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11/12/2014

Príncipe Valiente: El Aprendiz de Héroe





E por fim, sensivelmente 10 anos depois, Manuel Caldas chega a meio do seu sonho.
Com o presente volume, já restaurou – minuciosa e apaixonadamente – metade da obra-prima de Harold Rudolf Foster, Prince Vailant.
São, até agora, 1038 – das cerca de 2200 – pranchas que Foster escreveu e desenhou. Serão, estimo eu, mais de 8000 vinhetas (muitas delas magníficas), mais de 300 000 palavras (que compõem textos inspirados e sedutores).
Representam - calculando por baixo? - umas 12 000 horas de trabalho, 500 dias (completos) ou ano e meio ininterrupto debruçado em edições, publicações, provas, cópias, scanners e ecrãs de computadores…
Representa, com custos (físicos? materiais?...) a concretização - dura, obstinada, dedicada e laboriosa – do sonho que há anos persegue.
Muitas vezes maltratado, desprezado, ignorado – à custa disso, nós, portugueses, perdemos o comboio desta monumental reedição – prossegue (positivamente) obstinado.
Obrigado caro Manuel Caldas. Vai ser um prazer e um sacrifício aguardar mais 10 anos até que o teu sonho esteja integralmente cumprido.

E a ideia original era que o texto ficasse por aqui. Mas, a leitura da obra de Foster não (me) deixa indiferente. Seduz, apaixona, desperta, estimula. Depois de ler este El Aprendiz de Héroe, não consigo deixar de citar dois dos episódios nele contido, curiosamente em sequência dissonante.
E escrevi curiosamente porque são em (quase) tudo díspares: nos protagonistas, no tom, no desfecho.
O primeiro, representa a ‘declaração de independência’ do príncipe Arn, ainda adolescente, partindo para uma missão em que pretende, mais do que tudo, libertar-se das asas protectoras de Valente e Aleta e declarar a sua capacidade individual. Ambientando em grande parte em montanhas geladas, em boa parte sob tempestade de neve, é um relato de coragem, teimosia e afirmação e, se não uma passagem de testemunho, pelo menos o ponto de partida da divisão de protagonismo entre ele e o pai.
Quanto ao segundo, narra um ataque a um castelo onde Aleta ficou apenas com servos, mulheres e crianças, onde será testemunha de um massacre e quase vítima da ferocidade humana e de um incêndio que ela própria provocou. Ansiedade e temor, mas também determinação e coragem, são os ingredientes deste episódio que, tal como o precedente, revela a profunda humanidade das criações de Foster.

 

Príncipe Valiente: El Aprendiz de Héroe
1955-1956
Harold R. Foster
(restaurado por Manuel Caldas)
La Imprenta
Uruguai, Outubro de 2014
260 x 340 mm, 112 p., pb, brochado
680 pesos uruguaios / 25,00 €
Encomendas directas ao editor, não têm custos de envio e beneficiam da oferta da reprodução de uma vinheta de Foster no tamanho original.

3 comentários:

  1. Dá gosto saber que alguém como o Manuel Caldas se dedica de alma e coração a um tal trabalho de preservação da memória. É bom saber que, nestes actuais tempos de superficialidade e de culto do imediato, ainda existe quem se esforce para preservar um legado para os vindouros.
    A História, mais tarde, irá agradecer-lhe por isso.

    Peço desculpa pela minha ignorância, mas quantos volumes já foram publicados até agora?

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    Respostas
    1. Até agora foram publicados 6 volumes em português e cinco em espanhol, nesta edição uruguaia, sendo que um deles é comum. Ou seja, no total Manuel Caldas restaurou 10 volumes.

      Boas leituras!

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    2. Grato pela informação.

      Assim que eu tiver dinheiro, pretendo adquirir a colecção completa.

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