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23/01/2014

Los Vengadores: La guerra interminable

Numa época dominada – cada vez mais – pelo dinheiro, é normal que a indústria da BD – seja ela comics, franco-belga, manga, Disney ou outra – também se guie pelo ‘vil metal’ - que no entanto dá tanto jeito… - procurando novos produtos, embora estes muitas vezes não sejam mais do que recauchutagens mais ou menos aprofundadas dos que já existem…
O livro que hoje destaco, é um exemplo desta procura de novos leitores. Primeiro título de um novo projecto da Marvel, que se poderia classificar como a primeira graphic novel (aproximadamente) global, pois foi editada em simultâneo em 8 países – EUA, Brasil, Espanha, Itália, Alemanha, França, Finlândia e Turquia – está especialmente direccionado para o segmento de livrarias.
Aspectos positivos e negativos, já a seguir.

Projecto aliciante, pela dimensão – tiragem, mediatismo - que logo à partida assume, tinha três outros trunfos.
Por um lado, estava entregue, em termos de escrita, a Warren Ellis, um dos monstros da Casa das Ideias, que surge aqui ao lado de Mike McKone (desenho) e Jason Keith (cor).
Por outro, tentava prolongar o sucesso cinematográfico do filme dos Vingadores, apostando nos quadradinhos numa equipa de super-heróis (Capitão América, Thor, Homem-de-Ferro, Wolverine, Hulk, Viúva Negra, Capitã Marvel, Gavião Arqueiro), próxima da que brilhou nas telas; daí, também, o prefácio ter sido encomendado a Clark Gregg, o Agente Coulson do filme (e da série televisiva que entretanto se estreou e passa actualmente na SIC).
Finalmente, a edição inclui diversos extras (capas, making-of…) disponíveis em realidade aumentada através de uma aplicação disponível no site da editora.
Mas, apesar disto – de tudo isto – o mais importante, a banda desenhada em si, não se destaca especialmente da produção habitual da Marvel. Digo eu, pensando enquanto escrevo, que possivelmente a intenção até é mesmo essa, pois o facto de ser vendido em livrarias (e não só nas especializadas…?) é apenas um atalho para chegar a quem viu o filme mas não frequenta comicshops e, de passagem, piscar o olho a leitores antigos que eventualmente deixaram os super-heróis pelo caminho e poderão reencontrá-los aqui tal como a (sua) memória os reteve.
Com o texto reorientado segundo esta perspectiva (que me parece comercialmente mais ajustada), repenso a leitura que fiz e, afirmar agora que esta “banda desenhada, não se destaca especialmente da produção habitual da Marvel” passa a ser elogio e não crítica.
A história – que, correctamente, na peugada do filme, dispensa o conhecimento de cronologias e sagas anteriores – tem como ponto de partida o (re)aparecimento de enormes lagartos, saídos das profundezas da terra, armas vivas que os nazis tentaram controlar no final da II Guerra Mundial, e que o Capitão América e Thor então enfrentaram e venceram mas que agora (res)surgem, mais fortes e perigosos (porque continuam incontrolados) ao serviço dos interesses norte-americanos.
A nova ameaça – pois continua a sê-lo - levará os super-heróis num longo périplo que terminará onde nunca imaginaram, numa história com alguns momentos de tensão entre os diversos Vingadores, provocados pelas diferentes formas de pensar e de agir de cada um, em contraste com as cenas de acção pura (e alguma violência verbal e/ou física nem sempre visível em histórias de super-heróis), que predominam, embora não sejam nelas que encontram solução as questões mais relevantes. Que, como habitualmente, ficam em aberto e colocam em causa, de diferentes maneiras, os meios e os fins que movem os Vingadores e até que ponto a sua aceitação pelos outros – simples indivíduos, outros super-heróis, as agências governamentais que os empregam ou a eles recorrem – é sincera.
Los Vengadores: La guerra interminable
Warren Ellis (argumento)
Mike McKone (desenho)
Jason Keith (cor)
Panini Comics
Espanha, Outubro de 2013
190 x 280 mm, 124 p., cor, cartonada
15,00 €
Nota adicional
No Brasil, a Panini editou esta obra com o título Vingadores: Guerra sem fim, em capa dura e papel couché, com o preço de R$ 24,90.

3 comentários:

  1. Isto sim, a Panini deveria traduzir pra português.

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  2. Graphic quase global para variar o nosso pais foi ignorado.Eu tenho a Original mas ainda não li.Mas a 2a do Aranha aparenta ser melhor em termos de desenho.
    E concordo com o Reign acima perdem tempo com mensais condenadas e deixam passar as GN tanto marvel como Dc.

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  3. Reignfire,
    Talvez tivesse traduzido se já houvesse edições em português, quem sabe...

    Optimus,
    Suponho que não foi editado no nosso país (também) porque cá não havia edições Panini... Talvez possa ser uma hipótese para um futura nova colecção Marvel com algum jornal...
    A do Aranha ainda não vi.

    Boas leituras para os dois!

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