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19/01/2016

Hulk - Futuro imperfeito







Se há dias abordei aqui a(s) origem(ns) de Wolverine, hoje são os (possíveis) fins de Hulk que baseiam esta nova abordagem ao universo Marvel, tendo como ponto fulcral a percepção de que nem sempre boas ideias originam boas histórias.

Este volume – integrado na colecção Poderosos Heróis Marvel que a Levoir e o Público disponibilizaram ao longo do Verão/Outono – inclui duas narrativas que funcionam como antítese.
Na primeira, que dá título ao volume, Hulk viaja uma centena de anos ao futuro, chamado por um decrépito Rick Jones, para combater uma versão despótica de si mesmo, num mundo em desintegração após um conflito que quase destruiu a raça humana. Transformado em libertador pela facção revolucionária, terá que se enfrentar a si próprio - e ao fantasma sempre latente de Bruce Banner - e o equilíbrio de forças só será quebrado pelo recurso a um pormenor que deixo ao leitor descobrir. E que, assente nos paradoxos proporcionados pelas viagens do tempo – fraqueza temática minha que continua a deslumbrar-me – resulta numa bem urdida explicação para a origem do próprio Hulk, surgindo como principal (e boa) ideia numa trama pouco motivadora que parece existir apenas para fazer brilhar o conceito final.

Escrito, uma década mais tarde, pelo mesmo Peter David, - e também ambientado num futuro pós-apocalíptico que fez de Hulk/Banner o único sobrevivente da raça humana na Terra – O Fim - já incluído numa das colecções de clássicos da BD do Correio da Manhã e que na sua origem integrou um conjunto de histórias que narravam finais possíveis para os super-heróis Marvel – parte igualmente de uma ideia forte que, no entanto, depois, é desenvolvida com igual impacto numa narrativa assente nos monólogos – díspares mas complementares – de Bruce Banner e do Hulk, consoante a personalidade que a cada momento domina.
Ensaio sobre a morte (nem sempre) inevitável e sobre o peso avassalador da solidão - agravada pela imortalidade - Hulk: O Fim, assume-se como uma das mais conseguidas abordagens à dualidade homem/monstro presente na essência do gigante verde e pelo seu tom trágico obriga a uma incómoda reflexão sobre o futuro.

O tom semi-caricatural do traço de George Pérez em contraste com o estilo realista de Peter David e a aplicação de cor – sofrível e em tons berrantes no primeiro caso, maioritariamente em tons de verde, cinza e ocre no segundo, acentuando o seu tom angustiado – vincam ainda mais as diferenças entre estas duas histórias do Hulk.

Hulk: Futuro Imperfeito
Poderosos Heróis Marvel #14
Peter David (argumento)
George Pérez e Dale Keown (desenho)
Joe Wems (arte-final)
Tom Smith e Dan Kemp (cor)
Levoir/Público
Portugal, Outubro de 2015
Levoir / Jornal Público
Portugal, 22 de Outubro de 2015
175 x 265 mm, 144 p., cor, cartonado
8,90 €

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