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03/04/2014

Comic ou formatinho?






Volto ao assunto que levantou alguma discussão aqui no blog, primeiro para publicar e comentar os resultados finais da sondagem que aqui decorreu entre 12 e 31 de Março, mas também para explorar alguns dados que entretanto compilei.
É já a seguir…

Como escrevi quando propus a consulta aos visitantes de As Leituras do Pedro a opção formatinho para editar banda desenhada de super-heróis estava completamente fora dos meus horizontes. Por isso, também, o resultado final é uma surpresa para mim.
E surpresa dupla. Desde logo pela dimensão da participação. Atingir 126 votantes é muito significativo e agradeço a todos os que se deram ao trabalho de o fazer. Revela também o interesse que a questão suscitou e poderá (deverá?) fazer pensar aqueles que editam super-heróis – e Marvel em particular – em português.
Formatinho ou comic?
Supresa também pelo resultado final. Sei que os especialistas da área considerariam a vitória do formatinho sobre o comic por 65 a 61 um ‘empate técnico’ mas, para todos os efeitos, a vitória foi do pequeno formato que imperou nos anos 80 e 90.
Uma das interpretações possíveis – a mais lógica, possivelmente - é que - num tempo em que o dinheiro está cada vez mais caro - os leitores preferem a quantidade mesmo tendo de abdicar da qualidade formal.

Se desde o início da votação optei por não fazer qualquer comentário nem responder aos que foram sendo deixados no blog, para não influenciar os resultados – e porque já tinha expresso a minha opinião no texto que a introduzia – a verdade é que aproveitei para conversar com algumas pessoas que estão ou estiveram ligadas à edição Marvel em Portugal nos últimos 15, 20 anos.
Fiquei assim na posse de alguns dados que me mostraram que o pressuposto de que partia a votação não era o mais exacto. Alguns deles foram explanados pelo José de Freitas como comentário no texto anterior. Porque podem ter passado despercebidos a muitos, abordo-os de forma ligeiramente diferente já a seguir.
Na realidade, o que mais influencia o preço de venda das edições, independentemente do formato, número de páginas ou qualidade do papel e da impressão é a tiragem. Passo a expor porquê.

Formato
A sua diminuição proporciona uma efectiva poupança no papel. Mesmo assim, menor do que se poderia pensar. Uma Comix (que serviu de termo de comparação a muitos para defender o formatinho) pesa cerca de 105 g contra cerca de 155 g de um dos recentes comics Marvel em português. A poupança da mudança de formato seria da ordem dos 30 %.

Impressão
Partindo da mesma comparação, a área de impressão de um comic é de cerca de 3,2 m2; a da Comix ronda os 3,4 m2. Por aqui nada a fazer; os custos não variariam.

Páginas
O aumento do número de páginas (para perto do dobro) faz disparar diversos custos: tradução, legendagem, pagamento à editora (que é feito por página)… Ou seja, uma edição em formatinho fica mais cara.

Tiragem
É público que a Comix tira 45 mil exemplares por mês. Não conheço valores oficiais, mas suponho que a tiragem dos comics da Panini espanhola deve rondar um décimo daquele valor. O que faz toda a diferença.

Evidentemente, já estou a antever muitos dos comentários: ‘se a Panini editasse 45 mil exemplares (ou apenas 15 ou 20 mil…) e fizesse uma boa campanha publicitária, a distribuição seria muito melhor, a exposição aumentaria e, com preços, bem mais baixos, venderia mais’.
Parecendo isto irrefutável – mas até que ponto? – pelo que atrás fica exposto funcionaria de igual forma quer para o formato comic americano, quer para o formatinho. Embora seja evidente que a oferta de BD por número deste último seria maior. Quase o dobro se a compração da pergunta que eu fiz se mantivesse: 132 páginas contra 72 páginas…
Comic ou formatinho?
A grande questão é que uma tiragem maior, implica um investimento bem mais elevado. Não custa o mesmo imprimir 5 mil ou 20 mil revistas, não custa o mesmo pagar os respectivos custos e direitos. E, não displicente, tiragem maior implica o aumento exponencial da quantidade de sobras – que é da ordem dos 50 % na Comix, daí a necessidade da sua redistribuição em caixas…
A própria Devir, quando editava comics, chegou a fazer uma segunda distribuição de alguns dos seus títulos …
Existe mercado que apoiasse esta opção? Eu não sei responder. Sei que as tiragens das edições Disney – que, acredito eu, têm um potencial público-alvo bem mais alargado - têm diminuído – embora continuem muito interessantes.

Poderia uma solução intermédia funcionar? A resposta final caberia sempre aos leitores mas, inevitavelmente (?), ficaremos sempre na dúvida…

71 comentários:

  1. A vitória do formatinho é um reflexo da faixa etária do fãs nacionais (e que frequentam o blog) tendo em conta que à mais de 15 anos não existem edições nesse formato... as saudades do formatinho é de dos leitores da década de 90 do século XX.

    E existe um factor em que o formatinho assasina as obras: o texto tem de ser cortado e bastante não existindo traduções mas verdadeira adaptações do texto original.

    As tiragens, o público de super-heroís para suportar uma tiragem elevada na ordem das dezenas de exemplares pode ser aferida consultando as tiragens progressivamente decrescentes da Abril/Controljornal que foram diminuindo drasticamente até desaparecerem.

    As edições da Panini só te menos 20 páginas que as edições regulares do tempo do formatinho, que tinha regra geral 80 páginas (e valores de produção muito inferiores)

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    1. Chaka Sidyn,
      A baixa sucessiva das tiragens das edições da Abril/Controljornal é sem dúvida outro argumento contra o formatinho.
      E concordo contigo quando referes que o pedido de formatinhp é uma questão de saudosismo de quem o teve na adolescência/juventude.
      penso que os critérios de qualidade e respeito pelos originais que hoje imperam na edição de BD não se coadunam com a opção por esse formato.

      Boas leituras!

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  2. Regressar ao formatinho seria mesmo uma derrota para a BD em geral.

    Voltaríamos a ter a população que não lê (e despreza) este género literário a poder rotular as edições de "Esses livrecos de bonecada que não são nem carne, nem peixe."

    A editora Crossgen tentou essa aventura algures em 2003 nas suas colecções Forge (compilações de várias séries originalmente em formato americano).

    O resultado foi a "morte" da editora.

    Senhores de Espanha, é favor tratarem-nos com o mesmo respeito que tratam os leitores do vosso país. Não venham para cá com soluções "low cost" como tudo o resto que nos é enfiado goela a baixo nos últimos três anos de crise.

    Sinceramente, que ideia mais deprimente.

    P.S.: Hum...será que a ideia era a de fazer crer aos leitores de Manga, que comics em formatinho seriam uma espécie de Manga.

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    1. Diogo,
      Concordo contigo, a BD de super-heróis - como toda a outra BD - deve ser tratada com respeito, o que implica a manutenção do formato original.
      A questão do formatinho, levantada por mim, surgiu na sequência de alguns comentários num texto anterior. A Panini espanhola não tem nada a ver com o assunto.

      Boas leituras!

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    2. Nºao foi só a Crossegen a Marvel e Dw tambem editaram Pokets de Bds no Mundo Fantasma tem n titulos em promoção.Eu mesmo tenho a Mini do Tocha e Aranha do Slott nesse formato mas tambem tenho o 0HC e não tem comparaçao.

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  3. Como eu já disse antes pra esta votação deveria haver uma 3ª opção que era semelhante ao do comic da Panini Brasil - formato americano - 64 páginas, papel pisa-brite - 2.10€, ou formato americano - 148 páginas, papel pisa-brite - 4.90€. Porém tenho dúvidas que uma editora portuguesa pudesse oferecer estas condições a estes preços, até porque os custos de produção de Brasil e Portugal devem ser diferentes, e o nível de tiragem que também deve influenciar no preço.

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  4. Eu falo por mim, se as edições da Panini fossem nesse formatinho, não compraria nem uma. Acima de tudo quero qualidade nas edições, se em relação à Comix acho o formato correcto para o tipo de leitura e de histórias, para o resto nem pensar. hoje em dia com as edições digitais com uma qualidade brutal, os livros têm de no mínimo acompanhar, caso contrário estão condenados. E eu comprei muito formatinho na década de 80, mas as coisas evoluem e voltar a esse formato, por exemplo no caso de super-heróis seria um retrocesso inadmissível. Mais, se eu fosse artista ou editora mãe, nem sequer o permitia.

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    1. Rui Ferreira,
      Como tu, muitos dos actuais leitores exigem qualidade nas edições.
      Se a opção fosse o formatinho, não sei qual seria o diferencial entre os que compravam por ser mais barato e os que deixavam de comprar pela falta de qualidade da edição...

      Boas leituras!

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  5. Anónimo3/4/14 15:34

    Após ler este artigo e vendo outros artigos que neste momento estão a ser publicados no leituras de bd em que são postas questões a várias casas de banda desenhada em que muito dos problemas das vendas nacionais (isto dito pelos donos) estão associados a falta de dinheiro pois a BD é sempre algo dispensável. Após ver que é de facto uma resposta constante, esta é uma variável que não pode ser esquecida. No entanto como pessoa relacionada em marketing não percebo a falta de publicidade e divulgação. Não vou me estender neste campo pois tenho várias ideias mas não percebo porque quando se vai ver um filme da marvel ao cinema não fazem alguma publicidade é barata e leva logo a um grande publico alvo e muito especifico em vez de fazerem da marca de gelados Ola e tratas do género. Quando fui ver o Capitão América estava la muita gente nova (12 a 25 anos) que tinha a certeza absoluta que nem sabem da existência das Bds e é nesse publico que temos de trabalhar, Novo publico. Boas leituras (Jopac)

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    1. Caro Anónimo,
      Perfeitamente de acordo. A falta de divulgação das novas revistas - confinada ao que os blogs da especialidade entenderam fazer - é incompreensível.
      Compreendo que não haja verba para campanhas televisivas, mas há muitos outros meios que deveriam ter sido explorados...

