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28/08/2013

Parceiros improváveis
















Scooby-Doo, o cão medroso que a animação celebrizou nas décadas de 70 e 80, vai regressar em Novembro, na forma de banda desenhada. A surpresa é o parceiro desse regresso: Batman.

“Scooby-Doo Team-Up” é o título dessa nova revista bimestral, editada pela DC Comics, na qual o cão e os seus amigos Fred, Daphne, Velma e Shaggy partilharão o protagonismo de cada aventura com outros heróis da BD e da animação. No número inicial, escrito por Sholly Fish e desenhado por Dario Brizuela, aliam-se ao Homem-Morcego e a Robin para tentarem capturar um Morcego Humano.
Criado em 1969 por Joe Ruby e Ken Spears, numa série animada produzida pela Hanna-Barbera, Scooby-Doo já se tinha cruzado com Batman nos desenhos animados por três vezes.
Esta parceria improvável, no entanto, não é única nem sequer a primeira nas páginas dos quadradinhos. O mesmo Batman, numa versão vitoriana, também já se deparou com o célebre Jack o Estripador, numa aventura soturna desenhada por Mike Mignola, criador de Hellboy. O Homem-Morcego, entre parceiros e adversários, entre outros já partilhou páginas desenhadas com Spawn, Drácula, Spirit ou Tarzan.
Quanto ao senhor da selva, para além de dividir perigos e emoções com outras criações de Edgar Rice Burroughs, como John Carter de Marte ou os habitantes de Peluccidar, o mundo pré-histórico existente no centro da Terra, teve que enfrentar neste último o Predator do filme homónimo.

Essa não foi a única vez que os quadradinhos foram buscar inspiração e protagonistas ao cinema ou à televisão, para duetos tão inverosímeis como os que reuniram os X-Men com a tripulação de Star Trek, o Lanterna Verde com os Aliens, o Joker (adversário de Batman) com a Máscara, Mars Attack com Popeye (!) os Simpsons com os protagonistas de Futurama ou os agentes de X-Files frente aos vampiros de 30 Dias de Noite. Ou, como cúmulo do género, como uma verdadeira epidemia, agrupando num único comic, naturalmente intitulado “Infestation”, Transformers, Star Trek, GL Joe, Ghostbusters e CVO.
De regresso aos super-heróis, há outros encontros que os quadradinhos guardaram. Nos anos 80, celebrizaram-se alguns crossovers entre as editoras rivais Marvel e DC Comics. Datam dessa altura as aventuras conjuntas entre o Super-Homem e o Homem-Aranha, Batman e Hulk, Demolidor ou Capitão América, X-Men e Novos Titãs ou Vingadores e Liga da Justiça, ou, no que aos vilões diz respeito, entre Darkseid e Galactus. De comum a todas, a estrutura da história que começa por antagonizar os super-heróis envolvidos, para depois os unir frente a uma ameaça maior.
O Homem de Aço tem também no seu currículo uma série de encontros inesperados com Astérix, Bugs Bunny, He-Man, Jerry Lewis ou até Muhammad Ali. Nesta última, os dois protagonistas defrontam-se num combate de boxe orquestrado por extraterrestres que acabam por ser derrotados quando os dois se unem. Célebre ficou a capa dupla da edição original, que mostra o ringue com os dois contendores rodeados de um público entusiasta onde se encontram desenhadas mais de centena e meia de celebridades do cinema, música, desporto, política, etc.
Se os europeus neste campo se revelam mais conservadores – até porque os heróis geralmente pertencem aos seus criadores e não às editoras – dentro do universo Bonelli Dylan Dog, Martin Mystère, Mister NO e Nathan Never já protagonizaram algumas aventuras a dois.
Outros casos há, não tão directos mas igualmente evidentes, que usam artimanhas como a utilização de nomes de som semelhante para contornar complicados direitos autorais.
Corrado Mastantuono narrou o encontro do Pato Donald e do Professor Pardal com um certo Denden e o seu cão Piciou, os gémeos Dipent e Dipend, o Capitão Hadciuk ou o professor Doposole, inspirando-se claramente nos heróis de Hergé.
Recorrente, também, é a presença de super-heróis “derivados” da DC Comics e da Marvel em histórias da Turma da Mônica.
Neste âmbito, no ano passado, em “Tesouro verde”, a selva amazónica assistiu ao encontro entre a versão jovem dos heróis de Maurício de Sousa e Kimba, o leão branco, AstroBoy, Safiri e outros heróis criados pelo japonês Osamu Tezuka, concretizando um sonho antigo dos dois criadores, que acabou por não se concretizar devido à morte prematura do criador japonês.


(Versão revista do texto publicado no Jornal de Notícias de 24 de Agosto de 2013)

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