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27/07/2016

Watchmen





A recente edição portuguesa da Levoir, levou-me a regressar - mais uma vez - a Watchmen. E desta vez, com o propósito - a obrigação auto-imposta - de escrever - pela primeira vez - sobre uma das mais notáveis bandas desenhadas de todos os tempos.
Não mais do que alguns apontamentos soltos porque (re)conheço os meus limites e Watchmen é daquelas obras perante as quais qualquer escriba se sente pequeno, muito pequeno...

Descobri Watchmen em 1987, na edição espanhola em 12 comics. Reli-o várias vezes, em espanhol e também no original inglês, comprei há anos a edição ‘definitiva’ brasileira – que tem cerca de 50 páginas a mais do que a da Levoir - a que agora voltei.
De todas as vezes - em muitas dessas vezes - a escrita tentada ficou a meio. Pelo gigantismo que a tarefa implicava. Pela complexa genialidade da obra.
Desta vez, obriguei-me a fazê-lo. Tentei-o uma e outra vez, recomecei várias vezes o texto, abandonei-o outras tantas.
Finalmente, em lugar de tentar desconstruir a ampla teia tecida por Alan Moore ou de tentar transmitir a onda avassaladora de sentimentos e emoções que ela provoca, optei apenas por avançar algumas pistas de leitura. Até porque, cada regresso a Watchmen me tem feito descobrir novos ângulos e facetas de uma obra genial que, 30 anos após a sua primeira publicação, aguenta qualquer ângulo de abordagem que se intente fazer.
Uma das razões para a genial complexidade - ou a complexa genialidade - tem a ver com o facto de ter por base diversas narrativas.
A principal, no presente - em 1985 - parte das mortes sucessivas de vários antigos vigilantes - entenda-se super-heróis (sem poderes), o género que Moore desconstrói a partir de dentro.
Ao mesmo tempo, em paralelo ou alternadamente, através de flash-backs, conhecemos o passado destes mascarados, os Combatentes do Crime, como surgiram, o que os motivava, o que os uniu - mais ainda, o que (humanamente) os afastava e separou…
A par disto, já com pano para mangas e diversos níveis de leitura, no final de cada capítulo - que correspondem aos comic-books originais - surgem excertos de livros de memórias, artigos de jornais ou revistas, pareceres de psicólogos, que complementam a informação da BD, que adiantam outras pistas de leitura, que abrem novas perspectivas e apresentam diferentes pontos de vista, distorcendo as ideias que o leitor formara, obrigando-o a formar outras, a questionar-se a si, à sua interpretação e aos propósitos do autor.
Finalmente, temos ainda os Contos do Cargueiro Negro, uma banda desenhada sobre um eventual ataque sanguinário de piratas a uma localidade e a crescente loucura de um homem que o pretende evitar, lida por um adolescente, na borda de um passeio, junto a uma banca de jornais, em sucessivos capítulos, cujo texto base se adequa (assustadoramente) à acção da narrativa base/principal.
Depois, se é verdade que o desenho sóbrio e realista de Dave Gibbons - mais rígido, agreste  sujo nos Contos do Cargueiro Negro - é uma das razões para o brilhantismo de Watchmen, a verdade é que a maior parte dos méritos têm que ser entregues a Moore que escreveu o argumento e planificou ao pormenor a obra, pelo que ela teria o mesmo peso e importância com (quase) qualquer outro desenhador. Como exemplo disto, vejam-se sucessivas simetrias ao nível da construção de algumas das pranchas ou mesmo de sequências.
Veja-se também, a forma notável como Moore desconstrói e ridiculariza o conceito de tempo, no capítulo IV: Relojoeiro, em sucessivos saltos temporais, para a frente e para trás no tempo, justificando, antecipando, prevendo, mostrando, evocando, recordando o que acontece, aconteceu, vai acontecer, de forma (falsamente) aleatória, mas com a incontornável lógica que associamos a um relojoeiro.
Quanto à história em si, Moore aniquila o conceito de super-heróis, despojando de boas intenções e propósitos nobres praticamente todos os Combatentes do Crime, mostrando-os interesseiros, alucinados, oportunistas, amorais… Simplesmente humanos.
Para além disso, distorce factos históricos que hoje conhecemos, mantendo uns, como o assassinato de Keneddy - apesar da capacidade do Dr. Manhattan para o evitar - ou a invasão do Afeganistão pela URSS, mas alterando outros ao transformar em vitória a participação norte-americana no Vietname e consequente reeleição de Nixon, e dessa forma incorporando na acção elementos reconhecíveis a par de outros distorcidos, o que contribuiu para uma aproximação/afastamento da percepção do leitor e para obrigar este a uma crescente atenção e interpretação.
Acrescente-se as tendências fascistóides de muitos dos vigilantes, as motivações interesseiras de quase todos eles, a dúbia moral inerente à obra que afirma que os fins justificam os meios e que nenhum preço é demasiado elevado.
Com tudo isto, Moore - e Gibbons - constrói um universo renovado - recauchutado? - mas reconhecível, com personagens desconhecidos que vamos descobrindo passo a passo, mas com os quais não conseguimos nunca - nunca? - simpatizar (totalmente), num todo que brilha, deslumbra e bate com uma força igualada por muito poucas obras.