      Boas leituras!

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    2. Sim deve ser dificil fazer uma ediçoes de oferta com parte dos titulos e distribuir gratuitamente nas bancas.Assim pensei nisso mesmo agora.O marketing na tv só vai para cromos e inazimais mesmo havendo n series animadas nas tvs.

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  6. Estou de acordo com a sua visão, Pedro, até como já tinha comentado no artigo original.
    É claro que todos gostaríamos que fosse mais barato mas tal não seria nunca uma opção fácil de concretizar. Primeiro, porque a Marvel é hoje em dia dona de uma propriedade intelectual financeiramente relevante e, por conseguinte, de uma marca forte, mesmo que hoje em dia pareça ter mais preponderância no cinema que nos "comics". Depois, basta atentar que mesmo nos EUA, o seu mercado principal, as edições já saem a absurdos 4 dólares por número (quando aqui debatemos €3,5 por 3 números...). Ou os próprios TPBs americanos que, a 15 e 17 dólares, coleccionam apenas 5 números.
    Não só me parece que, nos dias que correm, a editora aceitasse ver o seu trabalho reproduzido em dimensões reduzidas que, sem dúvida, tiram mérito e qualidade (independentemente do papel) às ilustrações (pelo simples facto de que não foram desenhadas para esses formatos), como a própria complexidade visual e de efeitos de cor que hoje em dia usam, se não coadunam com esse formato. A verdade é que, Disney à parte, os grandes utilizadores do formato pequeno hoje em dia são maioritariamente obras a preto e branco.
    O formato brasileiro talvez pudesse ser um bom compromisso, mas duvido que a diferença de preço fosse significativa o suficiente para fazer a diferença. A verdade é que por exemplo a Image edita TPBs nesse tipo de papel, tirando cerca de 2 dólares de diferença dos TPBs equivalentes da Marvel e DC, por mais páginas, mas sendo uma marca com uma presença menos forte no mercado.
    Infelizmente 1992 já passou

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    1. V.
      A aceitação do formato pela Marvel é uma questão cuja resposta é desconhecida.
      Nos anos 90, os leitores Marvel só conheciam o formatinho (em Portugal e no Brasil) por isso a questão não se punha.
      O aparecimento das edições especiais em formato comic e a facilidade de importação das edições americanas que aos poucos se generalizou nos anos seguintes, levaram á natural mudança de hábitos.
      De certeza que a opção pelo 'formato brasileiro' com capa e papel inferiores, iria reduzir o preço ads edições. Quanto, não sei. Possivelmente pouco para justificar a diferença...

      Boas leituras!

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  7. Boa tarde Pedro, e restantes leitores.

    Como fui quem levantou tal questão, não poderia deixar de vir aqui comentar mais um excelente post do Pedro.

    Desde já agradecer uma vez mais ter sido levantada a questão "formatinho vs formato americano" pelo Pedro no seu blog, e depois comentar então aquela que foi uma vitória do formatinho sobre o formato americano, não de forma clara, mas foi uma vitória.

    Ora vejamos, se no formato se poupava logo 30% dos 3,50 euros que pagamos neste momento, isso equivalia a 1 euro mais ou menos. Logo, o comic custaria logo 2,50 euros.

    Agora uma pergunta ao Pedro, se "O aumento do número de páginas (para perto do dobro) faz disparar diversos custos: tradução, legendagem, pagamento à editora (que é feito por página)… Ou seja, uma edição em formatinho fica mais cara", então porque é que essa questão nunca foi uma questão no tempo do formatinho? É que o preço do formatinho eram 250 escudos (1,25 euros) e não fazia disparar custos nenhuns. Ao contrário de agora serem 3,50 por menos paginas.

    Agora a questão da tiragem. Se é certo que uma maior tiragem, traria um maior custo, também é verdade que se formos a pensar o problema como foi exposto, poderíamos comprar o comic nas condições atuais ao mesmo preço do formatinho, ou seja 1,25 euros. Mais comics, melhor distribuição a 1,25 euros, de certeza que a venda também iria aumentar e já não se colocava a questão do preço, dito e muito bem, um dos principais entraves a compra das revistas da Panini.

    Isto se o problema fosse tão linear assim, e aqui Pedro, desculpa-me discordar mas não é. Porque de certeza absoluta que se fosse, a esta hora já tínhamos os Comics a 1,25 euros nas bancas.

    Mais uma vez digo. As edições Disney não passam pelas mesmas dificuldades que a Panini, porque a Disney soube adaptar o produto a realidade do país. Apesar de ter sentido alguma quebra, continuam a vender muito bem, porque tem um preço incomparavelmente melhor e porque tem melhor distribuição e melhor publicidade.

    Se um pai for com um filho a um quiosque e o miúdo lhe pedir um comic do homem aranha e ao lado tiver o comix a 1,90 euros e com o dobro das paginas o pai vai lhe dar qual? O comicx e assim os novos leitores vão para a Disney, quando se calhar se os preços fossem equivalentes, eles iam para a Panini.

    Para a Panini sobreviver, este não é o caminho certo. O tempo irá me dar razão.

    Para terminar, vou parafrasear o Pedro e dizer "..Poderia uma solução intermédia funcionar? A resposta final caberia sempre aos leitores mas, inevitavelmente (?), ficaremos sempre na dúvida…"

    Cumprimentos amigos bedéfilos



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    1. The Next Big Thing,
      Primeiro um agradecimento por ter levantado esta questão que tem mantida 'acesa' a discussão aqui no blog!
      Como já escrevi atrás, os leitores de BD Disney são muitos mais e não conhecem outro formato. Os de comics habituaram-se ao formato original americano...
      Não é possível comparar o preço das revistas de há 20 anos com os actuais com uma simples operação de câmbio. Os tempos mudaram, a mudança para o euro fez disparar os preços, possivelmente os 3,50 € actuais seria menos que 250$00 nos anos 80...
      Agora concordo quando diz que 3,50 € pesa no bolso, sem dúvida.

      A grande questão volta a ser a mesma: o investimento (que não) houve em publicidade/divulgação e que não há em tiragens grandes... Virá a Panini a ser vítima disso? Só o futuro o dirá...

      Boas leituras!

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    2. "Os tempos mudaram, a mudança para o euro fez disparar os preços, possivelmente os 3,50 € actuais seria menos que 250$00 nos anos 80..." Correção - a Abril/Controljornal publicou comics entre 1995 e 97.

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  8. O nosso mercado é um paradoxo, num país permanentemente em crise, pensar-se-ia que o formato de bolso teria sucesso por ser uma opção mais barata para ter acesso a livros e a realidade comprova que não. A realidade o que diz é que o formato de bolso simplesmente NÃO RESULTA. Isto no mercado livreiro.
    Fazendo uma paralelismo com o mercado nacional de BD, arriscaria dizer que o formatinho da Abril foi o último resistente de um formato que antes dos anos 90 já estava moribundo, um comprovativo de uma tendência no mercado livreiro que tardou a chegar à BD. Porque pensam que ressuscitar esse formato, agora, para a BD, seria diferente?!

    Pessoalmente quero sempre a melhor relação preço/qualidade possível. Podia até ser em formatinho mas a arte não foi feita para isso, os balões teriam que aumentar para ter o texto visivel o que iria tapar a arte ou então iriam adaptar o texto. Não quero nem uma coisa nem outra por isso estou muito satisfeito com a solução actual que me dá 3 comics americanos por um pouco mais do que pago actualmente por um comic.

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    1. DC,
      Como dizia o Chaka Sidyn lá em cima deve haver por aqui saudosismo à mistura com a procura do mesmo por menos dinheiro...
      Nos anos 90 o formato comic era quase desconhecido e o respeito pela arte era pouco...
      A título de comparação, ainda há dias folheiei um Mundo de Aventuras dos anos 60, em que metade de uma tira era completamente tapada por uma faixa de publicidade...
      Neste aspecto, felizmente, os tempos mudaram. E para melhor!

      Boas leituras!

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    2. Não era desconhecido só era usado em ediçoes especiais e Gn. de heroisTartarugas Ninja.Capitão Planeta e Transformers sairam em formato americano logo no inicio da decada.

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  9. Joaõ XXIII3/4/14 16:35

    Penso que comparar Disney com Marvel é falar de alhos e bogalhos. De outro modo, basta atentar nas edições de manga ou da Bonelli para atentar que nem sempre o formatinho é mais barato à tabela dos preços que os da Disney conseguem praticar.
    Primeiro o pormenor do público-alvo torna os livros da Disney como bens de consumo imediato e, praticamente, descartável. Assim, o tipo de negócio é diferente do da Marvel que, nas suas edições cuidadas e extensas notas editoriais pretende apelar ao coleccionador. Talvez seja duro mas não me custa muito dizer que os Comix e Hiperdisneys foram feitos para ler e deitar fora. E se se veem muitos nos quiosques é, obviamente, porque não estão a ser vendidos, pois uma compra de uma publicação desse tipo não está a concorrer com publicações do tipo da Marvel, mas sim com outros produtos de consumo imediato presentes nos quiosques, como guloseimas, autocolantes e outros semi-coleccionáives de baixo custo e de baixa qualidade.

