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19/01/2015

Alack Sinner: Histoires Privées













Ainda a pretexto dos 40 anos de Alack Sinner, recupero aqui o texto “O regresso de Alack Sinner”, que publiquei originalmente no Jornal de Notícias de 15 de Fevereiro de 2000.


Alack Sinner, personagem emblemática criado pelos argentinos José Muñoz e Carlos Sampayo, está de regresso.
Ele é um ex-polícia, que abandonou a profissão após a violação da irmã, desiludido com a investigação que se seguiu, que mostrou uma corporação mais preocupada consigo e com proveitos ilegais do que com a lei.
Decidiu então tornar-se detective privado, dando origem a uma mão-cheia de histórias na linha dos grandes clássicos policiais, como Chandler ou Hammett.
Uma mudança de vida que se seguiu a uma mudança de atitude, pois Muñoz e Sampayo rapidamente mostraram que os seus interesses iam mais além dos policiais e das referências ao cinema negro americano.
“A nossa personagem é uma parte das nossas emoções, do nosso olhar à nossa volta”, dirão, e, por isso, Sinner tornou-se numa consciência crítica do sistema, do racismo, da injustiça, interessado em combater o que via de errado no mundo, à sua maneira, quase sempre sozinho, numa cruzada impossível, em que perdeu mais vezes do que ganhou.
Histoires Privées, que tem por base o preto e branco do traço agressivo e cada vez ais estilizado de Muñoz, começa quando Sinner recebe uma chamada para socorrer a filha, Cheryl, acusada de um assassínio que não nega nem confirma.
A investigação leva-o a conhecer um haitiano, ligado a negócios escuros, que sabe mais do que o que diz. Resolvido o caso, descobre que a sua irmã foi sequestrada por um desenhador desequilibrado, numa trama que se vai complicando e desdobrando em novos enigmas, que o fazem correr de local para local.
É um Sinner que continua inadaptado à sociedade (e de certa forma à vida), incapaz de conviver com os seus sentimentos, que continua a querer mudar o sistema e denunciar o que acha errado, mas a vontade (e a capacidade) de reagir são cada vez menores.
É cada vez mais só um peão (e um peão só), perdido no meio de gente sórdida e egoísta. Como há tanta no mundo.
E se é o mesmo Sinner que (re)encontramos agora, a idade deixou marcas que não se podem esconder: usa óculos, o vigor não é o de outros tempos, está envelhecido e sabe-o.
Na cama, com Sophie, uma das suas ex-mulheres, é ele quem pensa que ela procura um homem que já não existe…

Alack Sinner: Histoires privées
Carlos Sampayo (argumento)
José Muñoz (desenho)
Casterman
França, Janeiro de 2000
220 x 295 mm, 80 p., pb, brochado

2 comentários:

  1. Adorava que a Levoir tivesse escolhido este para editar, em vez do Billie Holliday.

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    Respostas
    1. Anti-Herói,
      Também prefiro Alack Sinner, sem dúvida, mas a lógica do Billie Holiday - que marca a estreia - para continuar? - da Levoir na edição de BD fora de colecções, o que me parece importante, é assinalar uma data redonda e ter dessa forma um destaque extra para a edição.
      Boas leituras!

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