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27/10/2014

Pontas Soltas – Lisboa








Noutras latitudes e longitudes (editorais, entenda-se), é normal fazer a recolha em álbum de bandas desenhadas originalmente publicadas em revistas ou outros suportes.
Em Portugal, tal facto é uma excepção e este álbum de Ricardo Cabral só vem confirmar o estatuto que o autor conseguiu graças ao seu trabalho regular e à exploração de temáticas/projectos que vão para lá da banda desenhada em si.
Continuem a ler, já a seguir.


Revelado em 2007 com Evereste, relato da conquista do famoso cume pelo montanhista português João Garcia, Ricardo Cabral afirmar-se-ia depois com Israel Sketchbook (2009) e Newborn – 10 dias no Kosovo (2010), dois relatos de viagem que, para além de mostrarem a sua faceta de observador atento do quotidiano, também o afirmaram como um excelente desenhador realista e os ecos destes livros aferiram a sua aceitação fora do habitual núcleo (pequeno) dos leitores de banda desenhada.
A multiplicidade de projectos que se seguiram, vieram apenas confirmar o que atrás fica escrito e confirmaram-no como um dos autores a seguir.
Algo que seria complicado – pela disparidade e diversidade de locais em que eles foram editados/mostrados - não fosse a clara aposta da ASA nele – revelada igualmente pela continuidade dos seus títulos em catálogo, como também é visível no final do presente álbum - através (para já…) de duas compilações. Genericamente intituladas Pontas Soltas, contemplaram, primeiro, algumas Cidades que Cabral visitou, e, agora, a sua Lisboa natal.
Lisboa que é a protagonista - e único ponto comum entre os quatro relatos incluídos neste livro – e que surge – pela forma como o desenhador a retrata – como bem mais do que mero ponto de passagem, antes porto de abrigo com o qual são evidentes os laços e afinidades.
Dessas quatro histórias, releva-se igualmente a possibilidade de apreciar (alguma d)a evolução de Ricardo Cabral, descobrir (algumas d)as suas influências e apreciar o seu à-vontade com diferentes técnicas, estilos e materiais, numa edição editorialmente cuidada e composta onde faz todo o sentido e se aplaude a inclusão do texto inicial que situa no tempo e no seu contexto cada uma das histórias publicadas.
Se Cabral realça mais o seu cunho pessoal nos dois relatos iniciais, de tom entre o pesadelo e o pré-apocalíptico, ele também está patente nos dois outros relatos ‘encomendados’ - a participação no projecto Web Trip e Doca 21 (um relato policial leve e divertido, criado integralmente num Samsung Galaxy Note 3, a convite da marca) - onde os suportes exigiram técnicas diversas, mas onde Lisboa continua a brilhar.

Pontas Soltas – Lisboa
Ricardo Cabral (argumento e desenho)
Francisco Chatimsky e Mafalda Quintela (argumento de Doca 21)
ASA
Portugal, Outubro de 2014
220 x 280 mm, 80 p., cor, cartonada
17,95 €

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