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  10. Pedro,

    Não há nada a agradecer. A levantar-se estas questões é em sítios onde realmente se fale em BD (o que é o caso deste blog) e não se fale de outras coisas que é tudo menos BD, como em outros blogs do género.

    Voltando à questão, eu percebo que os leitores da Disney são muitos mais e não estão habituados a outro formato que não este, que com a mudança do formatinho para o formato americano as pessoas se tenham habituado a esse formato. É melhor, tem um papel melhor, tem uma impressão muito superior, etc etc. E, claro que falar agora em regressar ao formatinho a pessoas, e aqui é que reside a questão, que tenham capacidade financeira de uma maneira ou de outra, com maior ou menor dificuldade, para comprar as referidas publicações, é uma questão que eles nem querem que se coloque.

    Entendo perfeitamente...mas também levanto outras questões: e aqueles que não têm essa possibilidade e deixaram de comprar exatamente por causa do aumento do preço? E aqueles jovens leitores que se calhar ate gostavam de comprar o Homem Aranha, mas a semanada não dá para tudo? Isso não faz também com que o que se podia vender mais, se venda muito menos?
    Dá um bocado que pensar certamente.

    Pedro, estas questões só se levantam porque passamos a ter melhor qualidade. Lá está, passaram a dar-nos um produto melhor. Mas será que isso foi uma boa jogada? Não terá sido a jogada da Disney mais acertada em manter sempre o mesmo formato, e não dar às pessoas um produto melhor mas mais caro, num país onde a economia está como está?
    É a mesma coisa do que eu agora dar um Ferrari a uma pessoa que tem um Fiat Punto. E se ela não tiver condições para sustentar o Ferrari? Acredito mesmo assim que nem lhe queira passar pela cabeça ter de voltar a andar de Fiat Punto.

    As edições atuais são sem duvida alguma uns Ferraris comparados com os formatinhos. A questão é..estamos num pais para sustentar Ferraris? Não me parece.

    Quanto à tua ultima questão e também concordando com ela..essa e mesmo a grande questão.
    Já tivemos uma má experiência. Espero não termos outra.


    Cumprimentos Bedéfilos.

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  11. "A grande questão volta a ser a mesma: o investimento (que não) houve em publicidade/divulgação e que não há em tiragens grandes... Virá a Panini a ser vítima disso? Só o futuro o dirá.."

    Essa é que vai ser a chave da questão!!???
    publicidade/divulgação 0
    Misterios das tiragens!!!???
    Pessima distribuição!!!???

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  12. Há aqui várias questões que penso que devem ser colocadas e que acho que o THE NEXT BIG THING acerta completamente com o seu comentário.

    A nossa realidade em Portugal como leitores de Bd passa pela eterna queixa de não termos mercado, de não haver leitores, os miudos hoje em dia interessam-se por jogos etc e não ligam nada à BD. Pudera, eu faria o mesmo. Como alguém disse mais acima, eu também não voltava ao formatinho para ler super herois. Mas isso somos nós que trilhámos esse caminho. Não são os miudos de hoje em dia. Acho que quem quer disseminar a leitura de BD em Portugal, tem de parar de a tratar como se fosse obra de arte. Uma coisa somos nós que consideramos Bd como obras de arte (e muito correctamente), outra coisa são os miudos que querem ler uma aventura do homem aranha ou seja quem fôr. Para esses a Bd tem de ter o valor que o entretenimento tem hoje em dia. Tem de ser prática e descartável. Não vão estar preocupados com o papel e a impressão etc. Isso preocupamo-nos nós. Mas eles não. E eu tembém nao me preocupava quando tinha 12 anos. Belas férias que passava todos os anos em que quase todos os dias levava uma bd para a praia, para ler enquanto secava ao Sol, entre um banho e o outro. É isso que nós estamos todos a negar aos miudos de hoje, quando nos focamos em preocupações de adultos em relação a um 'produto' que é (sim, efectivamente TAMBÉM É) para crianças.

    Não existe saudosismo pelo tamanho do formatinho. Existe uma questão prática inerente ao formatinho que hoje em dia nao existe, e que coloca a grande maioria da Bd à venda como um produto de coleccionador ou de alguém interessado o suficiente para gastar um pouco mais para ter qualidade. E eu acho que assim deva ser. Eu desenho, e obviamente tudo o que não seja como o original faz-me impressão. Mas isso sou eu agora. Há 20 anos atrás queria era a minha dose de Bd, fosse em que formato fosse, e pelo menor preço possivel.

    Por isso, eu acho que o grande problema com a juventude actual e a Bd, não parte dessa juventude, mas sim dos proprios consumidores de Bd mais antigos que insistem em que a sua forma de apreciar Bd seja a unica a ser implementada. Claro que temos que tratar a Bd com todo o respeito, mas negar a possibilidade a uma criança de 9 anos de ler um homem aranha, porque a Bd não deve ser em formatinho.... Não concordo nada.

    Isto não tem nada que saber no que vai dar (e que já aocntece bastante). Hoje em dia os putos têm entertenimento barato e imediato. A Bd está fora do alcance deles, ao contrário das aplicações dos telemóveis e todas as outras modernices. Resultado, mesmo os que gostam de Bd não a vão comprar. Porquê? Arranjam-na toda na internet, de graça, e quando quiserem. Os miudos hoje percebem inglês muito mais cedo. Ou seja, irão criar o hábito de muito raramente adquirirem seja o que fôr de Bd. Mas sinceramente, eu faria o mesmo. Se fosse miudo, qual o prazer de ter uma bd do Capitão América se não a pudesse levar para a praia?

    PS-Tenho comprado as Comix, não para as ler eu, mas para quando tiver crianças de 5 anos, eles puderem pegar em Bd. Tenho pena que não haja à venda semelhante com o Thor, o Hulk, o Batman e o Super Homem. Na minha Bd os meus filhos não vão tocar durante uns anos. É normal, são obras de arte e não quero que rasguem nada. Mas estaria a cometer um crime se lhes vedasse acesso a Bd de super herois desde tenra idade.

    Abraço

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    1. Totalmente de acordo eu quando era formatinho comprava para ler e me entreter tanto quec saltei n numeros do Aranha e Lja porque o argumento ou desenho não me agradava.
      O problema de paninis/Marvel/Dc é esse de se virar para o publico colecionador a dai o aumento de preço a capa dura etc e tal se me viessem com esses enfeites quando tinha dose anos e eu só queria a proxima Transformers ou Aranha eu dizia que estavam malucos.

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  13. Outro promenor mesmo nos usa é o preço alguem que nunca leu Aranha ou Superman vai ler pagando 4 ou 5 dolares por cada numero ou tpbs hc e sc entre os 20 e 30 dolares.Essa ganancia vai custar caro no futuro.

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  14. O problema é que esses argumentos não podem ser dirigidos à Panini ou às edições portuguesas em si mesmo. É óbvio que nunca a Marvel iria concordar em vender "downgrades" dos seus produtos correndo o risco de não os valorizar, para fazer mais alguns cobres em mercados irrelevantes para a marca. É um problema do negócio BD no seu todo, aqui, na américa, na frança ou no japão. E sinceramente acho que mais vale segurarem-se nos coleccionadores, porque competir com outras formas de entretenimento infanto-juvenil seria suicídio a todos os níveis.

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    1. Err V a partir do momento que lancas 1 produto quaquer no mercado jogos bds tablets estão a concorrer com todos os outros é asim em tudo.E nem todos fazem analises Swot para ver se o produto tem fraquezas e forças do Produto.

      "É óbvio que nunca a Marvel iria concordar em vender "downgrades" dos seus produtos correndo o risco de não os valorizar, para fazer mais alguns cobres em mercados irrelevantes para a marc"

      Falta saber se a Marvel sabe no Brasil a dc não ficou contente quando viu que era deixada para 2 plano pela Panini tanto é que esteve quase para sair da Panini se ela não renegociasse o contrato e lancasse tudo dos New 52..Quanto ao Dowgrade no Brasil até sairam Pokets a uns anos atras.

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    2. Não sei se é bem assim. A partir do momento que um produto é direccionado a um mercado muito específico é óbvio que, em princípio, foi feito para apelar apenas a esse mercado. Basta ver que mesmo dentro da BD muitos produtos não competem directamente uns com os outros. Duvido que alguém hesite seriamente entre um livro Disney e um livro da Chili Com Carne, ou entre um Bonelli e um Monica Teen.
      De outro modo, o Brasil é claramente um mercado à parte e que nem vale a pena fazer comparações com o nosso. Por um lado é um dos grandes mercados emergentes mundiais em que a classe média mais cresce por outro, e associado a isso, é também um país de grandes diferenças sociais também, e não só, ao nível dos rendimentos. Sendo também um país com grande tradição de edição de histórias aos quadradinhos e com um mercado nacional muito activo, é natural que as grandes marcas americanas tenham de ter outras estratégias para penetrar num mercado desse tipo, procurando ganhar espaço às publicações nacionais e tentando captar o maior número de leitores.

