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17/04/2014

O Fantástico Homem-Aranha 2: O poder de Electro

















O Homem-Aranha regressa hoje aos cinemas portugueses, trazendo a reboque vilões clássicos dos quadradinhos: Duende Verde, Rino e, especialmente, Electro.

Depois da trilogia de Sam Raimi, protagonizada por Toby Maguire, ter falhado na sua ponta final, a decisão de reiniciar no cinema a franquia, teve resultados controversos.
Em O Espetacular Homem-Aranha (2012), Marc Webb esvaziou o protagonista de grande parte da sua mística. Por um lado, quase eliminou o seu lado nerd e desajeitado, por outro, o facto de ele ter os poderes desde sempre, reduziu a dualidade ser humano/super-herói, sempre em choque, o que fez com que o lema que desde sempre o orientou - “grandes poderes implicam grandes responsabilidades” – deixasse de fazer sentido. Na prática, fez do Homem-Aranha um herói vulgar, (quase) como qualquer outro.
Isto, para já não falar de várias situações muito pouco convincentes e em claro choque com a cronologia dos quadradinhos, que mais não eram do que uma tentativa de colagem ao sucesso da trilogia Batman, de Christopher Nolan.
E que demonstram, por outro lado, que os filmes não estão ao serviço da BD, são sim o principal filão a explorar pelas grandes indústrias de comics. Talvez por isso, o argumentista original, James Vanderbilt tenha sido despedido a meio do processo e substituído por Alex Kurtzman e Robert Orci, responsáveis pela versão que chega hoje aos cinemas portugueses, duas semanas antes da estreia norte-americana.
O grande mérito do filme dirigido por Webb era a excelência dos efeitos especiais – numa opção que contrasta com as versões recentes dos Vingadores ou mesmo do Capitão América – que conseguiam, a espaços, fazer os espectadores esquecer as contradições com a BD e vibrarem com o filme…
Agora, em O Fantástico Homem-Aranha 2: O poder de Electro, esta aposta continua em alta e os trailers disponíveis têm-no mostrado bem, seja nas cenas em que o herói aracnídeo (de novo interpretado por Andrew Garfield) salta de teia em teia pelos céus de Nova Iorque, seja nos sucessivos confrontos que o vão opor ao Duende Verde (Dane DeHaan) – possivelmente o maior inimigo de sempre do Homem-Aranha –, ao Rino (Paul Giamatti) – mostrado numa versão bastante tecnológica, em oposição à predominância da força bruta na versão da BD – ou ainda a Electro (Jamie Foxx) que com ele protagoniza grande parte do filme. Vilões cuja origem comum leva o Homem-Aranha a descobrir que o seu principal inimigo poderá estar mais perto do que alguma vez julgou.
O terceiro elemento em grande destaque é a bela Gwen Stacy (Emma Stone), de quem Peter Parker não se consegue manter afastado, apesar de todas as suas promessas e boas intenções, e com quem desenvolve uma relação cada vez mais forte. Sabendo-se que na BD a relação dos dois terminou em tragédia, numa das mais marcantes histórias de super-heróis jamais desenhadas, fica (para já) a incógnita sobre a opção dos argumentistas para a actual versão cinematográfica.
Sally Field (como a tia May), Martin Sheen (tio Ben), Chris Zylka (Flash Thompson), Denis Leary (capitão Stacy, pai de Gwen) e Felicity Jones (Felicia Hardy) integram igualmente o elenco do filme, que conta com a habitual breve aparição de Stan Lee, o criador original do Homem-Aranha.
Com novo filme da franquia já anunciado para 2016 e a hipótese de um outro para 2018, as notícias mais recentes apontam a possibilidade de entre eles surgirem dois spin-off, protagonizados por vilões bem conhecidos dos leitores de quadradinhos: o Sexteto Sinistro (composto por Duende Verde, Electro, Rino, Dr. Octopus, Abutre e Lagarto), num filme dirigido por Drew Goddard, e o simbionte Venon, numa película a cargo de Alex Kurtzman.




(Versão revista do texto publicado no Jornal de Notícias de 17 de Abril de 2014)

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