Watchmen
Alan Moore (argumento)
Dave Gibbons (desenho)
Levoir
Portugal, Julho de 2016
17o x 260 mm, 432 p., cor, capa cartonada
39,90 €

(pranchas retiradas da Watchmen Artfact Editions - IDW Publishing; clicar sobre as imagens para as apreciar em toda a sua extensão)

76 comentários:

  1. O livro tem 426 páginas. Continuamos comendo e rindo, enquanto a Levoir escreve o que bem lhe apetecer...

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  2. O livro não tem nem 432, nem 426. É uma convenção que resulta do facto do editor contar com as guardas na contagem final de páginas (porque essas 8 adicionais são cobradas pela gráfica, claro, por isso o orçamento é para 432 pgs). Na realidade o livro tem 424 páginas mais 8 de guardas.

    Penso que os presses deveriam referir o número de páginas do ponto de vista do leitor, claro, mas não creio que se justifique o tom agressivo (quase ofensivo) do comentário...

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    1. Eu não sei o que é o "número de páginas do ponto de vista do leitor"... Se eu me deitar na cama e olhar de baixo para a estante fico com mais ou menos páginas? Agora a sério: é razoável que este assunto já tenha sido abordado milhares de vezes neste e noutros blogues, toda a gente saiba que a levoir divulga informações falsas recorrentemente e que o autor tenha o livro nas mãos, para no final se escrever erradamente o número de páginas? Enfim... É também muito engraçado que se escreva que é sempre "uma confusão com a gráfica": na divulgação do V for Vendetta, o número, curiosamente, vinha bem (286 páginas). Eu achei muito estranho como é que dessa vez, ao contrário das outras, a levoir se tivesse, miraculosamente e sabiamente, relembrado de retirar as 8 páginas a mais. Talvez seja porque esse livro era copiado página a página do original e inventar páginas desse mais barraca. Ou então tomaram Memofante nessa semana...

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    2. Que mauzões esses tipos da Levoir que metem livros a preços brutais e que querem roubar por a causa de páginas.

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    3. Que mauzões esses tipos da Levoir que metem livros a preços brutais e que querem roubar por a causa de páginas.

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    4. Se o senhor acha 40 euros por este livro "brutal" então deve andar distraído... Basta dizer que é o mesmo preço da versão deluxe em inglês só que com menos 24 páginas, menores dimensões e papel de qualidade inferior. A levoir já meteu livros a preços brutais e terá sempre o mérito de ter mudado a edição de bd em Portugal. Mas agora vive do hype do passado e da fidelidade de seguidores distraídos como você.

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    5. Não tendo o livro físico, fui buscar a informação do número de páginas ao site da FNAC. Se foi causa de polémica, peço desculpa...
      Parece-me, no entanto, exagerado levar a discussão a este ponto por uma diferença de meia dúzia de páginas, mais coisa menos coisa, num volume que conta mais de 400 páginas. Como já escrevi em tempos, não me parece que a BD se venda ao metro e vão mal os leitores que comprem os livros por terem mais ou menos páginas... O que não invalida que seria útil a Levoir fornecer a informação - correcta - das características das suas edições.
      Quanto ao preço, para além do número de páginas, o ser distribuído com um jornal ou não faz toda a diferença... Por isso a Levoir e a ASA têm conseguido óptimos preços para as suas colecções com o Pùblico, mas os preços quase duplicam quando falamos em distribuição para livraria - com maiores custos de distribuição e menores tiragens...
      Boas leituras!

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    6. Completando a ideia: 40 € é caro? Sim. A obra em questão vale 40 €? Sem dúvida!
      Boas leituras!

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    7. O V de Vingança, na realidade tinha 288 páginas, e não 286 como diz. Aliás, qualquer livro tem de ter sempre um número de páginas múltiplo de 8. As diferenças surgem do facto de que a pessoa que trata da divulgação dessa informação ser a mesma que trata do orçamentos e da gráfica, e por isso quando é necessário saber o número de páginas, socorre-se dos orçamentos. As guardas contam como meio caderno, e por isso efectivamente representam mais 8 páginas, embora do ponto de vista do leitor, essas páginas não façam 100% parte do livro. Mas sim, se olhar para a prateleira, o livro tem a grossura de 432, e não de 424, porque as guardas estão lá e também engrossam o livro.

      No caso do V de Vingança a informação deve ter saído correcta porque passou pelas mãos de alguém que verificou isso. Na verdade, no caso do Watchmen nem sequer foi feito presse, porque todas as DUAS pessoas que trabalham na Levoir (sim, DUAS) estavam provavelmente ocupadas com o arranque das Novelas Gráficas e com os inúmeros outrosprojectos que a Levoir leva com os jornais (que não são de BD).

      De qualquer modo, já se alertou para isto e esperamos que de futuro a informação seja confirmada.

