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20/04/2016

Mickey’s Craziest Adventures







A par de Cosey, a ‘honra’ de inaugurar a colecção Mickey vu par… coube igualmente ao duo Lewis Trondheim/Keramidas e o resultado, inevitavelmente, é diferente. Muito mais louco e com um ritmo alucinante.

Este último aspecto deve-se ao facto de a abordagem feita por Trondheim e Keramidas fugir à criação tradicional de uma BD. Na verdade, Mickey’s Craziest Adventures está construído como se se tratasse de uma série de pranchas soltas, datadas de 1965, descobertas por acaso, tendo cada uma delas, de alguma forma, princípio e fim, mas fazendo também parte de um todo cujas falhas conseguimos intuir, mas resultando assim numa obra de onde os autores expurgaram todas aquelas explicações que normalmente abrandam o ritmo narrativo de uma banda desenhada.
Desta forma o relato assume uma velocidade vertiginosa, com constantes corridas, fugas e perseguições que, se nos deixam sem tempo para respirar, apesar de tudo nos permitem também perceber sem qualquer dúvida o relato ‘maior’ de que estas pranchas fazem parte. Isso confere ao leitor um papel mais determinante na leitura – uma vez que é obrigado a preencher mentalmente os muitos vazios da narrativa, bem para lá dos ‘espaços em branco entre as vinhetas’ - e, arrisco-me a escrevê-lo, torna ainda mais alienante o argumento – já de si bem tresloucado!
Numa história em que Trondhiem e Keramidas quiseram (e conseguiram) congregar um grande número de personagens Disney – Mickey e Donald, os verdadeiros protagonistas, mas também Bafo-de-Onça, os Metralhas, Patinhas, Pardal, Lampadinha, Minnie, Pateta, Coronel Cintra… (todos com ‘curiosos’ nomes franceses!) – tudo começa com o rapto de Pardal, para roubar uma máquina redutora, que permite aos vilões reduzir a um tamanho mínimo as moedas do Tio Patinhas e assim esvaziar o seu depósito. Mickey e Donald são chamados para as tentar recuperar.
Este é o ponto de partida para o tal relato de ritmo alucinante, com constantes mudanças de meio de transporte, de cenário – da selva à Lua, do Pólo gelado a um templo Azteca, da selva pré-Histórica a uma cidade no fundo do mar… - e da dimensão das personagens, tudo servido com doses generosas de muita loucura e humor – marcas inegáveis de Trondheim. Se a maioria das personagens mantém sensivelmente as características que todos (lhes re)conhecemos, Mickey surge um pouco mais violento, provocador e exaltado, com acrescidos – porque inesperados - resultados humorísticos.
Em contraponto a Cosey, que optou por um visual mais tradicional de Mickey (próximo do original de Disney) e das restantes personagens (mais próximas do visual dos nossos dias), Keramidas aproximou-as do seu próprio registo gráfico (e também do de Trondheim). Desta forma, se Une Mystérieuse Mélodie, de alguma forma poderia encaixar sem grandes atritos na ‘cronologia’ Disney, este Mickey’s Craziest Adventures, assumindo igualmente o mesmo carácter de homenagem, evocação e cumprimento de um sonho, propõe uma leitura bem mais provocadora – e por isso mais estimulante.

Mickey’s Craziest Adventures
Lewis Trondhiem (argumento)
Keramidas (desenho)
Glénat
França, Março de 2016
240 x 320 mm, 48 p., cor, cartonado
EAN/ISBN : 9782344012741
15,00 €

3 comentários:

  1. Gostaria que publicassem estas novas versões do Mickey em Portugal

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    1. Infelizmente, isso é altamente improvável...
      Boas leituras!

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    2. Lá vou eu ter de comprar em francês.
      O problema é que, passados uns anos, acabam por publicar em português e acabo por gastar o dobro do dinheiro só para ter em ambas as línguas...

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