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24/03/2014

E depois...?





Todos aqueles que lêem banda desenhada, mais, todos aqueles que lêem banda desenhada em Portugal, de certeza que, mais do que uma vez, ficaram suspensos do final de uma história que nunca chegou.
Na verdade, após lerem prancha após prancha, numa revista ou num álbum, chegados à última página, vendo o tradicional (continua) ou o anúncio de um novo episódio, por uma razão ou por outra - e não é difícil encontrar razões – nunca mais tiveram acesso à dita continuação.
Já a seguir, algumas das histórias que me deixaram pendurado!

E, confesso, foram várias ao longo dos anos que já levo de leitor de quadradinhos – quase tantos como a minha idade!
Histórias ordenadas numa listagem imaginária de que, sucessivamente – por minha iniciativa ou casualmente – fui descobrindo o ansiado final.
O caso mais recente foi este Luc Orient: O senhor de Terango. Lido na altura certa, à entrada da adolescência, num álbum de que entretanto perdi o rasto (o que não é nada habitual), chegado ao fim fiquei sem saber onde e como teria lugar o “duelo sem quartel” entre o louro herói terreno e o ditador do planeta Terango.
Por acaso, há algumas semanas, uma compra compensadora, tornou-me dono dos seis primeiros tomos da série – na edição integral dupla - onde pude, finalmente conhecer o tal desfecho. E constatar – desiludido – que esta ficção-científica, pioneira no contexto franco-belga na altura em que Greg e Paape a criaram, soa hoje datada e muito ingénua e até pouco trabalhada em termos de argumento embora reconheça que possui algumas ideias engraçadas à mistura.

Mas não foi este o único caso ao longo dos anos. Ao correr dos dedos pelo teclado, recordo, por exemplo, uma história – A Volta à Gália - em que Astérix era preso e acorrentado pelos romanos, sem ter bebido poção mágica. Lida num volume emprestado da revista Tintin, obrigou a meses (?) de espera até conhecer como o pequeno guerreiro gaulês se livrava daquela situação difícil.
Nos mesmos moldes decorreu o meu encontro com Blake e Mortimer em O Enigma da Atlântida, passado em solo açoriano e só concluído tempos depois na edição em álbum da Verbo.
Em revistas emprestadas, ocorre-me também a suspensão por tempo indeterminado do desfecho de um dos confrontos (qual?) de Tex com Mefisto...
No Mundo de Aventuras, que acompanhei durante mais de uma década, um dos casos mais marcantes foi a história em que o Arqueiro Verde descobre que Speedy era drogado. Nunca concluída na revista – foi uma das narrativas aos quadradinhos que mais me marcou e me ajudou a dar o salto da BD infanto-juvenil para as temáticas adultas - apesar de procurada durante algum tempo, só a li completa há relativamente poucos anos, numa edição brasileira da Panini que compilava em dois volumes o excelente arco de Nead Adams e Denny O’Neal parcialmente publicado há pouco tempo pela Levoir e o Público e que aconselho vivamente.
Outro caso ainda, foi a admirável série Passeio ao Fim do Mundo, de Makyo e Viconte, de que a Meribérica/Líber editou dois dos quatro tomos com um intervalo de 8 anos! Se a editora não tivesse falido, talvez estivesse agora a concluir a edição da obra… Eu, optei pela edição original pouco depois do primeiro volume português e nunca me arrependi de tal.

Porque o texto já vai longo, concluo com um dos itens ainda pendentes da tal lista imaginária: O Mercador de Ideias, assinado por Berthet e Cossu, cujo primeiro volume – o único publicado em português - data também de 1984, tal como o Passeio ao Fim do Mundo, e de que hoje, ainda continuo sem conhecer o epílogo…

5 comentários:

  1. Tem graça, como às vezes duas pessoas podem ter asmesmas ideias, ou muito parecidas, e nunca falaram nelas um com o outro. Ando já há algum tempo a preparar vários artigos que depois veria onde podiam ser apresentados que trata exactamente um pouco o assunto deste post. Chemai-lhe séries que gostaria de ver concluídas e que incluiem um conjunto de séries com um ou vários álbuns publicados que entretanto já foram concluídas mas que por cá ficaram a meio caminho. Ejá tinha listado várias,desde os Anjos de Aço que só falta publicar um álbum, ao BloodLine que faltam dois álbuns, Os Caminhos da Glória que também faltam dois álbuns, A Carroça de Thespis que só foi publicado um dos quatro que contam a história, A Casta dos Metabarões que faltam três até Fulú que só foram publicados dois dos cinco. E tantos outros que não refiro aqui comno O Peter Pan........Traduz também, por um lado a fragilidade do nosso mercado, mas, por outro lado, a descontinuidade com que algumas séries são votadas pelasdiferentes editoras. Ea este nível não há nenhuma que se salve. Com pena minha. Masse calhar é mesmo só pena minha. Obrigado mais uma vez.

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    1. Caro Letré,
      tem toda a razão e partilho consigo o interesse pelo desfecho de várias dessas séries.
      É incompreensível como as editoras portuguesas - desde sempre - editaram um ou dois volumes e esqueceram o restante das séries (ou publicaram-nas anarquicamente, sem qualquer respeito por sequência e/ou cronologia).
      Uma das regras fundamentais para vender um produto destes é manter a aposta porque os novos volumes acendem o interesse pelos anteriores...

      Boas leituras... completas!

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  2. de facto tem razão, houve sempe a edição em português de banda desenhada nunca seguindo a verdadeira ordem dos albúns, até podiam muito bem editar em português as versões intregais como são editadas do spirou,bluberry e de outras bd europeias em frança e bélgica.

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    1. Caro Mário,
      O problema dos integrais é que ficam caríssimos em português. No mercado franco-belga (muitas vezes) não pagam os direitos - são obras já antigas - e já têm o material necessário para a reimpressão, já não falando nas tiragens muito maiores.
      Em Portugal seria necessário pagar direitos, tradução, legendagem...
      Só a título de exemplo, edições similares em Espanha (um mercado bem maior do que o nosso) custam ais de 40 € quando as originais francófonas rondam os 25 €...

      Boas leituras... completas!

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    2. Nem tinha pensado nisso, mas sim de facto até novas reedições de bd franco belga em portugal, de albuns que tinham sido pubolicados são caros, acho q se criassem uma revista e publicassem bd que já foi publicada em revistas portuguesas e nunca em album era boa ideia, mas depois das selecçoes bd nõa ouve mais nenhuma tentativa

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