      Sinta-se entretanto COMPLETAMENTE à vontade para deixar de comprar livros da Levoir por causa deste problema gravíssimo de informações falsas recorrentes.

      "É também muito engraçado que se escreva que é sempre "uma confusão com a gráfica":"

      A palavra gráfica não surge nem uma única vez no meu comentário, onde parece completamente claro que a confusão foi na Levoir.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Polemicas à parte quanto ao numero de paginas esperemos pela publicação de Before Watchmen.
    Que não caia no esquecimento.

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  5. Excelente iniciativa da Levoir porque já era tempo de termos uma edição de luxo desta incontestável obra prima da BD. No entanto, pelo preço, diria que só quem não sabe ou não quer ler em inglês a vai comprar. Acho que seria sempre bom para as editoras portuguesas levarem em conta que no mundo actual em que a maior parte das pessoas com menos de 40 sabe inglês e tem facilidade de comprar online, as edições nacionais devem ter alguma boa vantagem sobre as originais em inglês, seja pelo preço, pelo formato ou pelos extras.

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    1. Há muita gente que não lê em inglês e há gente que prefere ler em português...
      Boas leituras!

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    2. Eskorpiao77 mas o preço é o mesmo...basta procurares por watchmen em capa dura que vais ver o mesmo valor, cerca de 40 euros e penso que a ediçao portuguesa até é maior.

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    3. Boas Eduardo. Se procurares pela hardcover da deluxe edition e fores aos vendedores do market place da amazon uk tens 2 vendedores a vender por 14£. Com os portes e a conversão, fica por 23/24€.

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    4. Na minha experiência, e em mais de 15 anos de editar livros de BD, se um livro vendeu MUITO em inglês em Portugal, vai vender MUITO em português. Tem sido invariavelmente assim. Na Devir, tinhamos recebido muitas mensagens e recados e conselhos de vários leitores, livreiros e editores (portugueses) de que nos íamos meter num buraco se editássemos o Asilo Arkham ("vendem-se mais de 100 desse livro por ano em Portugal, já se devem ter vendido milhares cá!"), ou o Batman Ano Um, ou o Sandman, ou o Sin City. Foram invariavelmente os livros mais vendidos pela devir.

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    5. Contra factos não há argumentos e se essa é a experiência do José Freitas então, como dizem os ingleses, ''I stand corrected'' :) O meu comentário foi obviamente da perspectiva de um leitor sem qualquer experiência de editor ou livreiro e por isso, como provado pelo José, errado. Melhor assim e espero que este Watchmen seja um sucesso de vendas para permitir iniciativas semelhantes.

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    6. É uma experiência recorrente em geral. Ainda me lembro de quando se anunciou o lançamento da versão portuguesa da National Geographic, e muita gente veio dizer que ia ser um desastre e não ia vender nada, porque existiam quase 5000 (!!) assinantes da versão em inglês no nosso país (o que era aliás impressionante). A National Geographic PT ainda vende entre 20,000 e 25,000 (e vendeu mais de 30,000 nos primeiros anos).

      E é preciso também fazer uma separação "clara" das águas. O público para o qual se editam as versões portuguesas, NÃO é propriamente o público que já é fã hardcore de BD. Essencialmente vendem-se para leitores que provavelmente não frequentam tanto os sites e blogues, que compram relativamente poucos livros, e que geralmente os compra por impulso - e não esqueçamos a reticência que muita gente tem em mandar vir livros via internet, e o poder da "compra de impulso presencial". Uma coisa é ver o livro ali à nossa frente, pegar nele na mão, mexer, outra é mandar vir depois de ler umas críticas e umas fotos de capa na Amazon.

      E claro, o que o Pedro Cleto dizia: há muita gente que 1) não lê bem inglês, 2) até se desenrasca, mas ler um Spider-Man em inglês não é o mesmo que ler o Watchmen.

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  6. Tudo verdade! Mas gostava de saber qual é o vosso segredo para comprar direitos, produzir/editar, imprimir e distribuir, sempre com tiragens pequenas com preços reduzidos. Se me disserem, eu monto uma editora e edito a pedido!! :)))

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    1. Não sei qual é o segredo, Diogo mas pergunta ao José Freitas que tambem é o editor de alguns dos melhores exemplos de edições nacionais com clara vantagem sobre as americanas, Saga, Fatale, Tony Chu, Southern Bastards ou Má Raça da Gfloy. Em inglês temos hardcovers com preços entre os 30/40€ ou os paperbacks a 12€ em média. Ora por 11€ compras em português o equivalente a um paperback mas em capa dura. Menos dinheiro e melhor encadernação. Outro exemplo bem recente, Jessica Jones: Alias vol.1, 17€ paperback na bookdepository, 15€ a edição nacional em capa dura. Para mim estes são exemplos obvios em que a edição nacional tem uma clara vantagem sobre as americanas. Já no caso deste Watchmen, a deluxe edition em hardcover com portes, compras por 23€ na amazon uk...

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    2. O segredo da G Floy é bem conhecido: imprimir na Polónia. Quando a Polónia deixar de ser um país de extrema direita e começarem a pagar às pessoas mais do que uma tigela de arroz para trabalhar a G Floy vai à falência. Até lá tens edições a excelente preço.

