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14/05/2014

Death Note #7 e #8











Parece inevitável. Volto, mais uma vez, à questão da história, que recentemente serviu de base a uma série de textos aqui no blog.
O mote - mais um diferente – é desenvolver a história quando o sucesso bate à porta.
Espreitem o que escrevi, já a seguir.


Abri o texto com um “parece inevitável” e possivelmente é mesmo, porque a história, para mim, é o mais importante de uma banda desenhada (um livro, um filme, uma série…).
No caso presente, Death Note arrancou com muita força, mas aparentava uma duração curta - apenas umas 1000 pranchas, algo irrisório para a escrita em manga…
A verdade é que o sucesso – Death Note tornou-se um manga de culto – aparentemente levou (os autores? os editores? ambos?) à introdução de novos desenvolvimentos que, no entanto, provocaram uma quebra no ritmo e na história (por volta dos volumes #5 e #6).
Relembro que na origem deste manga está um caderno que permite ao seu dono matar quem quiser desde que escreva nele o nome dessa pessoa. Associado a esse caderno está um deus da morte – um shinigami – e uma série de regras quanto à forma de matar.
Tendo-se tornado possuidor por acaso de um desses cadernos, perdido pelo seu shinigami, Light Yagami decide utilizá-lo para tornar o mundo um local melhor, desatando a matar criminosos. Isso acaba por dar nas vistas, levando a polícia japonesa a criar uma força própria para investigar o caso, que integra o pai de Light, liderada pelo misterioso L.
Grande parte da história até aqui fez-se do confronto mental entre essas duas grandes inteligências – Light e L – descrito de forma brilhante e atractiva.
Agora, ultrapassada essa fase – terão que ler o volume #7 para descobrir como – a história levou uma grande volta, das quais a mais importante é o facto de Light passar a estar face a dois adversários igualmente inteligentes. Ou seja, os autores tiveram que imaginar novas personagens, situações e cenas, sem perder a estrutura e a coerência do que já estava para trás.
E, passada a indecisão já citada, tudo indica que reencontraram o rumo e o ritmo da narrativa e esta volta a ganhar força – acredito eu, pois nunca vi o anime derivado da BD e só nesta edição da Devir descobri Death Note – a caminho do final.
Não só pela nova dimensão que o duplo confronto lhe confere, mas pela forma como é acentuada a caracterização de Light, que vive cada vez mais em função do desafio, tornando marginais as (aparentemente) boas intenções que inicialmente o motivaram e levando-o a usar aqueles que mais de perto o rodeiam como meros peões no seu (cada vez mais) perigoso jogo,
Se a opção tomada foi de certeza compensadora em termos financeiros – Death Note duplicou, pelo menos…, o número de páginas e de volumes -, neste momento estou inclinado para afirmar que em termos artísticos e narrativos, apesar da oscilação sentida a meio – acabou por também ser positiva.
Faltam quatro volumes (sensivelmente um ano?) para o confirmar.

#7 – Zero
#8 – Alvo
Tsugumi Ohba (argumento)
Takeshi Obata (desenho)
Devir
Portugal, Novembro de 2013/Fevereiro de 2014
130 x 190 mm, 200 p., pb, brochado
9,99 €

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