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23/09/2013

Valérian et Laureline #22: Souvenirs de Futurs










Christin (argumento)
Mezières (desenho)
Dargaud
França, 20 de Setenbro de 2013
225 x 295 mm, 48 p., cor, cartonado
11,99 €


Há uma velha máxima que diz que os heróis nunca morrem.
No que diz respeito aos quadradinhos, isto pode ser verdade a diversos níveis.
De um ponto de vista comercial, quando são um bom negócio o que leva as editoras – geralmente detentoras dos seus direitos – a explorá-los ao máximo e a tirar deles todo o rendimento possível, como acontece com a Marvel, DC Comics, Disney, Bonelli ou – com alguns cambiantes – Maurício de Sousa.
De um ponto de vista autoral, quando são obra de um único autor que a eles dedica uma vida, marcando sucessivos encontros com os seus apreciadores e fãs, e cito de rajada, sem pensar, os Peanuts, Príncipe Valente ou Tintin.
De um ponto de vista emocional, quando os leitores de sucessivas gerações, regressam uma e outra vez às páginas desenhadas que os divertiram, emocionaram ou fizeram subir a adrenalina, fazendo reviver os protagonistas na sua memória.
E, ainda, como no actual caso de Valerian e Laureline, em que essa perpetuação é feita pelos autores originais – mesmo depois de terem declarado a série encerrada – que se (e nos) divertem a inventar futuros alternativos para momentos específicos que marcaram décadas de aventuras fantásticas dos dois agentes espácio-temporais que, nalguns casos, a terem acontecido, poderiam ter dado um percurso totalmente diverso á série.
Dessa forma, nestes curtos relatos, regressamos, por isso, à floresta onde os dois protagonistas se conheceram, à Nova Iorque submersa onde os vimos pela primeira vez, ao primeiro encontro da bela Laureline com os Shingouz, a Alflolol, a Ponto Central ou a Simlane onde Valerian se perpetuou em incontáveis descendentes…
Ao tom fantástico e maravilhoso habitual que todos (re)conhecemos, Christin acrescenta um reforço da relação pessoal entre Valerian e (a aqui mais bela e sensual) Laureline e também do sentido de humor que, se foi sempre uma das marcas da série, surge agora aplicado num nível diferente, provocando uma maior cumplicidade com o leitor, enquanto vão sendo desfiadas eventuais memórias futuras, de eventuais futuros.
E se é verdade que estas derivações do destino, mais ou menos aventurosas, ricas em (novos ou velhos) relacionamentos, pode acabar por saber a pouco face a tudo aquilo que Valerian e Laureline viveram – realmente? - sob o nosso olhar atento, têm pelo menos um mérito: fazerem-nos recordar muitas das pranchas e das situações que marcaram a nossa adolescência, juventude e mesmo idade adulta.


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