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    3. Epá, se é assim vou deixar de comprar livros da gfloy. E ténis e sapatos, computadores e telemóveis, carros e motas, móveis e electrodomésticos, tshirts e camisas, e tudo que seja produzido em países que pagam salários miseráveis. Merda, vou ter de deixar de comer cereja do fundão, melão de almeirim, alheira de mirandela, queijo da serra...Espera. Se calhar o problema é ser um país de direita, se for de esquerda já não há problema mesmo que paguem uma miséria, tenham trabalho infantil e explorem os trabalhadores. Estou safo, a China é comuna!!! Lol, a demagogia é de rebolar a rir.

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    4. Diogo:
      Os segredos são conhecidos: editar barato implica uma (ou várias) das seguintes hipóteses:
      - tiragens grandes (são maiores quando os livros são vendidos com um jornal);
      - redução de custos de impressão (edição em co-edição, como faz a G. Floy);
      - reduzir custos de distribuição (distribuir com um jornal, como têm feito a ASA ou a Levoir).
      Agora fico a aguardar as tuas edições! ;)
      Boas leituras!

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    5. Demagogia é desculpar os nossos erros dizendo que há quem seja pior. Portugal tem salários baixos mas muito superiores aos polacos. E pelo menos não andamos a espancar pessoas na rua só porque "parecem muçulmanos", como aconteceu na Polónia.

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    6. O segredo da GFloy é imprimir livros em várias línguas ao mesmo tempo e tentar não ter (quase) nenhuns custos fixos. A gráfica onde imprimimos os nossos livros é muito bem equipada, e tanto quanto me foi dado ver até paga bem às pessoas que lá trabalham, muitas das quais são fãs de BD, porque a gráfica se tem vindo a especializar nesse mercado. Por exemplo, o director de pré-impressão lá tem um blogue sobre BD e às vezes até faz legendagens e revisões para nós (versões polacas dos livros, claro).

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  7. Factos: Temos uma editora que se atreveu a editar um livro de BD de 432/426 páginas em Portugal
    Factos: Rcelamações imediatas de pintelhices em vez de satisfação pela edição do livro

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  8. Pois claro! A G-Floy é um excelente exemplo mas não podemos comprar obras com 120 paginas com outras de 400. Por esse motivo, watchman é mais caro e nem entro pelos custos de direitos...

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    1. Diogo, a comparação que fiz foi entre edições nacionais e americanas. Não foi entre número de páginas. Quanto ao valor dos direitos, também não será por aí. Watchmen é da dc mas os que referi são da image e da marvel, por isso...O Pedro é que referiu os factores que realmente podem baixar o preço final. E esta edição não tira partido de nenhum deles, infelizmente para nós.

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    2. Já agora, dentro em breve vais ter outro excelente exemplo de uma fantástica colecção da Levoir com clara vantagem para as edições americanas. Espera por Setembro ;)

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  9. Off topic: polonia extrema direita é para rir. E sobre ordenados baixos então queres dizer que países comunistas como a china, cuba, coreia do norte pagam excelentes ordenados?

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    1. Como pelos vistos há quem não tenha percebido o que escrevi, vou explicar melhor. A Polónia é governada pelo partido Law and Justice, abertamente de ideologia nacionalista. Basta uma pequena pesquisa para descobrir relatos de racismo, xenofobia, violência racial e insultos verbais. Eu nunca disse que a solução seria passar para o extremo oposto. Não sei se sabem mas na paleta há mais cores sem ser o preto e o branco.

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  10. Senhor Anónimo, compreendo completamente o que diz e assino por baixo. A questão é que se formos ver as coisas como elas são teremos de fazer coisas como as seguintes:
    - Não comprar computadores - têm peças fabricadas na China que é um regime tudo menos democrata
    - Não comprar nada feito no EUA - os EUA são uns dos maiores vendedores de armas do Mundo e criam guerras em toda a parte do Mundo para justificarem os investimentos no armamento
    - O mesmo para o Reino Unido ou Alemanha
    - Não ler o Watchmen, ou comprar, porque quando foi feito o acordo com que fizeram com o Sr. Moore foi tudo menos honesto.

    Eu cá vou sobrevivendo com a dignidade possível neste Mundinho,

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  11. Este comentário foi removido pelo autor.

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  12. Tirando a discussão de pintelhices, vamos falar da obra em si. Tenho a versão brasileira e não a consegui ler até ao fim. Chamem-me iconoclasta! Chamem-me inculto! Chamem-me o que quiserem, mas não percebi o raio da história e não lhe achei grande piada.

    A ver se leio a coisa de novo....

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    1. Lol já somos 2 :)))))

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    2. pco69 e Diogosr1,
      Acho que deviam tentar outra vez, mesmo aceitando que não temos de gostar todos do mesmo. Nem sempre estamos receptivos para uma obra, mas eu reli agora o Watchmen mais uma vez e descobri novos motivos de muito interesse.
      Concordo que não é uma obra fácil e é de complexidade crescente, mas parece-me difícil não ser apreciada por pessoas com uma certa bagagem de BD, como me parecem que os dois são.
      Boas leituras!

