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25/05/2015

Un petit livre oublié sur un banc 2







Há pouco mais de um ano, trouxe aqui o primeiro volume de Un petit livre oublié sur un banc.
Era sobre um livro encontrado num banco de jardim por Camélia e pela sua busca por quem o tinha deixado com uma mensagem formada por várias palavras sublinhadas, que ela acreditava ser dirigida a si.
Agora, Jim e Mig concluem a história, transformando o que parecia ser (apenas?) uma bela história romântica, numa equilibrada narrativa sobre crescimento e relacionamentos em paralelo com uma declaração de amor pelos livros impressos.


Depois de alguns enganos e de uma descoberta surpreendente, neste segundo tomo a busca de Camélia pelo autor das mensagens mistério no seu livro torna-se quase obsessiva. O afastamento do seu namorado – cujos aspectos em comum parecem cada vez menos e mais distantes – parece inevitável, uma descoberta (surpreendente…) acabará de forma infeliz e traumática…
Sozinha, perdida, ferida, revoltada, curiosa e exasperada, Camélia terá de repensar todas as suas escolhas, hesitando nos passos a dar, nas opções a tomar, nas decisões que deve assumir.
Felizmente – para ela e para os leitores – Jim dá uma boa ajuda, conduzindo com equilíbrio e sensibilidade, sem perder a capacidade de surpreender, a sua história para um desfecho - naturalmente em aberto – que encerra de forma conseguida e estruturada este ‘retalho de uma vida’ sem fazer perigar nenhum dos pressupostos que foram sendo apresentados, passando-a de uma bela história romântica com um toque de mistério, para uma estimulante crónica social sobre o nosso tempo.
Ao mesmo tempo que, qual cereja no topo do bolo, ainda consegue fazer deste díptico – e a vários níveis - uma bela declaração de amor pelos livros impressos, numa altura em que tantos (tentam) adivinhar o seu fim.
O traço de Mig, uma linha clara, delicada, expressiva, agradável e sedutora – de novo muito bem colorida, em tons suaves, quentes e confortáveis, por Délphine – feliz na forma como empresta ritmo às cenas – quase sempre passeios solitários ou diálogos – através das múltiplas tomadas de pontos de vista, revela-se extremamente adequado para encenar perante os olhos dos leitores uma história que, se poderia dar um belo filme, só se cumpre na sua totalidade quando lida nas páginas de papel – palpáveis, pesadas, cheirosas, com textura – de um livro.
Que, se poderia ser abandonado num qualquer banco de jardim para outros poderem fruir do prazer da sua leitura, vai ficar egoisticamente guardado na minha biblioteca, porque vou querer voltar a ele… 

Un petit livre oublié sur un banc 2
Colecção Grand Angle
Jim (argumento)
Mig (desenho)
Delphine (cor)
Bamboo Éditions
França, 6 de Maio de 2015
235 x 310 mm, 56 p., cor, cartonado
13,90 €

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