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07/10/2016

Torpedo 1936 Integral







Conheci Enrique Sanchez Abulí no Salão Internacional de BD do Porto e Jordi Bernet no Festival International de la BD d’Angoulême.
Reencontrei-os, agora, por intermédio da personagem que os fez famosos nos anos 1980: Torpedo 1936, o implacável assassino a soldo.

Sórdido, amoral, violento, rancoroso, vendido a quem paga mais, são algumas das principais qualidades de Torpedo 1936, aliás Luca Torelli (Torelli, por parte da família, Luca por parte do… cão!), um emigrante italiano à procura do sonho americano, nos desgraçados anos de 1930.
Entre lutas de gangs, confrontos entre negros, irlandeses e italianos, o dealbar do cinema e da animação, mulheres belas, sensuais e disponíveis e as catastróficas consequências económicas da Grande Depressão, Torpedo tem que fazer pela vida, nem que isso passe por levar a morte a outros, por encomenda.
Assente em guiões concisos e certeiros de Sanchez Abulí, mestre no uso de trocadilhos e senhor de um humor imensamente negro, Torpedo começou por ser entregue graficamente a Alex Toth que desistiu da série por a julgar demasiado violenta. Ganharam os leitores pois o belo preto e branco do mestre americano era demasiado delicado para o negrume que os argumentos pediam e Bernet mostrou-se a (segunda) escolha ideal graças ao maior dinamismo que impôs às páginas e ao seu traço mais sujo e anguloso, mas igualmente genial no uso de contrastes.
Numa obra longa de mais de 700 páginas, divididas em histórias de 6 a 12 páginas – geralmente 8 – e com algumas longas (48 pranchas) pelo meio, para além do dia-a-dia do matador profissional, podemos (re)visitar a sua infância na Itália natal, bem como os primeiros e duros anos na Terra Prometida, que mostrou muito pouco sê-lo.
Acompanhado por Rascal, o seu pouco inteligente e raramente desenrascado lugar-tenente e sem inimigos recorrentes – eles acabam geralmente crivados de balas na cama onde exalaram as últimas vontades ou nalgum beco sombrio - Torpedo 1936 é uma daquelas obras clássicas, cuja leitura recorrente, mas em doses moderadas, se aconselha vivamente – pese a má escolha deste termo…
Em especial, num soberbo volume como este – já em 3.ª edição - que recolhe, por ordem cronológica, com novas digitalizações e redesenho dos títulos de algumas histórias, para se sobreporem o mínimo possível aos desenhos, todas as bandas desenhadas e contos ilustrados que Luca Torelli protagonizou, entre 1982 e 1995, em revistas (incluindo títulos próprios), álbum, jornal (suplemento cultural do El País!) e comic-book.

Torpedo 1936 em Portugal
Luca Torelli foi publicado em Portugal apenas dois anos após a sua estreia, na (excelente) 5.ª série de O Mosquito. Revelado no segundo número da revista, com destaque na capa, só falharia duas vezes até ao seu fecho, no número 12.

  

Em paralelo, a editorial Futura começou a publicá-lo em álbuns próprios, tendo editado um total de 6 volumes, a preto e branco e de capa mole, sempre com a conseguida tradução de Jorge Magalhães.
Torpedo 1936 regressaria ao nosso país em 1998, na II série das Selecções BD, onde foram publicados mais de uma dezena de episódios do assassino profissional.


Torpedo 1936 Integral
Enrique Sanchez Abulí (argumento)
Alex Toth e Jordi Bernet (desenho)
Evolution Comics
Espanha, 2014
200 x 265 mm, 720 p., pb, capa dura
60,00 €

(clicar nas imagens para as aproveitar em toda a sua extensão)

4 comentários:

  1. Raios Pedro Cleto, quando entrei no blog e vi o titulo do post até dei um pulo de contentamento por pensar que ia ser publicada uma edição integral do Torpedo em português. Enfim, vou continuar na esperança :)

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  2. Boa BD! A revista Selecções BD também publicou algumas histórias.

    Filipe Simões

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    Respostas
    1. Publicou sim, Filipe, por isso já corrigi acima!
      Obrigado!
      Boas leituras!

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  3. Parece-me que será esperar para desesperar, Eskorpiao77, não vejo forma de alguém pegar nisto...
    Boas leituras!

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