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10/10/2016

Lucky Luke chega mais depressa aos 70

Cumprem-se hoje 70 anos sobre a estreia de Lucky Luke e uma das novidades é que o “cowboy que dispara mais rápido do que a própria sombra” afinal é mais velho.

Lucky Luke e Jolly Jumper: a primeira vez
A estreia aconteceu em Arizona 1880, uma história de 27 pranchas e grafismo bem diferente do que hoje (re)conhecemos (publicada pela ASA no álbum Arizona, em 2005), mas investigações levadas a cabo por Christelle e Bertrand Pissavy-Yvernault, na preparação de uma nova colecção integral com as aventuras de Lucky Luke, que começa em Novembro, revelaram que aquela BD foi inicialmente publicada na versão francesa da revista Spirou, a de 10 de Outubro de 1946, cerca de dois meses antes do Almanach Spirou 1947 belga, de 7 de Dezembro daquele ano, que até agora servia de referência.
Um pouco mais velho, sim, mas com a mesma destreza e agilidade de sempre, como comprovará La Terre Promise, o novo álbum, sobre o périplo de uma família judia pelo Oeste, a publicar a 4 de Novembro em França, assinado por Jul e Achdé. Este último, o desenhador, estará presente na Comic Con Portugal, de 8 a 11 de Dezembro, na Exponor.
Criado por Morris (1923-2001) – que a solo ou com diversos argumentistas assinou 70 álbuns da série – Lucky Luke impôs-se rapidamente entre os preferidos pelos leitores e tornar-se-ia uma referência da banda desenhada franco-belga com a chegada de René Goscinny (1926-1977) que, entre 1954 e 1977, escreveu o argumento para 41 álbuns, com menos violência e muito mais humor.
Ao longo de 80 álbuns, de que já se venderam 300 milhões de exemplares, o cowboy acompanhou três décadas da história americana, da corrida ao ouro ao início da exploração petrolífera, passando pelo desenvolvimento do telégrafo e do caminho-de-ferro. Nesse período, em que também trocou o cigarro por uma palhinha, por força da chegada aos ecrãs norte-americanos, encontrou personagens reais como Jesse James, Billy The Kid, Calamity Jane ou os irmãos Dalton, mais tarde substituídos por uns primos menos perigosos e mais imbecis que, juntamente com o cavalo Jolly Jumper, que acompanha Luke desde a primeira vinheta, e o cão Rantanplan, são recorrentes na série. Mas outros ficaram na memória dos leitores como Mã Dalton, o ‘pezinho mole’, o coronel Mac Straggle ou Lulu Carabine.


Conhecido em Portugal desde 1958, quando se estreou nas páginas do Cavaleiro Andante, passou depois pelo Zorro, Tintin, Flecha 2000, Jornal da BD ou Selecções BD, bem como por brindes publicitários, livros ilustrados e colecções de cromos, para além dos catálogos da Íbis, Bertrand, Meribérica e ASA (só ou em duas colecções com o jornal Público). ASA que vai lançar, a 1 de Novembro, um novo álbum sobre a infância do herói: Kid Lucky 2: Laço Perigoso.

  

  

  

  

Em 1971 Lucky Luke chegou ao cinema e desde então foram várias as adaptações em animação ou com actores como Terence Hill (1991) ou Jean Dujardin (2009), a par de séries televisivas, nalguns casos protagonizadas pelos Dalton e ou Rantanplan, como a que passa actualmente na SicK.

  

Este aniversário, cujas comemorações se iniciaram com a grande exposição que o Festival de BD de Angoulême promoveu em Janeiro último, prolongada pelo excelente catálogo L’Art de Morris, para além do novo álbum, fica também assinalado por uma (muito aconselhável) edição Lire HS – L’Histoire Secrète de Lucky Luke e pelo início da já referida nova e mais completa colecção integral.

  

E se é verdade que Matthieu Bonhomme revelou L’Homme qui a tua Lucky Luke num (bem conseguido) álbum fora de colecção publicado este ano, ninguém dúvida que em La Terre Promise Lucky Luke regressará ágil e certeiro como sempre e tudo terminará com ‘o cowboy que dispara mais rápido do que a sua própria sombra’ a cavalgar em direcção ao pôr-do-Sol, enquanto entoa a melodia que cantou pela primeira vez na segunda história: ‘I’m a poor lonesome cowboy and a long way from home’.

(versão revista e aumentada do texto publicado no Jornal de Notícias de 10 de Outubro de 2016; clicar nas imagens para as apreciar em toda a sua extensão; clicar nas palavras de cor diferente para saber mais sobre as obras destacadas)

5 comentários:

  1. Estou sem palavras, belíssimo artigo; Parabéns ás: As Leituras Do Pedro!!!

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  2. Muito bom! Fiquei com a duvida se a Asa vai lançar os dois albuns ou apenas o Kid Lucky 2. Pode esclarecer?

    Um abraço!

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    Respostas
    1. diogosr1.
      Para já vai lançar o Kid Lucky 2 (dia 1 de Novembro), quanto a La Terre promise, perguntei mas ainda não tive resposta.
      Boas leituras!

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  3. Do Kid Lucky já nem não me recordo como foi o 1º... de maneira que este 2º será uma supresa!...
    Infelizmente, parece que mais uma vez vamos deixar escapar mais uma data comemorativa (BD) sem uma "prenda" para os leitores portugueses (neste caso do Lucky Luke). Essa prenda seria o "O homem que matou Lucky Luke" que apesar do grafismo diferente, em nada destoaria na colecção original: é BD "dos 7 aos 70"!(por vezes, essas BDs de homenagem tendem a exagerar...).
    A acrescentar ao artigo que Pedro escreveu sobre este álbum...ficamos a saber a "verdadeira" razão pela qual Luke deixou de fumar... ;-)

    ASantos

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