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14/06/2016

Jonathan #7: Kate








Distinguido como Melhor Álbum de 1982, no Festival de Angoulême, Kate foi para mim uma semi-desilusão.
Tento explicar porquê já a seguir.

Tenho descoberto Jonathan semana após semana, constantemente à espera da explosão que justifique a fama que precedia a série.
Reconheço, sem dificuldade algumas boas histórias até aqui: Lembra-te, Jonathan e E a montanha cantará para ti, fundamentais na introdução do protagonista e da temática da série, ou o belíssimo O Espaço azul entra as nuvens.
Kate, era – é! - no entanto – os prémios (também) têm esta função… - a grande referência da série e da colecção.
Percebo perfeitamente o porquê do prémio: estava-se em 1982, imperava a BD franco-belga de humor ou aventura, a (A Suivre) estava ainda em gestação e Jonathan – este álbum em particular, uma bela história de amor aos quadradinhos - era uma pedrada no charco.
Mas, penso que é uma história que envelheceu com algumas rugas, principalmente porque lhe falta mais substância, mais corpo - mais páginas para desenvolver a relação de Jonathan e Kate, o passado desta e a relação com o seu pai...
As páginas que hoje se encontram facilmente nos romances gráficos, em histórias mais extensas – como aquelas que Cosey (tão bem) já assinou - e que dispensariam o abrupto e demasiado oportuno ‘milagre’ que muda o rumo à narrativa e uma melhor definição do pouco credível médico/empregado para todo o serviço...
O que escrevi até aqui implica uma rejeição do álbum? Não, de todo. Porque como já disse atrás, Kate é uma bela história de amor, pausada, sensível, assombrada por um terrível segredo que tarda em revelar-se para a jovem se soltar, que explica a ambivalência dela, entre adolescente mimada e mulher madura...
Com as belas montanhas tibetanas como pano de fundo e catalisadoras da calma e tempo que tudo (?) curam – calma e tempo que tanta falta nos fazem nos nossos dias… - é também a narrativa de uma busca incessante pela felicidade que parece intangível mas que, afinal, tantas vezes, está mesmo ao nosso lado, onde nunca nos lembramos de procurar.
Para terminar, remexendo um pouco mais na ferida qu abri, atrevo-me a acrescentar algo que já abordei de passagem anteriormente: se considero Cosey um excelente planificador e também colorista – o uso da cor em Kate merece toda a atenção do leitor - tenho reservas – continuo a ter reservas – quanto ao Cosey desenhador de seres humanos. Se em álbuns anteriores, aqui e ali, surgem perspectivas disformes fora do registo narrativo e mesmo gráfico global de Jonathan, em Kate a protagonista assume esgares – quase sempre quando mostra os dentes… - que minam fortemente a imagem de uma jovem bonita, sensível e necessitada de amor e atenção que o todo pretende passar e que está tão evidente na maioria das páginas do livro como nos (belos) esboços preparatórios que são mostrados nos volumes integrais de Jonathan que a Le Lombard editou…

Kate
Colecção Jonathan #7
Cosey
ASA/Público
Portugal, 8 de Junho de 2016
220 x 290 mm, 48 p., cor
brochada com badanas, 5,50 €

(imagens provenientes de Jonathan Intégrale #3, édition Le Lombard; clicar nas imagens para as apreciar e toda a sua extensão)

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Pedro, no início da série li os 8 primeiros em espanhol para decidir se comprava ou não, e na altura (tendo decidido comoprar) postei aqui que o 2 era de facto o melhor dos 8 primeiros:
    http://asleiturasdopedro.blogspot.pt/2016/05/lembra-te-jonathan.html
    Não destaquei o Espaço azul, achei na média.
    Os que gostei menos foram os 13 e 14 que tinham saído em album duplo noutra série do Pùblico.

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    Respostas
    1. Anti-Herói,
      A série é regular, sem grandes diferenças nos álbuns do primeiro ciclo. Os dois primeiros, o Espaço Azul e o kate acabam por ser os mais salientes.
      Quanto aos volumes mais recentes de Jonathan parecem-me menos interessantes - talvez porque mais politizados e menos humanos...
      Boas leituras!

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