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    3. Pronto! Desfiz-me do watchman editado pela vertigo, esse sim mau mau, e comprei o da Levoir. De facto em português a conversa já é outra :) obrigado pelo conselho!!

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    4. Estou um bocado relutante em adquirir a versão portuguesa. As razões? Tenho a versão brasileira e como referi, não gostei da história. Devido a isso, 40 euros serão um valor relativamente elevado para arriscar.

      Pergunto directamente ao Pedro Cleto (que acho que leu as duas versões) se considera que ler em protuguês de Portugal fará uma diferença na compreensão da obra que a possa melhorar a quem não achou piada numa primeira leitura.

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    5. pco69: não li a versão portuguesa, apenas conheço a espanhola, a americana e a brasileira.
      Se ler em brasileiro é um obstáculo para ti - para mim não é - ler a versão portuguesa pode ser uma solução...
      Boas leituras!

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  13. Eu também não achei muita piada, somos 3 :/

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    1. 4.
      Para mim um livro a falar mal de malucos que usam cuecas por cima de um pijama, continua a ser um livro sobre malucos que usam cuecas por cima de um pijama. Por isso lixo.
      É uma tara que muitos autores dessa esola apanhAm. Até o Moebius dá sua pincelada no garagem hermética, livro bem fraquinho.
      Eu quando era criança adorava o super-homem. Mas agora acho tudo uma grande idiotice.
      Em tempos tb comprei os primeros do sandman, outra idiotice, que vendi rapidamente.

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    2. Se depois de "leres" o Watchmen achas que é um livro a falar mal de malucos que usam cuecas por cima de um pijama então é porque não leste o Watchmen. Da mesma forma achar que o Sandman é idiota só mesmo quem não o leu. Podes não gostar, claro, mas ou não gostas porque percebeste a história e apresentas argumentos consistentes e lógicos ou então pura e simplesmente, leste e não percebeste. O que não tem mal nenhum. Também não consegui ler o senhor dos anéis mas não venho dizer que não gostei por ser sobre um velho e uns anões que andam à procura de um anel :)

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    3. Já agora, o argumento de que super herois é coisa de crianças é um tremendo preconceito e um disparate que, pensei eu, jà estaria completamente ultrapassado por quem gosta de BD. Mas enfim...

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    4. Eu, por exemplo, não gosto de westerns, por isso qualquer livro sobre malucos que andam a cavalo aos tiros aos índios e a assaltar bancos é uma parvoíce, mesmo que seja para dizer mal de malucos que andam a cavalo aos tiros aos índios e a assaltar bancos, e até o Moebius deu nesse peditório, e deu uma pincelada na Garagem Hermética.

      E toda a gente sabe que westerns são cpletamente infantis... Eu quando era criança adorava a Comanche, do Hermann, mas agora acho tudo uma grande idiotice.

      Acho que o grande problema (mas nem isso acho questionável, no fundo) é as pessoas encerrarem-se num só género de BD. Há quem SÓ leia super-heróis, e eu, claro, acho isso redutor, talvez manifestação de algum infantilismo ou nostalgia, etc... mas não creio que valha a pena insultar quem quer que seja. Eu até gosto de (algumas) histórias de super-heróis, acho que participam de alguma forma de arquétipos míticos, tal como muita da fantasia heróica, etc... Mas não leio só super-heróis.

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    5. Anónimo.
      Peço que leia o que respondi acima ao pco69 e ao diogosr1.
      Anti-herói,
      Watchmen não é "um livro a falar mal de malucos que usam cuecas por cima de um pijama" é sim, exactamente, um livro de malucos que usam cuecas por cima de um pijama! E explora as razões que os motivam, numa trama complexa, num contexto histórico deturpado.
      E vale muito a pena. Digo eu!
      Mas não temos de gostar todos do mesmo...
      Boas leituras!

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    6. Para mim, Watchmen é um de vários livros que o Alan Moore escreveu em que ele explora os limites da história dos super-heróis, testando alguns dos axiomas reinantes na altura (e ainda hoje), nomeadamente explorando o impacto da sua existência num mundo "normal", e o que isso representaria para o "status quo" de um universo em que eles existissem. No processo de escrever esses títulos, Moore chegou a uma crítica implícita de um certo registo da história de super-heróis, e nesse sentido, podemos dizer que é "uma história que desconstrói os pressupostos de base da maioria das histórias de malucos que usam cuecas por cima dos uniformes, demonstrando como esses pressupostos são ilógicos e criticáveis". Não é propriamente "dizer mal".

      De certa maneira, Watchmen e Miraclema constituem dois pólos opostos de uma espécie de par Yin-Yang em que o Moore demonstra até que ponto as histórias tradicionais de supers (e sobretudo os seus universos) não fazem sentido; ele não diz que as histórias são parvas (mais tarde diria isso, mas creio que não era o seu intuito original, até porque escreveu muitas histórias de supers depois de Watchmen ou Miracleman), simplesmente diz que, levando um universo de super-heróis às suas últimas consequências, cada história é de certa maneira a última que se pode contar desse universo. No Watchmen porque o mundo acaba, ou potencialmente acaba porque o plano do Ozymandias falha (e deixa de se poder contar histórias nesse universo) e no Miracleman porque o mundo se transforma numa utopia (e deixa de ser interessante contar histórias nesse universo).