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  15. Pessoalmente não compraria qualquer BD em formatinho/pior qualidade e a principal razão é uma que penso até aqui ainda não ter sido referida.
    Hoje em dia, qualquer um, tem acesso aos comics sem ter de pagar. Logo quem está disposto a pagar fá-lo pela qualidade de uma boa edição, por respeito aos autores, etc, etc.
    Já várias vezes comprei BD que já li em formato digital, muito pelo prazer de reler em formato papel, algo que nunca farei se a edição papel for de má qualidade.

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  16. PC
    Eu faço o mesmo. Algumas vezes depois de ler em digital vou buscar o fisico. No entanto considerar que qualquer um que pague é devido à "qualidade de uma boa edição, por respeito aos autores, etc, etc." é uma razão com a qual não posso concordar totalmente. Muita gente compra porque detesta ler no pc. Muita gente não sabe obter Bd para o PC (nem todos mexemos em torrents etc). Muita gente prefere mesmo sentir o livro nas mãos, e por aí fora. Ou seja, nem toda a gente tem acesso a comics sem pagar, e para dizer a verdade, uma das coisas que me levou a comprar os primeiros Comix, foi porque assim poderia ter Bd sempre no carro, ou numa mochila que anda sempre comigo. Pela simples razão de ter Bd à mão em qualquer lugar.

    V
    Apesar de não concordar inteiramente com a premissa do comentário, o que discordo mesmo são dois pontos. Primeiro a referência ao Japão. A facilidade de aquisição de Bd no Japão em termos económicos e fisicos deveria ser um exemplo para o resto do mundo. Não é por acaso que se vê pessoas a ler Bd em todo o lado. Mais, no Japão há muita muita gente que consome Bd mas que não a colecciona, desfazendo-se mesmo do objecto (Bd) após a leitura. Só assim é que eles conseguem ter o mercado e industria que têm. Ou seja, para mim coloc´-los no mesmo saco que a Europa e os Estados Unidos não faz qualquer sentido.
    O que me leva à 2ª discordância, que é "acho que mais vale segurarem-se nos coleccionadores...." . Olhemos novamente para o Japão. A Bd precisa de estar integrada na sociedade se quiser ter crescimento de mercado. Não são só os conteudos que necessitam de ser abrangentes. A associação com o animé e com filmes lá é constante. Claro que há uns que só se interessam por umas coisas e outros por outras. Mas a Bd não deveria ser direccionada SÓ para os que já a consomem. Acho que devia tentar, não competir, mas associar-se com outras formas de entretenimento.

    Eu sei que o mercado deles é completamente diferente, mas a verdade é que a a forma como eles se mexem como industria também é. São mais abertos do que nós somos por cá. Eu já disse, não compraria formatinho, mas conheço muitos miudos (devido ao meu trabalho) que iriam preferir levar um homem aranha para casa em vez de um Comix. No entanto nunca vão ter essa opção enquanto pensarmos assim.

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    1. Quando falei no Japão, era apenas e só para o incluir no grupo como país cujo mercado de histórias aos quadradinhos muito diminuiu quando comparado a décadas passadas, e por causa não só da recessão económica com que o país aos anos se tem debatido, como do crescimento e aparecimento de outras formas de entretenimento.
      Por outro lado é óbvio que mesmo assim tem lá uma presença muito mais assídua e que perpassa todas as gerações. Se obviamente lá muitas edições são de ler e deitar fora isso é um tracto cultural que era antes também o era no mundo ocidental. Eu pessoalmente considero que o facto de hoje em dia as editoras não fazerem edições para deitar para o lixo uma vitória.
      Agora querer integrar mais BD produzindo mais lixo não sei se vale a pena.
      De outro modo o que se poderia colocar era que as grandes editoras ocidentais decidissem produzir, de raiz (obvia e obrigatoriamente), edições desenhadas para formato mais pequeno e sem côr.
      Se conseguissem atrair alguns nomes grandes para esse projecto, ou resultasse em alguma coisa nova e interessante que não apenas a maximização das margens de lucro, é óbvio que seria perfeitamente a favor. Agora alterar trabalho editado noutro formato para vir lançá-los a um mercado minúsculo como o nosso não faz o menor sentido.

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    2. No Japão a distribuição em quiosques funciona ao contrário da nossa.

      A saber, no ocidente a distribuição é feita entregando-se os exemplares para a distribuidora, que os põe à venda e, terminado o ciclo, devolve as sobras e paga o valor correspondente aos exemplares vendidos (menos, claro, a parcela dela e do lojista).

      No Japão é ao contrário. As distribuidoras COMPRAM o lote de revistas (bem mais barato do que o preço final, claro!), põem-nas à venda e, terminado o ciclo, devolvem as sobras e recebem de volta o que pagaram por elas. Ou seja, se não fizerem o seu trabalho direito PERDEM dinheiro!

      Por isso que no Japão há editoras monolíticas indestrutíveis e distribuidoras frágeis que vão à falência todo o tempo.

      Portanto é absolutamente IMPOSSÍVEL para uma BD de quiosque no ocidente vender nos moldes japoneses de edições baratas e descartáveis. Nem na França ou na Bélgica! A comparação não funciona.

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    3. É impossível comparar o Japão com qualquer país europeu. Muito menos com Portugal.

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    4. V
      Ninguém aqui está a defender que se façam edições para mandar para o lixo. Mas estou a defender que se façam ediçoes que um adulto possa pôr nas mãos de uma criança (ou que possa levar para a praia e encher de areia) sem pensar que está a cometer um crime. Só porque alguém lê uma Bd e se desfaz dela não quer dizer que tenha sido editada para ser mandada para o lixo. Alguém a leu, logo não foi desperdicio. As bds que nós compravamos quando eramos miudos, foram todas para o lixo? Claro que não. No entanto, estão protegidas cuidadosamente num armário? Se calhar a maioria está no sotão em caixas de cartão. Portanto não foram bem para o lixo. Se tivermos mais gente a ler Bd mesmo que as edições não sejam todas cuidadas, isso sim é que seria uma vitória para a Bd em vez do que temos hoje em dia.

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    5. Hunter
      Esse argumento de comparação e explicação das distibuições etc não avança nada o que está a ser discutido. Penso que concordamos que TODA a gente aqui sabe que tanto o mercado Japonês como Brasileiro se mexem de forma diferente da nossa por variados motivos. Eu não falei de distribuições nem culturas etc etc. E os pontos que colocas poderiam ser rebatidos no que toca a cultura, especialmente no caso do Brasil. Mas não o vou fazer porque interessava-me mais que me respondessem à questão que coloquei. Ainda não vi aqui ninguém me explicar como é que o formatinho era má opção se quisessemos fazer com que as crianças voltassem a pegar na Bd.

      A Goody (obviamente direccionada a um publico jovem) venderia tanto se o formato fosse o tal mais cuidado? E o Mauricio ainda estava por cá? e os Japoneses? Se 90% das suas edições não fossem a preto e branco e em edições muito menos trabalhadas que as americanas e as europeias, também continuavam a vender como vendem? (ah, e esqueçam o digital de graça. manga é o que se vê mais na net, enquanto Bd europeia é quase impossivel de arranjar, e no entanto cá fora, não é a manga que continua a vender mais?

      Quanto a opções de mercado e industrias e distribuição, esqueçam isso tudo para já. Se estamos a navegar à deriva não interessa com que remos o fazemos. A forma de pensar que temos tido, resulta no mercado que temos em Portugal. Enquanto não pensarmos em trazer os jovens para cá, esqueçam qualquer outra coisa. E não nos pudemos escudar atrás das nossas tecnologias. Se todos tivessem pensado assim, já não haveriam livros para ler.

      Abraço

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  17. A única pessoa a quem eu tiro o chapéu, e que realmente entendeu o que quis dizer foi o Luis Sanches e também em parte o Optimus Primal.

    O resto dos comentários são de pessoas que não se importam minimamente com possíveis futuros novos leitores, mas apenas com a BD como produto colecionável.

    Enquanto a mentalidade for essa, o futuro da Panini será o mesmo que teve a Devir com muita pena de quem gosta realmente da verdadeira essência da BD,

    Cumprimentos bedéfilos


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    1. Olá,

      Ia comentar acerca deste tema, mas pelo que li até agora, disseste tudo o que estava a pensar, pelo que vou limitar a apoiar o que dizes. Acho que tens toda a razão, e apenas acrescento o seguinte:
      Quem acha que a Marvel (ou outra qualquer editora) não irá nunca permitir um downsizing do seu produto, tem que se lembrar que aquilo é um negócio, e se significar ter mais cliente mais mais novos, serão os primeiros a fazê-lo. Aliás, já o fizeram bastantes vezes quando publicam trades a preto e branco.

      Cumps,

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    2. Olá NR,

      Obrigado pelo teu comentário.

      É tudo uma questão de números. Que só teríamos a resposta se fosse feita a experiência.

      Cumprimentos Bedéfilos

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  18. Como já disse antes, mesmo o formatinho Marvel e DC nos tempos da A/CJ vendeu pouco e foram cancelados e passados uns anos foram os da Disney.

    Pensam que o formato mais pequeno e mais barato é sinónimo de boas vendas, mas desenganem-se. Se calhar podiam captar algumas (poucas) crianças a comprar comics, mas faziam os fãs de longa data, não comprarem. E um projeto que não capta esses fãs antigos, também está fadado ao insucesso.

    E lembrem-se dos casos de Astérix, Lucky Luke e Tintim que venderam e vendem e não precisaram de ser adaptados pra formatos bem reduzidos.

    E o facto de se publicar em formato reduzido pode não ser sinónimo de preço baixo. Olhem o caso da Mythos que publica os seus fummettis num formato ainda mais reduzido que o original e com um papel mais fraco e a exorbitância de preços que pratica.

