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16/12/2014

Armandinho Zero



Não havendo com frequência – o que talvez até seja bom porque senão deixaríamos de as valorizar tanto - obras como Peanuts, Mafalda ou Calvin and Hobbes, o que geralmente procuro numa colectânea de tiras de banda desenhada é que me divirtam e surpreendam.
Armandinho Zero, cumpriu os dois pressupostos.


Antes de entrar propriamente na obra, registo com satisfação (mais) este olhar sobre a banda desenhada brasileira contemporânea – depois das (estimulantes) propostas da Polvo – que permite espreitar um pouco as histórias aos quadr(ad)inhos que actualmente (tão bem) se produzem no Brasil.
Armandinho, criação de Alexandre Beck, com influências reconhecíveis mas assimiladas num estilo e numa abordagem próprias, nasceu como tira diária de imprensa em 2010 e é nesse formato que continua a ser publicado em diversos jornais brasileiros.
O protagonista – baptizado pelos leitores já com a tira em publicação, num curioso processo que este livro permite conhecer – dá nome à série e é uma criança de 5 ou 6 anos, irrequieta, traquina, observadora e mordaz. Nada de muito novo neste meio e nem a sua ambientação no Brasil faz a diferença, num mundo cada vez mais (maçadoramente) igual, fruto da globalização.
Apesar disso, quer o traço agradável, simpático e bastante expressivo de Beck, quer o bom trabalho de cor que ele denota, quer, principalmente o humor desarmante que ele aplica, fazem de Armandinho uma leitura agradável e bastante divertida.
Com um olhar terno mas crítico sobre o mundo actual, a vida em família ou a convivência com um sapo dentro de casa (!), Armandinho, para além deste último, quase só contracena com os pais – de quem conhecemos apenas as pernas, o que torna o mundo em que se move ainda mais seu.
Os problemas escolares, as questões alimentares, a falta de tempo dos progenitores (para o que é realmente importante), a guerrilha pela manutenção do sapo como animal de estimação e, principalmente (?), as questões relacionadas com a infância, sejam elas a imaginação, os temores, as traquinices ou a perspectiva diferente que as crianças conseguem ter do (mesmo) mundo em que vivemos, são abordados com humor, ternura e sentido crítico q.b. por Beck, como se pode comprovar nesta edição cuidada que, inspiradamente A Castor de Papel decidiu trazer aos leitores portugueses.

Armandinho Zero
Alexandre Beck
O Castor de Papel
Portugal, Outubro de 2014
210 x 150 mm, 96 p., brochado com badanas
ISBN: 9789898761026
9,54 €

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