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25/11/2016

Casey Ruggles, volumen 2



Algumas das grandes séries de western em BD podem ser definidas por características específicas: a aventura a ritmo alucinantes em Blueberry, o tom humanista de Jerry Spring, o amor familiar e pela natureza em Buddy Longway, a justiça a todo o custo em Tex
Isto não acontece com Casey Ruggles, o que está longe de ser negativo.

Criação de Warren Tufts – também autor de Lance, que Manuel Caldas disponibilizou aos portugueses e, indirectamente, a muitos leitores por todo o mundo – Casey Ruggles apareceu em jornais norte-americanos entre 1949 e 1954, no duplo suporte de tira diária e prancha dominical.
Este segundo volume da sua edição integral, com a qualidade e dedicação inerentes ao trabalho editorial de Caldas na Libri Impressi, inicia-se com a tira de 9 de Janeiro de 1950 – quando as narrativas semanais e dominicais se tornaram independentes (após a convivência mostrada no volume 1) – e oferece-nos o ano quase todo, consubstanciado em 5 histórias completas, pormenor sempre do agrado dos potenciais leitores.
O primeiro facto a constatar da sua leitura, é a sua diversidade temática. Se Ruggles é sempre o protagonista, o apodo de ‘herói’ nem sempre surge à mente de quem lê, pois muitas vezes é mais um na narrativa do que propriamente o seu motor. (O que não invalida a atracção que sempre exerce sobre as muito belas e sensuais representantes do belo sexo, com que Tufts o vai cruzando.)
Se não há dúvida em classificá-lo como um western – e não unicamente pela época e local em que decorre – o tom dos relatos, apesar de fundamentalmente realista, pode variar entre o western mais tradicional e o policial, passando pela crítica social, pela denúncia do racismo e até do capitalismo. Isso proporciona a tal diversidade já apontada e também desfechos que frequentemente fogem ao controlo de Ruggles e se revelam surpreendentes para o leitor, ilustrando como a luta pela justiça tem tantas vezes um preço bastante alto, quando inocentes e culpados convivem muitas vezes de perto.
As personagens que constituem a galeria da série são geralmente bem definidas, revelando-se mais do que os estereótipos que supostamente representam e, por isso, assumem características bem humanas como a falibilidade, o arrependimento, a paixão, o desespero ou a teimosia.
Tal como as temáticas, os cenários das narrativas também variam, das tradicionais cidades até à natureza ainda virgem – que chega a assumir papel preponderante, a vários níveis no seu desenvolvimento – e o mesmo se pode escrever sobre o ritmo que também exibe variações que pontuam a acção e permitem ao leitor acompanhar as inflexões narrativas e a mudança dos estados de alma dos protagonistas.

  

Casey Ruggles: Volumen 2
Colecção Cómics de Prensa
Warren Tufts
Libri Impressi
Espanha, Outubro de 2016
305 x 230 mm, 96 p., pb, capa mole
18,50 €

(imagens disponibilizadas pelo editor; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão)

2 comentários:

  1. Embora eu pessoalmente lamente a "ida" de Manuel Caldas para Espanha, a minha carteira e o espaço em casa agradecem profundamente.

    Já não tenho tempo para ler tudo o que tenho, seja em português, francês e inglês. Pelo que assumo não adquirir em espanhol.

    Isto não invalida que fique satisfeito pela capacidade do Manuel Caldas em continuar a restaurar clássicos da BD.

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    Respostas
    1. Tenho lido muito e bom em espanhol, pc069... Como foi o caso deste Casey Ruggles!
      Ou, a outro nível, o soberbo integral do Torpedo 1936! (http://asleiturasdopedro.blogspot.pt/2016/10/torpedo-1936-integral.html)
      Boas leituras... em todas as línguas e dialectos!

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