    Relativamente à questão da distribuição dos Paninis PT-PT, aconselho os consumidores a pesquisarem mais nas grandes superfícies, em vez de perderem tempo a ir de banca em banca. A tendência global é pra cada vez mais serem os shoppings, hipermercados, megastores, a venderem estes produtos. Por exemplo, deslocam-se a qualquer cidade espanhola, e praí uma em 10 bancas é que vende comics.

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    1. Boa tarde reignfire,

      Li o seu comentário e não poderia deixar de responder, uma vez que ele está cheio de incongruências, e até me arrisco a dizer que tem mais buracos que um queijo suíço.

      1º- Quanto ao cancelamento do formatinho Marvel e DC da A/CJ temos de ver quanto tempo demorou o mesmo a ser cancelado, o volume de vendas que teve e comparar por exemplo com os lançamentos Devir, o seu formato americano, e o seu volume de vendas e o fracasso que foi. Quanto à Disney, apesar de ter sido cancelado, REGRESSOU e continua com excelentes vendas. E adivinha? Regressou com o mesmo formato. O formatinho.

      2º- Sou um colecionador e fã dos antigos que já venho do fim dos anos 80, princípios dos anos 90, e digo que não deixaria de comprar comics, muito pelo contrário, passaria era outra vez a colecionar comics. Como eu, está um grupo de amigos que deixou de comprar também por causa do preço inflacionado dos novos comics. Por isso, não pode falar numa forma generalizada, pode apenas falar por si. Quanto aos novos leitores, penso que não devia desprezar tanto a sua importância, por têm tanta ou mais importância que os colecionadores antigos.

      3º- Menciona o exemplo da Mytos e eu menciono o exemplo da Disney. Em que ficamos?

      4º- O maior tiro no pé e maior incongruência em todo o seu comentário. Uma das grandes bases para se ter sucesso é a DISTRIBUIÇÃO ou neste caso a falta dela. Pelo seu comentário, ou não percebe nada do assunto ou está completamente desfasado da realidade. E aquelas pessoas que vivem longe de centros comerciais e grandes superfícies? Aquelas que não vivem nas grandes cidades? Não têm direito a ir ao seu quiosque e comprar o seu comic??!! Esta não percebi mesmo!!

      Cumprimentos bedéfilos.

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    2. Nunca vi uma Panini em uma grande superfície - e faço a maior parte das minhas compras em um Continente gigante (o do Centro Comercial Colombo, para ser exato).

      Compro lá é muitas Disney da Goody, mas a distribuição delas é bem melhor.

      E quem não mora nas grandes cidades, acreditem em mim, tem MUITO mais chances de encontrar essas BDs! Não as vi à venda em nenhum sítio de Lisboa, mas agora que trabalho no Fundão compro todas as Panini (e as Bonelli da Mythos) com facilidade! Por algum mistério que eu não sei explicar, a distribuição de BDs no interior é MUITO melhor do que em Lisboa!

      O que deve explicar as baixas vendas...

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    3. "1º- Quanto ao cancelamento do formatinho Marvel e DC da A/CJ temos de ver quanto tempo demorou o mesmo a ser cancelado"

      Os formatinhos Marvel e DC duraram 2 anos e 9 meses, Baixas vendas. A A/CJ se calhar até conseguiu cativar alguns leitores novos, mas não foram suficientes pra manter os projetos Marvel e DC, vivos. A A/CJ viu o seu contrato com a Marvel terminar nesse tempo em que editaram e não houve condições pra renovar. Relativamente a DC e Image, poderiam ter estado praí mais 2 anos a lançar Superman, Batman e Spawn, ou menos mal, a importar as edições brasileiras, mas acharam que mesmo assim, não valia esse investimento.

      "lançamentos Devir" - duraram pouco mais de 5 anos com vários atrasos pelo meio.

      Tenho ideia que tanto a nível de A/CJ e Devir, deviam vender cerca de 1/3 da sua tiragem, e DC vendia bem menos.

      "Quanto à Disney, apesar de ter sido cancelado, REGRESSOU e continua com excelentes vendas. E adivinha? Regressou com o mesmo formato. O formatinho." -Vendem metade da tiragem, obrigando-os a pouco tempo depois repôr as revistas à venda em pacotes. Excelente não se pode considerar, mas aceitável, digamos.

      "Como eu, está um grupo de amigos que deixou de comprar também por causa do preço inflacionado dos novos comics." - Não acredito que esse caso seja generalizável. Acho que é mais por uma questão de interesses pessoais. Como alguém dizia que conhecia gente que vinha com a desculpa de que não podia comprar comics porque achava-os caros, mas depois não tinha problemas nenhuns em dar 50€ ou mais por um jogo de Playstation.

      "Quanto aos novos leitores, penso que não devia desprezar tanto a sua importância, por têm tanta ou mais importância que os colecionadores antigos." - Eu não desprezo. Apenas considero errado desprezar os leitores antigos. Acredito que mais facilmente novos leitores iriam ler formato americano que os antigos iriam ler formatinho. E não acredito que o preço do formato americano seja impeditivo dos papás comprarem as bd's aos filhos. Se compram-lhes roupa de marca, telemóveis topo de gama, jogos de consola caros, etc., não vejo que uma revista de 3.50€ por mês seja um buraco nas finanças deles. Lá está, é uma questão de interesses.

      "Menciona o exemplo da Mytos e eu menciono o exemplo da Disney. Em que ficamos?" Mas o que é comum a Marvel e Bonelli é que pra estes serem lançados em formatinho tem que haver uma adaptação de formato o que implica mais custos, e pelos vistos no caso da Disney não se põe essa questão, acho eu.

      "Uma das grandes bases para se ter sucesso é a DISTRIBUIÇÃO ou neste caso a falta dela. Pelo seu comentário, ou não percebe nada do assunto ou está completamente desfasado da realidade. E aquelas pessoas que vivem longe de centros comerciais e grandes superfícies? Aquelas que não vivem nas grandes cidades? Não têm direito a ir ao seu quiosque e comprar o seu comic??!! Esta não percebi mesmo!!" - É fácil de perceber. As revistas da Panini são lançadas com uma tiragem baixa e quando assim é, é espectável que sobretudo as pequenas localidades não as tenham. E mesmo nas maiores localidades é natural que se encontrem mais facilmente as revistas nas grandes superfícies que são bastante frequentadas e até reúnem condições de as expor melhor, do que nas bancas de bairro.


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    4. Lá vamos nós voltar à mesma história...

      1º- A Abril/ CJ tinha muitos mais títulos do que a Devir. Logo o número de vendas foi superior ao da Devir, tendo em conta a relação títulos/tiragens/vendas. Posso lhe tentar saber isso ao certo para lhe dissipar qualquer duvida em relação a esta questão.

      2º- As vendas dos títulos da Disney não são aceitáveis, são muito boas. Tem títulos semanais, mensais, trimestrais e especiais. Se não vendesse penso que não teriam estes títulos todos. Quanto à Panini é o que se sabe...

      3º- Não acredita que este seja um caso generalizável, ou não quer acreditar? São coisas distintas. Enquanto não se fizer a experiência nunca ficaremos a saber. Facto é que a Devir não vingou, e que, ou muito me engano e a Panini vai pelo mesmo caminho.

      4º- " Se compram-lhes roupa de marca, telemóveis topo de gama, jogos de consola caros, etc., não vejo que uma revista de 3.50€ por mês seja um buraco nas finanças deles.", isto é uma visão completamente errada do mundo que nos rodeia. Sou professor e como já disse em cima, tenho turmas de 27 alunos em que a maioria não tem dinheiro para levar um pão para o lanche. A maioria dos miúdos os pais passam dificuldades. Não era bom um pai desses poder dar um agrado ao filho se o comic fosse muito mais barato? Pois..vale a pena pensar nisto, e não em falácias de pais ricos e meninos de bem.

      5º- Implicava mais custos agora porque quiseram vir com um produto em que não temos mercado para ele. Já aqui disse, a Disney soube adaptar o produto ao mercado e por isso tem resultados. A Devir errou e a Panini esta a ir pelo mesmo caminho.

      6º- "As revistas da Panini são lançadas com uma tiragem baixa e quando assim é, é espectável que sobretudo as pequenas localidades não as tenham." , tiragem baixas, preços altos e expectativas de não se venderem nas pequenas cidades, é o mote para um grande sucesso, não haja dúvida.


      Cumprimentos bedéfilos.

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    5. "1º- A Abril/ CJ tinha muitos mais títulos do que a Devir. Logo o número de vendas foi superior ao da Devir, tendo em conta a relação títulos/tiragens/vendas."

      Não percebo a lógica de se comparar A/CJ com Devir. Há é que mencionar os factos: e o facto é que a A/CJ mesmo lançando formatinhos a 1,25€ teve vendas baixas em Marvel e piores em DC. Não sou eu que o estou a inventar. A verdade é que o público português é desinteressado no que respeita ao ato de leitura, e no que respeita à bd, ainda mais. Sempre foi assim.

      "Sou professor e como já disse em cima, tenho turmas de 27 alunos em que a maioria não tem dinheiro para levar um pão para o lanche. A maioria dos miúdos os pais passam dificuldades. Não era bom um pai desses poder dar um agrado ao filho se o comic fosse muito mais barato?" - lol. E eu é que sou incrongruente. 1º afirma que não têm dinheiro pró lanche, mas depois já têm dinheiro pra comprar uma revistinha.

