Este blog está correctamente escrito em português, à revelia do triste acordo ortográfico em vigor.

14/02/2014

Spirou et Fantasio: Mystèrieuses créatures








Um dos aspectos que distingue um clássico de uma obra banal é a sua intemporalidade, que se revela quer pela forma como se mantém uma leitura estimulante independentemente da passagem do tempo, quer pela forma como nos consegue surpreender a cada nova leitura.
Le nid des Marsupilamis é um desses casos, um dos vários que nos legou o génio criativo de Andre Franquin.

A justificação vem já a seguir.


(Re)lida várias vazes ao longo dos anos, nunca esta história me divertiu tanto como desta última vez, em que algumas passagens me arrancaram mesmo bem saboreadas gargalhadas.
História atípica na cronologia de Spirou – embora faça todo o sentido no contexto geral do (desenvolvimento do) seu universo - aparentemente sob o tom de documentário da vida animal, narra o dia-a-dia de um Marsupilami, a forma como este animal faz a corte, acasala e vive em família na selvagem selva palombiana, recheada de perigos.
Esse é o pretexto para Franquin submeter ao leitor uma série de apontamentos de humor negro – que explodiria anos mais tarde, primeiro em Gaston Lagaffe, depois, com toda a pujança, nas suas Histórias Negras – sendo absolutamente delicioso o retrato que apresenta das duras leis da natureza em que o caçador rapidamente pode virar presa, em especial nos confrontos jaguar/piranhas e marsupilami/papagaios.
A agilidade e expres-sividade do traço nervoso de Franquin brilham de forma superior e confere uma dinâmica notável a uma obra prima do humor aos quadradinhos, que aconselho a (re)descobrirem. 

Fiz esta nova leitura (de um álbum também disponível em português) num dos volumes integrais de Spirou e Fantasio, que abarca os anos de 1956 a 1958, que inclui igualmente Le voyageur du Mésozoique, Le Homard, Vacances sans histoires, Fantasio et le siphon, Les patins teleguidés e La foire aux gangsters, bandas desenhadas de dimensão, temática e tom variáveis, nalguns casos enriquecidas com tiras/pranchas inéditas em álbum e bem complementadas por um dossier recheado de documentos e informações que ajudam a compreender (e a apreciar melhor) a sua génese e o seu criador.

Spirou et Fantasio: Mystérieuses créatures
Intégrale #5 : 1956-1958
Franquin
Dupuis
Bélgica, 2008
220 x 300 mm, 176 p., cor, cartonado
20,50 €

1 comentário:

  1. "... Um dos aspectos que distingue um clássico de uma obra banal é a sua intemporalidade, que se revela quer pela forma como se mantém uma leitura estimulante independentemente da passagem do tempo, quer pela forma como nos consegue surpreender a cada nova leitura.
    Le nid des Marsupilamis é um desses casos, um dos vários que nos legou o génio criativo de Andre Franquin..."

    Está tudo dito aqui. Como em outra qualquer forma de arte, também nesta, na BD, a "regra" se aplica.
    Para mim, de resto, a "coisa" é tão pertinente que, para a grande maioria das obras lidas e relidas, basta-me rever uma das pranchas para reconhecer o álbum (não necessariamente qual em particular, mas se já foi, ou não, lido por mim...). Não consigo justificar este "efeito" de forma mais explicita do que aquela que o amigo Pedro escreve, acima!... :D

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