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13/03/2017

All-Star Batman y Robin

Demência ou senilidade?
 

“Me vuelve loco con sus malditas preguntas…
Y ya estoy bastante loco como estoy.”

In All-Star Batman y Robin

Devo muito a Frank Miller. A entrada nos comics de super-heróis (com O Regresso do Cavaleiro das Trevas), o melhor Demolidor, Elektra, o inovador Ronin, Wolverine, o sensacional Sin City, 300… que o tornaram um autor de referência para mim.
Porque houve uma época em que tudo aquilo – qualquer super-herói, qualquer ser - que ele tocava virava uma obra altamente aconselhável.
Infelizmente, isso já foi há muito tempo, e nos últimos anos, Miller tem arrastado o seu nome pela ‘lama’ com obras penosas que parecem indiciar esgotamento criativo ou senilidade precoce.
All-Star Batman y Robin, publicada originalmente a partir de 2005, alimenta este paradigma.
Tentativa de justificar (?) na origem de Batman – recontada pela enésima vez – a violência visceral que o alimentava no já citado O Regresso do Cavaleiro das Trevas, a personagem surge aos olhos do leitor como alguém quase demente. Um autêntico psicopata que rapta (com alguns requintes de malvadez) o recém-órfão Dick Grayson, que será o futuro Robin, que massacra com violência qualquer fora-da-lei que lhe surge pela frente, que se envolve sexualmente com pretendentes a super-heroínas que encontra e que é capaz de (se) pintar (e a) uma casa, totalmente de amarelo, para enfrentar o Lanterna Verde/Hal Jordan cujo poder inveja/cujo carácter desdenha.
Na forma demencial – mas também desgarrada e à deriva – pela forma como aqui recria o universo DC, como se todos, de alguma forma, tivessem sido 'infectados por um vírus Joker', Miller serve-nos igualmente uma Liga da Justiça em desagregação, formada por patetas ou seres que se julgam acima dos outros pelos seus poderes, com relevo para a xenófoba Mulher Maravilha, enquanto a Canário Negro e a Batgirl são outras das (caricaturas de) super-heroínas num relato que se torna cada vez mais penoso à medida que vai avançando, sem verdadeiramente se definir.
Sobra o traço de Jim Lee, espetacular, aqui e ali mesmo irrealisticamente exagerado, como se exige no conceito ‘anos 90’ do género, repleto de grandes vinhetas e splash pages, expressivo e dinâmico, mas insuficiente para equilibrar a forma como Miller deixou a loucura escorrer… ou a senilidade falar.

All-Star Batman y Robin I e II
Volumes 1 e 3
Frank Miller (argumento)
Jim Lee (desenho)
ECC/Salvat
Espanha, Janeiro/Fevereiro de 2017
190 x 270 mm, 120/128 p., cor, capa dura
3,99 €/12,99 €

(clicar nas imagens para as aproveitar em toda a sua extensão)

5 comentários:

  1. Pois esse arco nao e fácil de assimilar.tem n momentos wtf!!??

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  2. Eu sei que pela opinião do Pedro esta edição é de fugir, mas ao ler a descrição só fiquei com vontade de ler, na minha cabeça passa a ser um must have!

    Filipe Simões

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    Respostas
    1. Filipe,
      Apesar de negativa, parece que a minha crítica conseguiu o objectivo do blog: levar as pessoas a ler!
      Boas leituras!

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    2. Este blog já me levou a ler muitas obras mas é a primeira vez que o faz a através de uma crítica negativa!

      Boas leituras,
      Filipe

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    3. Pelo menos assim, se não gostares, não me podes acusar de nada! ;)
      Boas leituras!

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