      "6º- "As revistas da Panini são lançadas com uma tiragem baixa e quando assim é, é espectável que sobretudo as pequenas localidades não as tenham." , tiragem baixas, preços altos e expectativas de não se venderem nas pequenas cidades, é o mote para um grande sucesso, não haja dúvida."

      Eu não defendo as tiragens baixas, mas é a opção que eles acharam mais correta pró nosso país e face a nossa realidade bedéfila. Se as vendas forem satisfatórias pode ser que até decidem em aumentar os títulos e as tiragens.

      E os preços não são altos. São bastante aceitáveis pró produto que é - 3.50€ por 3 comics em formato americano e papel plastificado, não se vê em lado nenhum. Um comic americano de 32 páginas à taxa de conversão atual custa 2.91€.

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  19. Reignfire
    Acho que escolheste exemplos que injustamente servem o teu ponto de vista :) Vou fazer o mesmo mas para o meu lado :) :)
    Sim, Astérix, Tintim e Lucky Luke não precisaram de formatinho para ainda venderem. Correcto. E as outras centenas de Bd Europeia que apareceu nas duas ultimas décadas e que agora não se vê em lado nenhum? Será que se tivessem beneficiado do formatinho poderiam ter criado uma base maior de seguidores? É que se bem me recordo, os (apenas) 3 (!) titulos que referes, há muitos anos atrás, tiveram as suas primeiras exposições ao publico através de revistas bem mais simpáticas ao bolso dos leitores do que os albuns em que agora são tão famosos.
    Não é por acaso que no Japão há revistas com o mesmo tipo de função. E apenas depois de se saber que houve recepção do publico no geral a um titulo é que se começam a pensar em serializações etc. Do outro lado do mundo temos o exemplo do Mauricio, que sendo esta industria como é, aguentou-se década após década a expandir o seu universo de personagens. Primeiro criou a sua base. Todos os miudos sabiam quem era a monica e o cascão. Hoje, passado 15 anos, pode fazer as edições especiais que quiser, vai haver sempre compra. Os miudos cresceram. Devido aos 'gibis' tornaram-se leitores de outra Bd. E o Mauricio tem Bd para eles. É importante notar que o Mauricio após todos estes anos, com as inovações que aconteceram no seu 'produto', a tentativa de entrar no mercado digital, criação da turma adolescente da mónica em formato mangá, estas ultimas recentes adaptações dos seus personagens para um publico mais adulto, apesar disto tudo, o Mauricio não se esqueceu do essencial. Continuam a haver 'gibis da turma da monica em qualquer lugar e a um preço acessivel. Estamos aqui a falar de uma pirâmide. E o que se passa em Portugal, é que andamos a tentar construir o topo (preocupados com qualidade de edição e papel) sem nos preocuparmos minimamente com a base que a sustenta.

    Mas pronto pessoal, isto é só a minha opinião. Não quero ser chatocom isto.

    Abraço

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    1. Subscrevo por baixo o seu comentário.

      Tocou no ponto chave. Querer começar a construir a casa pelo telhado sem se ter a base que sustenta esse mesmo telhado. Isso é o principio do fim para qualquer editora que caia nesse erro.

      Não estamos a ser chatos. Simplesmente a discutir pontos de vista que só podem ser benéficos para a BD no geral.


      Cumprimentos bedéfilos

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  20. Marvel Now pela Panini ao redor do mundo:

    http://www.marvel616.com/2013/10/a-marvel-now-pela-panini-ao-redor-do.html

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  21. Eu acho que alguns não estão a ver as coisas adaptadas à época em que estamos. Querem BD barata e com qualidade excelente? Comprem digital. Não há editora americana que não tenha as suas publicações todas online e as grandes Francesas/Belgas também já estão todas.

    Hoje em dia quem estiver atento a promoções online consegue bds entre 80 cêntimos e 2 euros.

    Fala-se aqui como se a geração de hoje fosse igual à de 80. As coisas mudaram e evoluíram, os miúdos hoje em dia têm pc, tablets, ipads, etc. Este é que é o grande novo formato de divulgação de BD, livros a 80 cêntimos quem é que os imprime?

    Portanto acho que está na altura de ver as coisas noutra perspectiva. Cada vez mais os livros impressos serão menos e mais caros. Mesmo as publicações mensais, e portanto reservadas a quem realmente gosta, aprecia e deseja muito possuir os livros físicos, em papel (coleccionadores maioritariamente). Caso contrário vamos ler a apagar.

    Penso que é neste novo suporte que se tem de apostar e divulgar, porque é ai que estão os jovens hoje em dia. E mais, lá por serem jovens, mesmo que muito jovens (6-7 anos) já têm a noção do que é bom e mau, depois de verem uma edição de grande qualidade, quem os vai convencer a ler um livro em papel quase de jornal, com uma qualidade muito baixa, apesar de a cores?

    Deixem os vossos filhos ver um filme do shrek ou do Rio, ou das recentes produções da Disney e depois dêem-lhes a Heidi ou o Marco do nosso tempo a ver se eles querem ver.

    Cumprimentos a todos

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    1. Joaõ XXIII4/4/14 12:36

      Este parece-me o ponto mais acertado. O digital ganha força e todo o mercado livreiro esta a sofrer os mesmo problemas.

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    2. Boa tarde Rui Ferreira,

      Concordo com o seu comentário e todos nós sabemos que se quisermos até temos as edições e não pagar um cêntimo por elas. Mas aí não está a questão.

      Eu como sou professor, estou à vontade para focar um aspecto muito importante que referiu quando diz "As coisas mudaram e evoluíram, os miúdos hoje em dia têm pc, tablets, ipads, etc.". Eu pergunto, que miúdos fala? É que eu tenho turmas de 27 alunos, em que 19 não têm dinheiro para levar um pão para o lanche. Acha que é tão simples assim? Acha que é tão linear assim o facto de todos terem acesso a novas tecnologias?

      Aconselho-o então a fazer um estudo aprofundado da população portuguesa fora das grandes cidades. Mais para o interior por exemplo. Terá uma (desagradável) surpresa e vai ver que a visão que tem não é nem de perto nem de longe a mais correta e a mais realista.


      Cumprimentos bedéfilos



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    3. Rui Ferreira,

      É exactamente como THE NEXT BIG THING disse acima. Também lido com crianças todos os dias. Apesar dos adolescentes não serem propriamente iguais aos dos anos 80, as crianças são. E está enganado quando diz que elas olham dessa forma para o digital. As poucas (como o THE NEXT BIG THING disse acima) que têm acesso ao digital não fazem para ler Bd. Se não tiver movimento no ecran e fizer sons, não lhes interessa. Passe-lhes uma Bd da monica para a mão que eles possam dobrar, levar com eles, ou até (ai a blasfémia) ou até pintar (no caso dos mais novos), e vai ver que o digital não lhes diz nada.

      Os miudos de 6 ou 7 anos não partilham da sua definição do que é uma edição de qualidade. Primeiro, gostaria de conhecer um pai que regularmente compre uma Bd com essa tal qualidade (e portanto, mais cara) e a coloque nas mãos de uma criança. Não há. Mas se houvesse, acha mesmo que para uma criança, 20 páginas de imagens maiores em que têm de tratar o livro com paninhos quentes para não estragar, iria compensar o gozo de 3 ou 4 aventuras num formato que eles possam mexer sem que ninguem lhes diga para ter cuidado?
      Acho que é a maior falha que nós temos como leitores de Bd. Fazemos estudos de mercado, pensamos nas alterações dos tempos e das gerações etc. Esquecemo-nos que até uma certa idade da criança, tudo isso não interessa para nada. O que eu acredito é que sim, se não lhes criarmos o gosto até uma certa idade, depois é que não haverá volta a dar com ipods etc.

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    4. Joaõ XXIII4/4/14 16:00

      Não me parece que lá por não contactarem com BD em criança alguém fique afastado da mesma para o resto da sua vida. Eu próprio tive uma leitura intermitente, e muitos amigos que mantenho desde a infância nunca mais pegaram sequer num livro, seja barato ou caro. E obviamente que se há crianças que não têm dinheiro para ter pão a BD será a última prioridade, por mais barata que seja. Isso é uma questão que não se pode pôr.
      De qualquer forma a política editorial das grandes editoras de super-heróis (se é isso que aqui estamos a debater) parece ter optado pelo aumento dos preços (4 dólares cada número nos EUA), e aglomeração de 5 números em TPBs de capa mole e dura para coleccionadores.
      Se é aí que eles encontram sustentabilidade, que bom para eles. Afinal, cada uma das grandes editoras tem dezenas de séries a concorrer mensalmente.
      Se, apesar dessa fartura, a ideia deles é produzir um produto de luxo estão no seu direito. E aí é inteligente a Disney a preencher esse vazio do mercado, e bem.
      Quando muito a publicação de "comics" já se torna anacrónica. Se calhar a distribuição de TPBs em livrarias faria mais sentido.
      E se não houvesse distribuição de material de editoras de super-heróis em Portugal? Teríamos Disney, Turma da Mónica e Mythos, cada qual ao seu preço, cada qual ao seu público.
      Estaríamos descansados em oferecer um Tex de Ouro de €9,5 para os petizes riscarem e dobrarem e encherem de areia ? E um Universo Marvel de €6, já seria mais aceitável?
      Enfim, de qualquer modo vejo isto mais como resultado do modelo de empresa americano, sobre o qual em Portugal a repercussão será sempre irrelevante.

