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23/03/2015

Rompetechos











Apesar da situação similar vivida debaixo de uma ditadura, durante décadas, por Portugal e Espanha, é curioso verificar como a banda desenhada evoluiu de forma diferente em ambos os países.
Rompetechos, mais uma criação do prolífero Francisco Ibañez, é um exemplo dessa diferença.


Primeira história de Rompetechos,
publicada na revista Tío Vivo
Imagem recolhida no blog Recuerdas?
Acredito que a existência de um mercado potencial mais vasto, não chegará para explicar todas as diferenças de evolução entre os tebeos e as histórias aos quadradinhos, mas a área do humor é uma das mais evidentes. De quase inexistente em Portugal a exuberante em Espanha, onde, aliás, essa tradição se mantém bem arraigada, com personagens populares e duradouros que vêm já das década de 1960 e 1970.
Se Mortadelo e Filémon são o caso mais mediático, Rompetechos pode ser uma boa porta de entrada no humor típico e característico de Ibañez, em particular, e da Editorial Bruguera, em geral.
Para além da sua baixa estatura – é esse o significado do seu nome – o protagonista destas histórias auto-conclusivas de uma página tem uma outra característica bem mais marcante: sofre de miopia no mais alto grau, podendo por isso confundir melancias com ovos, um pneu com uma boina, uma janela com uma porta, um poste ou um semáforo com um qualquer amigo…
História publicada na revista Din Dan
Imagem recolhida no blog Tebeosfera
Se a isto juntarmos a sua vontade de ajudar a qualquer custo e a facilidade com que perde as estribeiras, começamos a antever um retrato das múltiplas confusões que origina, em especial quando vai até à aldeia auxiliar o seu tio Lentejo, acabando quase sempre preso ou a queixar-se das agressões que sofreu a um hipotético polícia, que tanto pode ser um rabisco numa parede, um cão ou um marco de correio…
É evidente que o modelo é simples e se torna até algo repetitivo – a leitura numa compilação como esta deve ser feita em doses moderadas para evitar algum cansaço – mas a verdade é que com frequência a sua leitura me arrancou bem-dispostas gargalhadas graças aos trocadilhos de que Ibañez faz gala ou às múltiplas situações de um absurdo atroz que leva Rompetechos a protagonizar, em abono da verdade frequentemente iniciadas e/ou resolvidas de forma diferente.

Este volume, integrado na colecção Clásicos del Humor, da RBA Editores, abre com um dossier sobre a série e o seu criador e reúne pranchas publicadas originalmente entre 1964 e 1973, nas revistas Tío Vivo (ainda penas a uma cor) e Din Dan.

Clásicos del Humor
Rompetechos
Francisco Ibañez
RBA Editores
Espanha, 2009
197 x 270 mm, 192 p., cor, cartonado

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