      Para além disso, de um ponto de vista puramente técnico, o Moore quis provar que se podia contar uma história total e finita e coerente de um universo destes duma maneira ultra-estruturada, com uma planificação recorrente e com vários níveis de narrativa que por um lado, explicam as origens das personagens, por outro lado esclarecem o porquê de as coisas irem descarrilar completamente no fim.

      Por isso, do ponto de vista do leitor interessado, será muito proveitoso ler os dois livros em complemento um do outro, Watchmen e Miracleman.

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  14. e agora dispomos da coleção de sandman a 11,9 um preço excelente para uma serie excelente
    Espero que seja sucesso para continuarmos a ter uma maior aposta nas series da vertigo em portugal

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    1. Subscrevo.
      Boas leituras!

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    2. E com um filão do tamanho de um oceano para explorar! Assim de repente Preacher, Fábulas, 100 Bullets, DMZ!! Sonha sonha :)))

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  15. ...na minha modesta opinião, é CARO para Portugal... independentemente de todos os argumentos, estamos a falar de um livro que só não leu, ou comprou, quem não quis! Eu tenho a edição da Abril, o TPB softcover...e agora há bem pouco tempo comprei a Absolute edition. E se a qualidade é semelhante à da V for Vendeta, em termos de papel.........

    E por falar nisso, quem quiser mais caro, melhor qualidade, tamanho maior, edição em inglês... estou a vender uma das Absolute Edition de Watchmen, ainda por abrir, no plástico, no OLX... (enviaram-me duas da loja online onde comprei!).

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    1. Na minha não tão modesta opinião (pelo simples facto de que ando nisto há mais de 15 anos), É caro para portugal. Claro. TODOS os livros em Portugal são caros, porque as editoras portuguesas não podem facilmente fazer as tiragens que as editoras de países maiores podem fazer. E é assim em todos os países pequenos. Se for à Islândia ou à Dinamarca vai ficar em estado de choque quando vir o preço de um romance lá.

      Mas quanto á sua outra afirmação de que "só não leu ou comprou quem não quis", acho que está enganado. Não sei das vendas das edições antigas da Abril (que eram ranhosas, diga-se), mas p.ex. a recente distribuição do Watchmen da Panini foi de uns 250 exemplares, não mais. Suspeito que se tivessem vindo 500 se tinham vendido todos. Mas também sei que houve muita gente que foi ao engano, e pensava que era em português de Portugal, e se sentiu defraudado. E a edição da Panini custava 50€, embora, sendo absolutamente honesto, em termos físicos era melhor que a da Levoir (tamanho um pouco maior, cerca de 50 pgs a mais de extras).

      Ou seja: esta é a primeira vez que o público português vai ter a oportunidade de comprar e ler o Watchmen sem quaisquer limitações, em português de cá, numa edição razoável, mas não perfeita, e a um preço que, sendo caro, é comportável para um fã de BD (que o pode pedir oferecido, p.ex. se não tiver como o comprar, sabendo por uma vez que ele estará disponível facilmente para ser comprado).

      O papel é o mesmo do V de Vingança, o mesmo da maioria dos livros da Levoir. Não é perfeito, mas é perfeitamente adequado.

      E o preço está perfeitamente em linha com o das edições nacionais desse tipo: a Devir vende os livros do Craig Thompson (c. 500-700 pgs a preto e branco) por 40-50€, e vende o Liga de Cavalheiros: Século por 35€, e este só tem 256 páginas (e, na minha opinião, um papel errado para a edição, demasiado brilhante para o desenho e as cores do livro).

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    2. Um exemplo actual: ontem, a Livraria Lello deve ter vendido uns 5000 exemplares do novo Harry Potter, e antes que saia a versão portuguesa, hão-de se vender outros milhares (10,000? 20,000?): mas alguém acha que NÃO vale a pena editar a versão portuguesa?

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    3. José Freitas,
      Obrigado pelo enorme contributo - e pelos esclarecimentos - para esta discussão.
      - E bem vista a questão do Harry Potter! ;)
      Boas leituras... para nós as fazermos também, depois. Em português!

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    4. Comparar Harry Potter com Watchmen... estou a ver o próximo lançamento do Alan Moore na livraria Lello! Estamos a comparar o incomparável... BD e literatura juvenil (com mais uns quantos filmes blockbusters pelo meio)! Nem vou comentar a questão das tiragens, país pequeno, etc e tal... há mais de 20 anos que isto é debatido, e é o primeiro argumento utilizado nestas discussões.

