Este blog está correctamente escrito em português, à revelia do triste acordo ortográfico em vigor.

12/02/2015

XIII #9 – A Versão Irlandesa/O Último Assalto









Dez semanas após o início da colecção do Público, 22 anos depois segundo a edição original ou 24 anos e 58 dias depois de Van Hamme ter pela primeira vez escrito a cifra ‘XIII’, chega ao fim uma das grandes sagas de acção e aventura que a banda desenhada franco-belga nos ofereceu.
Com mestria e todas as pontas bem atadas, após uma longa, paciente, elaborada e electrizante viagem.


Houve ao longo do percurso alguns desequilíbrios, é verdade. Para mim, o díptico Top Secret/Soltem os Cães revela-se o elo mais fraco da saga de XIII, mas Van Hamme soube depois retomar a mão e voltar às qualidades que fizeram deste um thriller de eleição: uma história apaixonante, muito suspense e mistério, teoria da conspiração em doses generosas, histórias paralelas a confluir para um mesmo ponto, acção à desfilada e sucessivos falsos finais, até desvendar o verdadeiro e atar as muitas pontas soltas que foi espalhando ao longo de quase um milhar de páginas.
A par disso, para além do protagonista, o célebre amnésico de muitas identidades, suspeito de ter assassinado o presidente dos Estados Unidos, de ser terrorista do IRA e de um sem número de outras acções, raramente legais, a série está recheada de personagens fortes e marcantes. A bela (e bem mais do que isso) tenente Jones, o general Carrington, o assassino a soldo Magusto, o mafioso Frank Giordino (um dos homens mais poderosos dos Estados Unidos durante décadas…), as letais Irina e Jessica Martin (esta tardiamente chegada à série, mas com um papel decisivo) e outros mais…
A leitura de Top Secret/Soltem os Cães e de Operação Montecristo/O Ouro de Maximiliano – que eu desconhecia antes desta colecção sair em Portugal – e do volume final do ciclo original, o escrito por Van Hamme, vieram confirmar o erro crasso que foi a ASA e o Público terem deixado de fora o álbum The XIII Mistery – L’Enquête. Porque, para além de um resumo – sob a forma de trabalho jornalístico - do que tinha acontecido nos primeiros 12 álbuns, aquele livro lança diversas pistas fundamentais para o aparecimento de personagens importantes como Jessica Martin e Danny Finkelstein e para a leitura do restante da série - e mesmo de alguns dos álbuns paralelos (The XIII Mistery), cujos três inéditos em português até podiam ter sido incluídos na colecção – bastava mais um volume um pouco maior…
A versão irlandesa surge como um álbum atípico – mas fundamental – na série, não só por ter sido – surpreendentemente (na época) - desenhado por Jean Giraud (para que pudesse ser publicado em simultâneo com O Último Assalto, mas também pelo tom e o ritmo, díspares da restante narrativa.
Se Operação Montecristo/O Ouro de Maximiliano, encerram com brilho a questão do tesouro mexicano, O Último Assalto encerra com chave de ouro a história de XIII, de novo em ritmo avassalador, com as surpresas, os volte-faces e os salvamentos in extremis a sucederem-se, impedindo o leitor de sossegar.

De fora desta análise – a minha leitura dele está ainda incompleta – fica o segundo “grande” ciclo, da responsabilidade da dupla Sente/Jigounov – os álbuns O dia de Mayflower / O Isco e Regresso a Greenfalls/A Mensagem do Mártir, mas parece-me que esta narrativa complementar, em ritmo moderado e graficamente menos interessante, leva longe de mais a associação de XIII aos grandes momentos da História norte-americana e envolve-o novamente, de forma algo forçada, numa enorme conspiração político-económica.

XIII #9
A Versão Irlandesa/O Último Assalto
Jean Van Hamme (argumento)
Jean Giraud e William Vance (desenho)
ASA/Público
Portugal, 4 de Fevereiro de 2015
220 x 290 mm, 96 p., cor, brochado com badanas
7,90 €

Sem comentários:

Enviar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...