez, o início dos seus (super-)heróis.
Porque há que actualizá-los. Porque um cataclismo varreu o seu universo. Porque a nova saga em perspectiva a tanto obriga. Porque é necessária uma edição mediática. Porque sim.
X-Men: Sobredotados, (re)distribuído na última quinta-feira com a revista Sábado e o jornal Record, é mais um exemplo. Bom.
Pelo menos para mim, não fã de super-heróis, com quem sempre mantive um distanciamento cauteloso…! Embora cada vez menos…
Sem grandes ligações ao passado – as poucas que há são esclarecidas na introdução da edição – este relato maraca mais um reinício da escola para alunos sobredotados, agora sob a direcção de Emma Frost, Scott Summers, Wolverine, Fera e Kitty Pride. Os inevitáveis choques entre eles e a ameaça da descoberta de uma ‘cura’ para o gene mutante, são o prato forte de uma narrativa bem escrita, com diálogos concisos e certeiros, com humor q.b., que a sustentam sempre na fronteira do realismo fantástico, o que a credibiliza.
O traço de John Cassaday, que depois de Capitão América: Uma nova era, assina o segundo volume consecutivo seguidos nesta colecção, é belíssimo, concentrado nas personagens em detrimento dos fundos, que no entanto são muito bem trabalhados em termos de cores – fortes e brilhantes em oposição aos cinzentos que imperavam no Capitão - o que ‘ofusca’ o seu esvaziamento voluntário. Assertivo, expressivo, dinâmico e realista, o desenho de Cassaday – bem mais ‘europeu’ do que ‘comic’, se é que isto se pode escrever – é mesmo um dos grandes trunfos para o sucesso de uma saga – mais uma – que mantém todo o interesse, uma década depois da sua publicação.

X-Men: Sobredotados
Joss Whedon (argumento)
John Cassaday (desenho)
Salvat/Sábado/Record
Portugal, 23 de Março de 2017
180 x 260 mm, 160 p., cor, cartonado
11,99 €

(clicar nas imagens para as aproveitar em toda a sua extensão)

8 comentários:

  1. Este fds acabei de ler o Ultimate Spider Man desta mesma coleção. É excatamente o que é referido neste texto. Um novo recomeço (ou uma revisitação ao "nascimento") do Homem Aranha.

    Com algumas variações à forma (e qual a sua origem) como a aranha pica o Peter Parker e (aqui já concordei menos) com a forma como o tio de Peter é morto, é uma forma interessante de contar o aparecimento do HA e também já agora, do Goblin.

    Não sei se é a mesma coisa com este volume, mas trazer e sobretudo aumentar e desenvolver o surgimento das personagens, é uma coisa boa.

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  2. Não se trata do mesmo porque a linha ultimate passa-se num mundo paralelo, onde a génese dos heróis marvel dá-se nos dias de hoje ao invés de nos anos 60.

    Este livro retrata um recomeço, mas faz parte do mundo principal da Marvel.

    Não sei se fui claro na minha explicação!

    Cumprimentos

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    1. Exacto, Bibs, são conceitos diferentes, embora na prática tenham depois pontos de contacto.
      Boas leituras!

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  3. O Ultimate Homem-Aranha conta a história do Aranha do início, como se fosse a sua origem mesmo. Já o caso de "Sobredotados" é diferente: a equipa de mutantes muda, mas alguns são os mesmos; mudam de localização e o ambiente é diferente, e as histórias recomeçam de maneira que o leitor mais casual não tenha de saber tudo o que se passou antes. Mas não "apaga" o que veio antes, a origem da equipa é a mesma, a história que eles viveram antes não desapareceu, etc... Simplesmente, começam sagas novas pela mão de um autor novo, que quer que leitores novos possam seguir o que se passa sem ter de se referir a muita coisa do passado.

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    1. Realmente, no livro (do HA - introdução e textos finais), não encontrei qualquer refererência a que o "Ultimate" fosse num universo paralelo. Só referências a trazer o aparecimento do HA nos tempos actuais.

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    2. Como assim? Nos extras finais existe até uma secção intitulada "Ultimate Homem-Aranha e O Universo Ultimate" que explica bem que o universo Ultimate era uma versão separada do universo Marvel normal. Só anos mais tarde é que o universo Ultimate foi transformado em "universo paralelo que existia ao mesmo tempo que o universo Marvel normal (tal como muitos outros universos Marvel)" pelas mãos de Jonathan Hickman e da sua saga dos Vingadores e trazido para o universo Marvel normal (na história final da saga de Hickman, a nova Secret Wars).

      Creio que o dossier final explica bem o que era a ideia do universo Ultimate: era para que leitores novos pudessem ler origens novas das suas personagens, como se tivessem ocorrido nos tempos modernos e não nos anos 60. Inicialmente, a ideia até era só criar mini-séries, mas com o sucesso da linha acabou por se tornar numa continuidade nova separada.

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    3. Li a introdução (raramente não leio, porque como não sou consumidor de comics, servem-me para me ambientar à "zona de telenovela" em que o heroi se encontra nesse livro), mas as páginas finais acredito que tenha lido "na diagonal" e não tenha reparado na/nas referência/s ao universo paralelo.

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    4. HAHAHAHA!! "Zona de telenovela" é uma descrição perfeita! Mas dê uma vista de olhos nos extras finais, recapitulam muita da história editorial da linha Ultimate. esta colecção vai incluir aliás outros volumes que relatam origens de personagens desse Universo: os Supremos (os Vingadores da linha Ultimate), os X-Men e outros.

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