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    5. Olá João XXIII,

      Não esta em causa o afastamento de uma pessoa da BD se não tiver contacto com a BD em criança, mas sim arranjar uma solução que permita é criar o gosto na BD aos mais novos, ao mesmo tempo dando-lhe um produto acessível à maioria dos bolsos, e não o contrário que é o que esta a acontecer, e onde é o maior erro.

      Mais uma vez digo, o grande erro da Devir anteriormente (que deu no que deu) e agora da Panini é não adaptarem o produto à economia do país em que fazem os lançamentos. O maior erro foi terem habituado as pessoas a um produto em que a maioria não pode ter acesso ao mesmo por causa da condição econômica. E nisso a Disney foi inteligente. Regressou com o formatinho que sempre teve, e o resultado está à vista de todos.

      Sim, é verdade que a BD para essas famílias será sempre um "luxo" por assim dizer. Mas não concorda que um pai por vezes possa ter um gosto e um prazer enorme a dar ao seu filho um comicx? Não acha que é muito mais fácil e justo o preço de 1,90 euros em vez de uns impensáveis (para essas famílias) 3,50 euros? Ver o brilho nos olhos daquela criança ao receber um comicx, é uma coisa impagável para um pai.
      Mas isto são coisas que ninguém pensa, o que interessa é centrarmo-nos em nós próprios e esquecer-nos dos outros e daquilo que nos rodeia, e termos os tais comics com qualidade superior, com capas e papel XPTO, etc.
      Por isso me apetece dizer às vezes que temos o país que merecemos ter.

      Por ultimo deixe-me dizer-lhe que não podemos fazer sempre o papel de coitadinhos.
      .."sobre o qual em Portugal a repercussão será sempre irrelevante." isto é uma afirmação que da a ideia de sermos o tal país de coitadinhos.
      Se formos sempre por essa via, de comodismo e de não lutarmos e nos fazermos ouvir, não vamos a lado nenhum. Mas isto não serve só para a BD, mas sim para tudo.

      A Panini está a cair no mesmo erro que caiu a Devir.


      Cumprimentos Bedéfilos

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    6. Olá a todos novamente, a discussão está bastante interessante :-)

      Bem, eu realmente não tenho essa experiência de trabalhar com crianças ou jovens, seja como for lamento desde já esse tipo de situações graves que são as pessoas não terem dinheiro para comer, infelizmente parece cada vez mais surgirem esse tipo de casos.

      Apesar dessa situação lamentável, não penso que isso tenha alguma relação para a discussão na medida em que como aqui também já foi dito, a BD acaba por ser um extra e nunca uma necessidade básica. Assim sendo, não me parece que tenha influência para essas pessoas qual a plataforma em que lêem BD, porque infelizmente para elas não têm possibilidade de a comprar quer seja em formato, formatinho ou formatão. O mesmo se aplica ao argumento do interior. Todos sabemos que as diferenças são brutais, mas isso não é exclusivo das novas tecnologias. A propósito disso até me lembro de uma reportagem na TV sobre, acho que era um pastor relativamente jovem, que a sua ligação ao mundo era através de um tablet, claro que isto é a excepção à regra e por isso também não deve ser considerado, mas foi só uma curiosidade.

      Quanto à questão das novas tecnologias mais aprofundada-mente, após ter feito uma pesquisa logo na primeira página do google apareceu-me um artigo do jornal público sobre o crescimento da venda de tablets em Portugal e os números eram de 300 mil em 2012 e quase 800 mil em 2013, com previsão de crescimento durante os próximos 3 anos. Ora juntando a isso 5 milhões de smartphones vendidos e computadores então nem se fala, especialmente portáteis. Portanto em resumo, parece-me que não são números a serem ignorados. As escolas hoje em dia estão todas praticamente ligadas à Internet e até os mais novos há uns anos tiveram possibilidade de adquirir os famosos Magalhães a preços bastante aceitáveis. Ou seja, cada vez mais os jovens estão por dentro de todas as novas tecnologias. Claro que como já dissemos haverá ainda muita gente com dificuldades de lhe aceder, mas a tendência será para a massificação geral, tal como aconteceu com os PCs há alguns anos.

      A única coisa que quero voltar a frisar é que este formato deve ser considerado e muito a sério, porque quer se queira quer não vai ser o futuro. E se por um lado quem não tiver plataforma, terá de adquirir numa fase inicial, depois como já frisei e ainda ninguém o desmentiu não há melhor qualidade preço para quem quiser ler BD.

      Portanto temos aqui depois outro problema que é o da língua, e aqui é que as editoras têm de acordar e mexer as mãozinhas, ou seja começar a disponibilizar digital em Português, porque cada vez, também, o inglês pelo menos, é mais comum e o que vai acontecer é que quando lançarem os livros aqui em PT na nossa língua, já perderam metade dos consumidores, porque demoraram tanto tempo a traduzir que as pessoas recorrem ao mercado em inglês para ler.

      Ainda na semana passada os nosso vizinhos espanhóis da Planeta Agostini Comics anunciaram que vão passar a disponibilizar todo o catálogo em digital.

      Portanto antever e preparar o mercado é isto, ver a evolução e prepararem-se para responder e não ficar a pensar, não sei bem em quê.

      Se acredito que vá haver grandes novidades? não me parece, o nosso mercado é muito pequeno e as grandes editoras não investem, antes pelo contrário.

      Agora claramente como antes já tinha dito, a hipótese de voltar ao formatinho, para certos tipos de publicações seria um tiro no pé, provavelmente irremediável.

      Cumprimentos a todos

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    7. Por acaso são sempre discussões interessantes! :)

      Ora bem, se é certo que quase todas as escolas têm pelo menos um computador, isso só é visivel nas escolas do secundário. Nas do 1º ciclo não. Isso é uma falsa questão. Acredite, porque nisso eu sei, a maioria dos miudos não tem acesso às novas tecnologias com a facilidade que às vezes possa parecer.

      Quanto ao aumento de vendas de smartphones, tablets, etc, isso não mostra que estamos a ter cada vez mais pessoas com novas tecnologias. Mostra é que cada vez mais temos uma sociedade muito mais consumista. Ninguém nos garante que não são sempre as mesmas pessoas que estão constantemente a fazer upgrades aos produtos que já tenham.

      Voltar ao formatinho, para as publicações da BD de super heróis, neste caso da Panini, não seria com certeza um tiro no pé. Tiro no pé deu a Devir com o formato americano, e está a dar a Panini com o mesmo formato. Seria igual com o formatinho? Não sabemos. Sabemos sim, que o formato americano da Devir foi um fracasso.


      Cumprimentos amigo Rui

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    8. Pois, esta minha pesquisa foi muito superficial, não faço ideia da distribuição das vendas, mas uma coisa eu vejo, é pessoas com dificuldades a comprarem iPhones de 600 e muito euros, mas bom isto são outros 500, como se costuma dizer.

      A verdade é que não temos os devidos termos de comparação, para o formatinho temos o caso da Disney neste momento e os casos mais idos dos anos 80 até 90 talvez, Depois temos esse caso da Devir, mas recentemente também temos o caso da Levoir com a Marvel e a DC em Formato Americano com publicações semanais, nem sequer eram mensais e penso que terá tido um sucesso bastante considerável, penso eu, também não tenho dados, mas pelo que me apercebi acho que foi um sucesso.

      Como diz só experimentando, mas a minha convicção é que o grau de exigência é cada vez maior e sinceramente não vai resultar, para o resultado que pretendemos que será tentar cativar um público mais jovem, penso que o digital é o caminho.

      Abraço

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  22. Bem, seja como for, acho esta discussão muito pertinente, e ainda bem que cada vez há mais locais como este blog em que se podem falar destas coisas.

    Acho que este blog está de parabéns assim como quem deixa comentários preocupados com estas situações. Para mim é sempre um prazer falar destas coisas.

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    1. Um agradecimento ao Pedro que tem feito um grande trabalho neste blog.

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    2. Sem dúvida que o Pedro é uma das nossas grandes mais valias em termos de BD.

      Abraço para ele.

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  23. "A aceitação do formato pela Marvel é uma questão cuja resposta é desconhecida.
    Nos anos 90, os leitores Marvel só conheciam o formatinho (em Portugal e no Brasil) por isso a questão não se punha.
    O aparecimento das edições especiais em formato comic e a facilidade de importação das edições americanas que aos poucos se generalizou nos anos seguintes, levaram á natural mudança de hábitos."

    Não é desconhecida. No Brasil é sabido que a Marvel proibiu a Abril de lançar comics em formatinho. Foi por isso que em meados de 2000 a Abril se viu obrigado a abandonar as coleções em fomatinho e passar a adotar o formato americano, e fê-lo também com a DC. Depois que a Marvel passou prá Panini, a Abril decidiu voltar a publicar DC em formatinho e passado 5 meses de edição, também a DC passou prá Panini.

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    1. Tanto a Marvel como a DC passaram para a Panini porque a Panini assim o quis. Não teve nada a ver com o formato. A Panini cedia os direitos à Abril, quando achou por bem, quis tomar conta das edições e aí pronto passou tudo para formato americano.

      Só por dizer que um comic no Brasil mensal custa 2 euros. Aqui custa 3,50 euros. Quase o dobro.

      E sim, o mal foi darem a conhecer o formato americano aos leitores. Se não o conhecessem a esta hora ainda andavam todos contentes com o formatinho. Agora é claro, têm um Ferrari, não querem passar para um Fiat outra vez. Só que estamos num país de Fiats e não de Ferraris.