      Em primeiro lugar, lançar qualquer livro em português, de Portugal, é de louvar. Mesmo um livro que tenha sido lançado em edições brasileiras por duas vezes. No entanto, quando digo que só não lê quem não quer... estou a dizer que facilmente se compra este livro, em qualquer loja online, por esse preço e com uma qualidade relativamente melhor! A minha edição softcover, em inglês, tem um papel melhor que o da Levoir, e tem mais de 10 anos! Para além disso... o livro que é considerado a melhor BD de sempre, acham mesmo que quem quiser ler vai comprar o livro!? Download...... ainda para mais depois de um filme (medíocre) e do Before Watchmen, ainda estavam à espera da edição portuguesa...

      Se a edição de Miracleman/Marvelman for semelhante... só posso mesmo criticar o preço e o papel, porque é inédita! Tanto em Portugal como quase em todo o mundo. Se vou comprar... não sei... mas os livros do Craig Thompspon também não os comprei... e pergunto eu: quem os comprou? Vendas, alguém sabe?

      Neste momento o mercado está a ser inundado, e ainda bem, por várias edições inéditas em Portugal. Se fosse há 20 anos atrás, conseguiria eu comprar tudo isto como comprava as edições da Abril? Nem pensar... o poder de compra continua o mesmo ou mais baixo, e quem continua a suportar grande parte do mercado de BD são os mesmos de há 20 anos atrás. Não é por meterem 100 mil pessoas numa comicon no Porto que vamos pensar que as coisas estão melhores e que existem mais uns milhares de leitores de BD... que compram tudo o que aparece a preços pouco convidativos.

      Mais uma vez, parabéns à Levoir pelo trabalho que tem feito recentemente na área da BD, principalmente as colecções recentes com o Público. Isso sim, vale a pena... e por esses preços, com a distribuição com o Público, conseguem chegar a mais alguns leitores (irregulares).

      Cumprimentos e boas leituras a todos!

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    5. Podemos comparar sim, proporcionalmente!! E olha que se nota mais e novos leitores!

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    6. Proporcionalmente... tens de me explicar essa regra matemática da proporção. Mas para isso precisas de valores das vendas do Harry Potter e dos variadíssimos títulos da Levoir, da Gfloy,da Devir, etc... depois podes comparar, "proporcionalmente".

      E o que "se nota" não é mensurável... mais uma vez, dados das editoras com as vendas, e das lojas com as encomendas e vendas...
      Se o José Freitas, ou alguém das lojas disser que efectivamente temos mais leitores que há 10 ou 15 anos... acredito.

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    7. Proporcionalmente... tens de me explicar essa regra matemática da proporção. Mas para isso precisas de valores das vendas do Harry Potter e dos variadíssimos títulos da Levoir, da Gfloy,da Devir, etc... depois podes comparar, "proporcionalmente".

      E o que "se nota" não é mensurável... mais uma vez, dados das editoras com as vendas, e das lojas com as encomendas e vendas...
      Se o José Freitas, ou alguém das lojas disser que efectivamente temos mais leitores que há 10 ou 15 anos... acredito.

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    8. Ouve o podcast disponivel no FB da G Floy e tiras as duvidas todas. Qdo falei na proporcionalidade quis dizer que um watchman não pretende vender 5000-10000 exemplares como um harry potter. Nem tão pouco fará filas brutais no dia de lançamento. Mas seguramente que grande parte das pessoas que compraram em inglês, vão mais tarde comprar em português, tal como outras que vão esperar pela edição portuguesa. Acho que foi por isto que o Jose Freitas fez esta comparação. Abc

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    9. O meu argumento não tem nada a ver com as vendas "absolutas" de um livro comparado com outro, mas sim com o seguinte: se um livro vende bem em inglês, vai vender bem em português. Claro, "vender bem" é uma coisa diferente para um Harry Potter, e para um Watchmen. Dito isto, o Watchmen vendeu MUITO bem em inglês, é um clássico, vende umas dezenas de milhares de exemplares por ano.

      Posso dar exemplos do tempo da Devir, o Batman Ano Um vendeu na Devir mais de 10 000 exemplares em duas edições diferentes, o Asilo Arkham c. 3500. As primeiras edições de um volume do Harry Potter em Portugal tendem a ser de c. 100 000 exemplares, p.ex., mas continuam a vender depois disso, e em 2007 encontrei a seguinte notícia: "Em Portugal, os seis volumes já editados renderam 1,3 milhões de exemplares vendidos, com o primeiro volume a liderar as vendas, com 325 mil exemplares." Não sei o quanto será o equivalente para o Watchmen, mas a verdade é que o Harry Potter em inglês deve vender o quê? 100 vezes mais que o Watchmen? Uma coisa não invalida a otura, o Watchmen não deixa de ser um bestseller por o Harry Potter ser um megabestseller.

      A minha única observação é esta: se se venderem 15 000 ou 20 000 deste Harry Potter em inglês, a Presença não vai certamente deixar de vender os seus 100 000 exemplares quando sair a versão portuguesa; e não é por o Watchmen já ter vendido certamente muitas centenas, talvez um par de milhares de livros nos últimos vinte anos em Portugal que a Levoir vai deixar de vender a sua tiragem.

