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10/11/2014

Tex em Cores








Se regularmente tenho trazido a este espaço (belas) edições integrais - e não só as franco- belgas - pela possibilidade que constituem de reler a preços agradáveis edições comentadas de obras marcantes - e em muitos casos há muito esgotadas - a verdade é que devo fazer um mea culpa porque não tenho destacado tantas vezes quanto devia uma edição integral que surge regularmente à venda em Portugal.
Descubram qual, já a seguir.


Obviamente o título e a imagem acima já tinham esclarecido qualquer dúvida que pudesse haver. Refiro-me a Tex em Cores que, mesmo não tendo o luxo e a consistência das edições em grande formato e cartonadas franco-belgas, justifica bem esta chamada de atenção.
Inspirada na Collezione Storica a Colori que entre 2007 e 2012 a Sergio Bonelli Editore publicou numa parceria com o jornal La Repubblica e a revista L’Expresso, que totalizou 239 tomos – e foi retomada há poucas semanas – e vendeu 27 milhões de exemplares tendo rendido 186 milhões de euros!, esta colecção brasileira da Mythos Editora tem o objectivo de reeditar- a cores - todas as histórias de Tex, desde a sua origem em 1948, até aos nossos dias.
O formato respeita o original italiano, o papel e a impressão são de boa qualidade, inclui textos introdutórios sobre as histórias os autores ou aspectos com elas relacionadas – faltando a data original de publicação das bandas desenhadas inseridas em cada volume… - e é uma excelente oportunidade, a dois níveis.
A nível documental, pela oportunidade de (re)descobrir um dos westerns mais carismáticos – e o mais antigo ainda em publicação – da História da Banda Desenhada, e de perceber como ele se desenvolveu e criou as bases e princípios que ainda hoje o norteiam. E também de entender como funcionavam na altura as histórias aos quadradinhos em termos de ritmo – acelerado! – planificação, sequência narrativa – as histórias actualmente em publicação são dos anos 1950/60, em que as revistas ainda tinham o denominado formato ‘talão de cheques’ – traço e temáticas…
E neste aspecto em particular, Tex é um manancial western que, na linha dos grandes filmes de cowboys de então, explora todos os grandes temas clássicos: renegados, foras-da-lei, opressão aos índios, guerras indígenas, confrontos brancos/índios, corridas ao ouro, desentendimentos entre criadores de gado e agricultores, xerifes ou ‘empresários’ prepotentes, questões religiosas, tribos ou civilizações perdidas…
A nível imediato, a possibilidade de ler bons westerns desenhados, que – com as inevitáveis marcas deixadas pela passagem do tempo e a evolução da BD - mantêm boa parte da frescura e do encanto de quando foram criados.
Foi a leitura, que estava em atraso – e que bom é ter leituras assim atrasadas, pelo prazer de a qualquer momento as pôr em dia…! – dos tomos #13 a #16 que me inspirou este texto, mas não vou destacar qualquer volume em especial, até porque a colecção já atingiu os volumes #22 (no Brasil) e #19 (Portugal).
Mas deixo um desafio: se quiserem/puderem, iniciem a leitura no tomo #1; caso não seja possível, iniciem-na em qualquer volume, pois, apesar de alguma história em continuação, todos eles possuem geralmente vários episódios completos onde é possível comprovar o que atrás escrevi.

Tex em Cores
Gianluigi Bonelli (argumento)
Aurelio Galleppini (desenho)
Mythos Editora
160 x 210 mm, 252 p., cor, brochado, mensal
R$ 29,90 / 15,00 €

(Texto publicado originalmente no Tex Willer Blog)

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