      O tempo irá me dar razão. Aqui estarei para dar a minha opinião. Começar uma casa pelo telhado sem ter as bases, dá sempre mau resultado.

      Cumprimentos Bedéfilos

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    2. "Tanto a Marvel como a DC passaram para a Panini porque a Panini assim o quis. Não teve nada a ver com o formato. A Panini cedia os direitos à Abril, quando achou por bem, quis tomar conta das edições e aí pronto passou tudo para formato americano."

      A Marvel passou para Panini porque esta assim o quis, certo. Mas 2 anos antes, a Abril passou a editar em formato americano por exigência da Panini e por exigência da Marvel.

      O caso da DC é diferente. A Panini é a representante da Marvel a nível europeu e da américa latina, não é a da DC. O que se passou foi que a Abril achou insustentável continuar com o formato americano e voltou a baixar pró formatinho. Na hora de renovar contrato, a Panini mostrou ser uma editora mais vantajosa em relação à Abril, e isso incluiu a questão do formato de certeza, e a DC aceitou passar a pasta à Panini. Aparece uma editora a propor um formato pimba e outra a propor o formato igual ao original, a quem é que a DC iria aceitar como sua representante no Brasil? Alguns anos mais tarde especulou-se sobre a não-renovação da DC com a Panini devido à forte ligação desta à Marvel, mas as outras editoras hipotéticas concorrentes a concurso: a Abril e a Pixel, não reuniram as mesmas condições vantajosas que a Panini, e a DC renovou com a Panini num contrato que não englobava só o país Brasil, mas a língua portuguesa e passado uns meses -1ano, a Panini Brasil começou a distribuir comics da DC em Portugal. E mais um ano e os direitos de Wildstorm e Vertigo também passaram prá Panini.

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  24. "Só por dizer que um comic no Brasil mensal custa 2 euros. Aqui custa 3,50 euros. Quase o dobro."

    Mas o que influencia aqui o preço é a questão do papel. É aceitável que um comic com um papel semelhante ao do jornal tenha um preço bem inferior em comparação com um comic com papel plastificado. Não é só a qualidade do papel que está em causa, como também a qualidade gráfica da edição.

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  25. Pelo que me lembro, a Panini adquiriu os direitos da Marvel, por uma briga de valores dos álbuns de figurinhas, que a Abril não quis negociar novos valores, com isso a Panini ameaçou a Abril, e tirou os direitos da Marvel das mãos da Abril, já que a Panini era detentora dos direitos mundiais da Marvel, e só repassava para a Abril publicar no Brasil.

    Quanto ao formatinho, acredito que o leitor de super-heróis e o leitor Disney ou da turma da Monica, são leitores diferentes, os leitores de comics são considerados leitores mais elitizados, seja em Portugal ou Brasil, e não gostariam de ver as revistas migrando novamente para o formatinho, nos vários blogues e fóruns dobre BDs de fala portuguesa notamos o repúdio dos leitores para isso.

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  26. A Ultima vez que o formatinho saiu em Portugal não em 1997 mas em 2003 ou 2004 com uma coleção de Classicos da Bd que editou desde comics como X-Men ou Hulk e Batman e Superman até herois do fb como Lucky Luke ou Corto Maltese ate Turma da Monica e herois Classicos como Flash Gordon e teve cerca de 30 numeros com o jornal Cm.

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  27. reignfire

    Está visto que vemos certas coisas de angulos completamente diferentes. E isto realmente é tudo relativo, no entanto, a análise que fazes das vendas da Goody deixam-me perplexo. Uma editora que manda todos os meses 4 revistas Comix (com não sei quantas páginas cada), mais a revista da Minnie, mais a revista 'carros', mais o hiperdisney, e que às vezes ainda lhes junta as edições especiais de dia dos namorados ou o que seja, isto todos os meses, metade é vendido e metade fica para sobra, e dizes que é 'razoável'?? Então mas deviamos ser assim tão sóbrios na nossa análise com as outras editoras também, mais as colecções dos jornais (que as sobras estão agora a um óptimo preço nas fnacs etc) para podermos ser minimamente justos, ou não?
    Como é que a Goody não é um caso de sucesso. Quando apareceram, todos nós dissemos "ok, esperemos que tenham sorte, mas duvido muito, com tanta coisa a sair tão depressa...". Semanas depois, quando se viu que vendia, o coro continuou mas a musica já era outra ..."mmm, já não sabe ao que sabia, a qualidade já não é a mesma. Para isto mais valia estarem quietos, queremos é os clássicos, isto não interessa". Mas eles continuaram a vender (e continuam).
    Claro que, para quem estava a comprar estas revistas (e ainda compra) estas preocupações eram completamente inexistentes. Quem as tinha? Os antigos leitores de Bd.
    É engraçado notar que o 'sucesso razoável' da Goody coloca mais páginas de Bd a serem lidas por mês que muitas outras editoras num ano. Mesmo com metade de sobras (que aposto que algumas acabarão por ser vendidas), no país que temos, com o mercado que temos, como é que isto não é um sucesso?? Enfim, acho que se vamos chamar razoável ao sucesso da Goody, o que chamaremos ao sucesso das outras?

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    1. Eu desejo todo o sucesso à Goody. E dado que estamos num cenário de crise económica, e de desinteresse do público na bd em geral, e vender metade da tiragem, pode ser considerado um sucesso, sim. Agora convém lembrar que se vendem metade, há outra metade que sai em prejuízo, se não for vendida nos packs e já com baixa de preço. Eu não sou entendedor do assunto, mas diria que vender somente metade duma tiragem não é um sucesso de todo, mas é o aceitável, por forma a manter o projeto vivo e sustentável e quiçá por uns anos. Mas poderá ser preocupante prá editora se estes números de vendas forem baixando progressivamente, o que espero que não aconteça.

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  28. reignfire

    Outra coisa que achei que não foi bem 'comparado' foi colocar uma Bd de 3€ ao lado de PS3 etc. Lêmos em quanto tempo uma Bd? E para quantas horas de entertenimento é que dá em média um jogo PS3? 50? E estamos a tabelar muito por baixo. Estamos a comparar o quê? e Iphones??? comparar Iphones a uma Bd?? Aquilo apesar de todas as mariquices que traz, não deixa de ser um telemóvel com uma plataforma de acesso a net? Comparar isso com uma Bd?? O problema constante que eu vejo na análise dos bedéfilos quando falam destas coisas é que não conseguem largar o valor inerente que dão a uma Bd. Ou seja, nós gostamos tanto de uma Bd que achamos que a análise custo beneficio para alguem que a leia casualmente é semelhante à nossa. Não tem nada a ver.

    Mas pronto, vamos concordar por discordar pois eu já vi que não chegamos a lado nenhum (nem a Bd em Portugal se continuamos a pensar desta maneira). Atenção, eu nao defendo que se acabem com as edições A4, só digo que haviam de haver edições A5 para quando os miudos se cansarem da Goody e quiserem super herois, terem para onde se virar. Continuo a dizer que é uma falta de sensibilidade enorme para o que é a vida de uma criança e o seu dia a dia com os seus objectos, achar que é viável que o que nós gostamos de consumir, fique também bem nas mãos deles. Mas pronto.

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  29. Rui Ferreira

    Em relação ao digital, disse tudo num dos seus parágrafos, só que tirou a conclusão contrária :)

    Acha mesmo que alguém que saiba mexer num PC ou Ipad e que consiga obter um comic saidinho na América quase no próprio dia gratuitamente, vai pagar passado (hipoteticamente) duas semanas para o ter em português? E como é que as editoras fariam essa milagre de tradução de tanta revista em tão pouco tempo? Não acha que esse modelo é praticamente impossivel? Por aqui perde os novos leitores, e os mais velhos, não me estou a ver com esta idade a abdicar de livros de papel, de os folhear na minha mão, e de sentir-lhes o cheiro. O digital é o futuro sim senhor (eu também leio digital), mas não nos moldes que estão disponiveis hoje em dia (e se tudo correr bem, esperemos que continue assim durante algumas décadas, pois não quero voltar aos tempos das ditaduras editoriais).

    Abraço

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  30. ale.neves08

    Concordo com isso. Eu (à semelhança de outros leitores) também detestaria ter de voltar ao formatinho. Talvez não tanto como alguns, mas seria certamente um passo para trás. No entanto penso que deveriam TAMBÈM existir formatinhos com super herois. Não percebo esta ideia de ou carne ou peixe. Acho que deveriamos ter os dois. É só isso que digo, e percebo que os velhos leitores não queiram voltar ao formatinho, mas não percebo que queiram impedir aos mais novos o acesso ao formatinho.

    Por fim, tem toda a razão, os leitores não são os mesmos. O que aconteceu comigo quando era miudo é que fartei-me da Disney, olhei para o lado e lá andava o Thor à martelada. Claro que me rendi aos super herois. Só anos mais tarde é que comecei a ver que preferia tudo em A4. Olhe se não tivesse havido aquele passo de transição? Provavelmente não estariamos a conversar hoje porque o meu desinteresse pela Disney tornou-se total na altura. Temo que aconteça o mesmo a miudos dos dias de hoje.

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  31. E porque não haver uma transição entre Disney formatinho e comics formato americano? Acho que só no Brasil e Portugal é que houve comics formatinhos, Nos outros países não tiveram comics formatinho, e a malta leu e lê comics à mesma.

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