      É o meu único argumento: os livros que venderam MUITO em inglês no nosso país, serão aqueles que tendencialmente vão vender bem também em português.

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    10. Relativamente ao estado do mercado no geral, pode ir ouvir o meu podcast (que está na página da GFloy), tem lá a minha opinião (e naõ, não acho que tenhamos mais leitores do que tínhamos há 15 anos).

      Mais algumas observações: eu tenho um trade do Watchmen antigo americano, e posso garantir que o papel da Levoir é bem melhor (a gramagem pode ser marginalmente menor, tipo 10grs, mas a qualidade é francamente melhor). O papel que a GFloy vai usar no Miracleman é exactamente o mesmo que usamos nos nossos outros livros (Saga, fatale, etc...), ligeiramente mais pesado do que o da Levoir, mas de qualidade equivalente.

      O Blankets da Devir esgotou a primeira edição.

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    11. Um pequeno OffTopic - eu achei o Blankets, com aquela cena do nem se decide nem fode, idiota :-)

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    12. Eu gosto muito do livro, e em termos gráficos é espectacular (podia ter sido um pouco mais pequeno, tipo -100 pgs). Mas entendo que ele relata uma realidade MUITO americana que é completamente esquisita para os europeus em geral (ie. toda aquela cena dos adolescentes dilacerados pelos seus impulsos religiosos do Cristianismo evangélico do Midwest).

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    13. Adorei o Blankets, e sim tem de ser colocado numa perspectiva USA, como grande parte dos livros que estamos a debater...alguns deles ainda vão ser queimados se o Trump for eleito :-).
      Qual foi a tiragem de Blankets? Ainda vejo muitos espalhados por essas Bertrands e Fnacs...mas se o dizes...

      De resto, para terminar, parabéns à Levoir e à Gfloy pelas recentes e futuras edições. São sem dúvida uma lufada de ar fresco na BD em Portugal, e irão contribuir para o aparecimento de mais leitores. E o formato permitirá que exista uma possibilidade continuada de se manterem em livrarias por muitos anos, especialmente os ditos clássicos como o V for Vendetta ou o Watchmen.

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    14. Não tenho a certeza da tiragem do Blamkets, não me deram a informação, mas assim à primeira diria que entre 1500 e 2000. Creio que não me estoua a enganar, mas alguém na Devir me disse que está esgotado lá.

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    15. Eu também achei o Blankets fantástico.
      Perspectiva EUA à parte, de forma redutora pode dizer-se que mostra um adolescente profundamente dividido entre a educação religiosa que recebeu e a descoberta do amor que essa religião lhe nega...
      Boas leituras!

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    16. Ò Pedro (desculpa a familiaridade, mas fica melhor no comentário jocoso que estou a fazer), o problema do puto não era o "amor".. era sexo mesmo :-)

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  18. Anónimo1/8/16 11:34

    39€ é cara para Portugal ?
    É certo que não será bastante acessivel mas o que é que é barato em portugal ? Um DVD anda por 19, um Blueray a 29 (como o caso do ultimo superman, um livro de menos de 140 paginas a 16€ (como o ultimo Charles Bukowski)
    Enfim, há que fazer escolhas.

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    1. http://www.bleedingcool.com/2016/08/03/dc-comics-to-reprint-each-issue-of-watchmen-in-hardcover-and-as-a-box-set-yes-really/

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  19. No meio de isto tudo, um grande abraço para o Jose de Freitas, por ter mostrado de uma forma tão directa, clara como funcionam as coisas.
    Falar é fácil, saber o que se fala é mais complicado.

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    1. Obrigado! Acho que depois deste Outono e do lançamento do Miracleman e da colecção do Sandman, posso desaparecer que já ninguém nota a minha falta, porque finalmente, estão editadas as coisas que eu sempre qui ver editadas em portugal desde que comecei nisto da BD, em 1999. Fui responsável pela edição do melhor da DC e da Marvel, desde Demolidor Renascido a Batman Ano Um, mas também Hellboy, Sin City, Sandman, Watchmen, Miracleman, V de Vingança. Prontos, 'tá feito!

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    2. José Freitas,
      Se isso acontecesse, éramos muitos os (leitores) que íamos ficar a perder...
      De certeza que há mais (muitas mais) boas bandas desenhadas para tu (nos) editares!
      Boas leituras... e edições!

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    3. Tá feito o tanas!! Queres uma lista? ;))))))

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    4. Entre Monstro do pantano preacher animal man hellblazer ou da DC reino do amanha , all star superman , camelot 3000 mais lanterna verde e flash que faz muita falta não faltam sugestões mas obrigado por tudo e pela excelente estante que tenho recheada com bons titulos e uma grande variedade tematica Muito obrigado espero que nao fique por aqui :)

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  20. Já ninguém notará a falta, será discutível. Mas que se sente um "espirito de missão cumprida" no comentário, sente-se!

    Como refere o Pedro Cleto, acredito que haja muita BD por aí para ser editada. Até porque a BD não se limita (leia-se aqui uma piada) à BD que vem das américas :-)

    De qq forma, aqui fica o meu agradecimento pela missão levada a bom porto. :-)

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